{"id":44750,"date":"2015-07-27T17:29:14","date_gmt":"2015-07-27T20:29:14","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=44750"},"modified":"2015-07-27T17:29:14","modified_gmt":"2015-07-27T20:29:14","slug":"espaco-valdocco-41-um-seminarista-exemplar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/espaco-valdocco-41-um-seminarista-exemplar\/","title":{"rendered":"Espa\u00e7o Valdocco 41 &#8211; Um seminarista exemplar"},"content":{"rendered":"<p>O jeito sempre alegre de ser de Jo\u00e3o, sua maneira agrad\u00e1vel de tratar as pessoas e a disponibilidade de prestar ajudar seja a quem for que precisasse fizeram com que ganhasse rapidamente o afeto de todos os seus colegas seminaristas. Esta sua maneira de ser era sobretudo resultado de uma felicidade muito grande que sentia na sua nova vida.<br \/>\nEstava sempre disposto a varrer, a transportar m\u00f3veis de um quarto para o outro, a organizar as salas, fazer barretes (uma esp\u00e9cie de chap\u00e9u usado na \u00e9poca pelos cl\u00e9rigos), a barbear, cortar cabelo e a costurar batinas e sapatos. Era um humilde servidor de todos. Tamb\u00e9m sabia cuidar muito bem daqueles que estavam doentes e mais necessitados de ajuda m\u00e9dica.<br \/>\nIgualmente nas d\u00favidas e dificuldades todos os buscavam como conselheiro e amigo. Com os que tinham problemas com os estudos, possu\u00eda uma caridade sem limites. Quando precisavam fazer provas e se encontravam desesperados por conta da quantidade de mat\u00e9ria, Jo\u00e3o costumava fazer resumos dos conte\u00fados para passar a estes colegas. Emprestava generosamente seus livros a quem lhe pedia. Preparava frequentemente serm\u00f5es para os seus colegas que eram convidados pelos p\u00e1rocos, nos tempos de f\u00e9rias, e tinham dificuldades para escrev\u00ea-los ou n\u00e3o se sentiam capazes para comp\u00f4-los. Esse foi um costume que Dom Bosco manteve tamb\u00e9m como padre: em Turim, emprestava para quem pedia os seus cadernos e serm\u00f5es para que pudessem se servir. Tamb\u00e9m por esse motivo, infelizmente muitos escritos de Dom Bosco n\u00e3o chegaram at\u00e9 n\u00f3s.<br \/>\nNo recreio, divertia seus colegas com piadas leves e agrad\u00e1veis. \u00c0s vezes, propunha a explica\u00e7\u00e3o de certas frases latinas, que geralmente continham algum pensamento importante. Outras vezes, manipulava uma varinha que apoiava somente no dedo polegar e a jogava em todos os sentidos, fazia rodar, saltar e rapidamente voltar im\u00f3vel sobre o dedo. De vez em quando, nos primeiros anos, porque os colegas pediam, fazia algum n\u00famero de m\u00e1gica.<br \/>\nOs antigos amigos da escola de Chieri n\u00e3o o esqueceram. \u00c0s quintas-feiras, a portaria do semin\u00e1rio se enchia de meninos que iam levar os seus cadernos para que Jo\u00e3o os examinasse. Ele, muito contente, corrigia, anotava os erros, explicava as frases e repassava as li\u00e7\u00f5es que haviam escutado em aula. Mas nunca os deixava ir sem citar um bom pensamento.<br \/>\nMas Jo\u00e3o sempre esperava com mais expectativa a visita de seu amigo Lu\u00eds Comollo, que ainda tinha mais um ano de estudos na escola de Chieri, no curso de Ret\u00f3rica. N\u00e3o era dif\u00edcil querer bem a Comollo. Rapaz de grande intelig\u00eancia, de car\u00e1ter suave, cumpridor exato dos deveres, constante na pr\u00e1tica do bem e muito orante.<br \/>\nNas \u201cMem\u00f3rias do Orat\u00f3rio de S\u00e3o Francisco de Sales\u201d resume assim o fim do primeiro ano do semin\u00e1rio: \u201cfui muito feliz no semin\u00e1rio e sempre gozei da estima dos meus colegas e de todos os meus superiores. No exame semestral costuma-se dar um pr\u00eamio de 60 francos em cada curso a quem obtiver as melhores notas no estudo e no comportamento. Deus me aben\u00e7oou muito, pois nos seis anos que passei no semin\u00e1rio fui sempre distinguido com esse pr\u00eamio\u201d.<br \/>\nNas suas primeiras f\u00e9rias do semin\u00e1rio, fez uma visita \u00e0 casa da fam\u00edlia Moglia \u2013 fam\u00edlia amiga que o havia acolhido quando, devido aos conflitos com o meio-irm\u00e3o Antonio, saiu de casa, aos 13 anos. A visita de Jo\u00e3o foi recebida com muita alegria e como\u00e7\u00e3o nesta casa.