{"id":59112,"date":"2016-09-27T09:52:18","date_gmt":"2016-09-27T12:52:18","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=59112"},"modified":"2016-09-27T09:52:18","modified_gmt":"2016-09-27T12:52:18","slug":"pesquisa-mostra-naturalizacao-da-violencia-entre-criancas-e-adolescentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/pesquisa-mostra-naturalizacao-da-violencia-entre-criancas-e-adolescentes\/","title":{"rendered":"Pesquisa mostra naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia entre crian\u00e7as e adolescentes"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/i65.tinypic.com\/bjiemg.jpg\" \/>Apesar de 85% das crian\u00e7as e adolescentes relatarem conviver com brigas na escola e 63% sofrerem viol\u00eancia f\u00edsica em casa quando fazem algo errado, 68% dizem se sentir seguras como uma percep\u00e7\u00e3o geral. \u00c9 o que revela a pesquisa O que dizem as crian\u00e7as, divulgada ontem (26) pelas organiza\u00e7\u00f5es Vis\u00e3o Mundial e Instituto Igarap\u00e9, em evento no Rio de Janeiro.<br \/>\nA pesquisa foi feita entre setembro de 2015 e mar\u00e7o de 2016 e ouviu 1.404 crian\u00e7as e adolescentes entre 8 e 17 anos que participam de projetos da Vis\u00e3o Mundial em 12 cidades: as capitais Fortaleza, Recife e Macei\u00f3, e as regi\u00f5es perif\u00e9ricas de Manacapuru (AM); Governador Dix-sept Rosado e Mossor\u00f3 (RN); Catol\u00e9 do Rocha (PB); Canapi e Inhapi (AL); Itinga (MG); e Nova Igua\u00e7u (RJ).<br \/>\nA assessora em prote\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia da Vis\u00e3o Mundial, Karina Lira, disse que os dados mostram que a viol\u00eancia est\u00e1 naturalizada entre os jovens em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade socioecon\u00f4mica, j\u00e1 que a percep\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia nos ambientes em que est\u00e3o inseridos \u00e9 grande, mas, ao mesmo tempo, a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 elevada. A an\u00e1lise vale para ambientes como escola, casa e comunidade onde vivem.<br \/>\n\u201cA gente percebe uma contradi\u00e7\u00e3o onde a percep\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a dela [da crian\u00e7a] \u00e9 muito baixa, apesar da sua realidade e seu entorno. Existe um elemento, pelo fato de ser crian\u00e7a e por estar em desenvolvimento, n\u00e3o consegue compreender totalmente essa realidade, principalmente as menores. Mas tem o elemento que a gente chama de normatiza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia: a crian\u00e7a convive t\u00e3o rotineiramente com situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia que passa a entender aquilo como natural, algo normal do seu dia a dia.\u201d<br \/>\nKarina ressaltou que, apesar do avan\u00e7o na legisla\u00e7\u00e3o, com o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA), as garantias de direitos n\u00e3o sa\u00edram do papel para uma parcela consider\u00e1vel de jovens. \u201cIsso \u00e9 muito complicado porque, a partir do momento que a crian\u00e7a e o adolescente \u2013 que s\u00e3o um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 s\u00e3o vulner\u00e1veis e n\u00e3o se percebem como v\u00edtimas de uma viol\u00eancia, isso se deve a um sil\u00eancio em torno do problema e tamb\u00e9m \u00e0 impunidade por parte de quem agride\u201d, ponderou.<br \/>\n<strong>Dados<\/strong><br \/>\nDe acordo com o levantamento, a percep\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a aumenta de acordo com a idade das crian\u00e7as e jovens e menos de 1% se sente em situa\u00e7\u00e3o de alta inseguran\u00e7a. Residentes de cidades menores se sentem mais seguros e a casa \u00e9 o ambiente onde 84% se sentem seguros sempre. Na escola e na comunidade, esse \u00edndice cai para 62%.<br \/>\nSobre os tipos de viol\u00eancia, 86% dos entrevistados entendem que \u00e9 sempre muito errado ter o corpo tocado sem permiss\u00e3o. Gritar ou xingar e bater nas pessoas foram citados como viol\u00eancia por 82% dos pesquisados, ficar preso no quarto ou em casa por 70%, e ficar em casa sem cuidados por 64%. Al\u00e9m disso, 58% disseram ser errado menores de 14 anos fazerem atividades para ganhar dinheiro; percentual que foi de 28% sobre cuidar dos irm\u00e3os mais novos e 19% sobre fazer tarefas dom\u00e9sticas enquanto os pais trabalham.