<br \/>\nDepois Jo\u00e3o dirigiu-se \u00e0 casa de sua m\u00e3e, mas esteve ali por pouco tempo, pelo motivo que ele mesmo conta: \u201cInteressava-me muito o estudo do grego; havia aprendido os primeiros elementos no curso cl\u00e1ssico, aprendi a gram\u00e1tica e fiz algumas tradu\u00e7\u00f5es com a ajuda do dicion\u00e1rio. Serviu-me muito uma oportuna ocasi\u00e3o. No ano de 1836 a c\u00f3lera era uma amea\u00e7a; s\u00f3 em N\u00e1poles havia causado a morte de mais de cinco mil pessoas e j\u00e1 chegava \u00e0 Lig\u00faria. Os jesu\u00edtas de Turim anteciparam a sa\u00edda dos internos do seu col\u00e9gio, o que iria requerer duplicar o hor\u00e1rio de aulas para cumprir o planejamento. Consultaram o Pe. Cafasso e ele me indicou para as aulas de grego. Isto me incentivou a estudar seriamente a l\u00edngua, para estar em condi\u00e7\u00e3o de poder ensin\u00e1-la. Mais ainda, pedi muita ajuda a um sacerdote jesu\u00edta, chamado Bini, que era profundo conhecer do grego. Em apenas quatro meses me fez traduzir quase todo o Novo Testamento, os primeiros livros de Homero e outras obras cl\u00e1ssicas. Aquele digno sacerdote, admirando minha boa vontade, seguiu ajudando-me: durante quatro anos lia a cada semana uma composi\u00e7\u00e3o grega o alguma tradu\u00e7\u00e3o que eu o enviava e ele corrigia pontualmente e me devolvia com as observa\u00e7\u00f5es. Deste modo cheguei a traduzir o grego quase como se tratasse de latim\u201d. E, de fato, testemunhas contam que em 1886, recitava cap\u00edtulos inteiros de S\u00e3o Paulo em grego e em latim, posto que sabia de mem\u00f3ria, em ambas as l\u00ednguas, o Novo Testamento.<br \/>\nJo\u00e3o deu aulas neste col\u00e9gio dos jesu\u00edtas por quase tr\u00eas meses, encarregando-se tamb\u00e9m de assistir o dormit\u00f3rio durante todas aquelas f\u00e9rias. Teve ocasi\u00e3o de conhecer a v\u00e1rios jovens de fam\u00edlias distintas que sempre lhe guardaram uma grande estima e cuja coopera\u00e7\u00e3o soube aproveitar com frequ\u00eancia quando teve necessidade. Tamb\u00e9m p\u00f4de conhecer, gra\u00e7as \u00e0 sua piedade e o seu zelo pela salva\u00e7\u00e3o das almas, os perigos que molestam esta classe de jovens, com os quais tinha contato pela primeira vez, e a dificuldade de adquirir a influ\u00eancia necess\u00e1ria sobre eles para lhes fazer o bem. Convenceu-se que n\u00e3o era chamado a se ocupar dos jovens filhos de fam\u00edlias ricas. De fato, anos mais tarde, em 5 de abril de 1864, Dom Bosco falava a um salesiano que lhe propunha muitos projetos, entre os quais abrir um col\u00e9gio para os filhos da nobreza: \u201cN\u00e3o, isso nunca. Enquanto eu estiver vivo e enquanto dependa de mim, isso nunca. Isso seria nossa ru\u00edna, como foi para v\u00e1rias ordens religiosas que tinham por miss\u00e3o principal a educa\u00e7\u00e3o da juventude pobre e logo os abandonaram para se dedicarem aos nobres.\u201d<br \/>\nEntretanto, mais tarde Dom Bosco precisou aceitar o col\u00e9gio de Vals\u00e1lice, diante dos insistentes pedidos da Comiss\u00e3o Diretora, do mandato do Arcebispo de Turim \u2013 Dom Gastaldi \u2013 e para defender a honra do clero de Turim, submetendo-se, desde cedo, a dolorosos sacrif\u00edcios, que s\u00f3 Deus certamente soube recompensar.<br \/>\n<strong>TEXTO:<\/strong>\u00a0Pe. Glauco F\u00e9lix Teixeira Landim, SDB<br \/>\ne-mail: glauco.bsp@salesianos.com.br \u2013 Facebook: www.facebook.com\/glaucosdb<br \/>\n<strong>ADAPTA\u00c7\u00c3O E LOCU\u00c7\u00c3O:<\/strong>\u00a0Domingos S\u00e1vio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espa\u00e7o Valdocco 41<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":74104,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[129,137],"tags":[],"class_list":["post-44750","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-espaco-valdocco","category-subdestaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44750\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}