<br \/>\nDo total de crian\u00e7as e jovens ouvidos na pesquisa, 89% se sentem seguros com a pr\u00f3pria fam\u00edlia e 40% com a pol\u00edcia. Sobre bem-estar, 89% se sentem amados e bem tratados pelos pais ou respons\u00e1veis e 86% acham que ser\u00e3o felizes quando crescer. Por outro lado, 35% j\u00e1 precisaram recorrer \u00e0 delegacia ou hospital para ter assist\u00eancia por ter sofrido algum tipo de viol\u00eancia.<br \/>\nA coordenadora de projetos do Instituto Igarap\u00e9, Natalie Hanna, explicou que o levantamento foi feito com o aplicativo \u00cdndice de Seguran\u00e7a da Crian\u00e7a (ISC), desenvolvido pela entidade, que pode ser adaptado para os diferentes contextos sociais em que as crian\u00e7as estejam inseridas. Segundo ela, a pesquisa supre uma lacuna de dados subjetivos sobre a percep\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia entre crian\u00e7as.<br \/>\n\u201cExistem dados objetivos, quantas pessoas morrem e tal, mas n\u00e3o h\u00e1 dados subjetivos de como isso afeta o dia a dia dessas crian\u00e7as e adolescentes. Ent\u00e3o foi desenvolvido esse aplicativo com a ajuda de v\u00e1rios especialistas da \u00e1rea de viol\u00eancia contra a crian\u00e7a. \u00c9 uma pesquisa para tentar capturar a percep\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a ou de seguran\u00e7a das crian\u00e7as e adolescentes. As perguntas foram feitas com o objetivo de n\u00e3o retraumatizar, no caso dela ter sofrido algum abuso\u201d, explicou.<br \/>\nO aplicativo tamb\u00e9m permite mapear os resultados de forma interativa e din\u00e2mica, com dados organizados por sexo, idade e local das entrevistas. O objetivo \u00e9 utilizar os dados para impulsionar pol\u00edticas p\u00fablicas na \u00e1rea e fortalecer as redes de prote\u00e7\u00e3o previstas na legisla\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>Direito de ser ouvido<\/strong><br \/>\nA defensora p\u00fablica Eufr\u00e1sia Maria Souza, coordenadora de defesa dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente, destacou que o mais importante da pesquisa foi ouvir os jovens. \u201cNada melhor para n\u00f3s, que somos defensores dos direitos da crian\u00e7a e do adolescente, inclusive do direito consagrado de ser ouvido e ter a sua opini\u00e3o considerada. \u00c9 muito importante uma pesquisa que tenha como enfoque ouvir o que as crian\u00e7as est\u00e3o dizendo acerca das viol\u00eancias que elas sofrem. E s\u00e3o viol\u00eancias de v\u00e1rios tipos, da fam\u00edlia, institucional\u201d, listou.<br \/>\nDe acordo com o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), crian\u00e7as e jovens de at\u00e9 18 anos s\u00e3o 31,1% da popula\u00e7\u00e3o do Brasil e o pa\u00eds \u00e9 o segundo do mundo em n\u00famero de assassinatos de adolescentes, atr\u00e1s apenas da Nig\u00e9ria. Por dia, s\u00e3o mortos 28 crian\u00e7as e adolescentes, a maioria meninos, negros, pobres e moradores de periferias e \u00e1reas metropolitanas de grandes cidades.<br \/>\nSobre viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica, o Disque 100, de den\u00fancias de direitos humanos, registra uma m\u00e9dia de cinco casos contra crian\u00e7as e adolescentes por hora, incluindo viol\u00eancia sexual e neglig\u00eancia.<br \/>\n<em>Por Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direitos humanos<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":59120,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[507,840,2743,2991,102,3403,5229,5322,5485,6609,7533,10146],"class_list":["post-59112","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-adolescentes","tag-aplicativo","tag-criancas","tag-denuncia","tag-direitos-humanos","tag-disque-100","tag-indice-de-seguranca-da-crianca","tag-instituto-igarape","tag-isc","tag-naturalizacao-da-violencia","tag-pesquisa","tag-visao-mundial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59112"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59112\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}