{"id":59681,"date":"2016-10-18T10:28:30","date_gmt":"2016-10-18T12:28:30","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=59681"},"modified":"2016-10-18T10:28:30","modified_gmt":"2016-10-18T12:28:30","slug":"sofrimento-presente-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/sofrimento-presente-de-deus\/","title":{"rendered":"Sofrimento, presente de Deus?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/i67.tinypic.com\/301hwzn.jpg\" \/>A pessoa humana foi criada para a felicidade. Ningu\u00e9m gosta de tristeza, sofrimento ou dor. Por\u00e9m, tais movimentos nos levam a pensar sobre nossa atitude diante do sofrimento e da dor. \u00c9 poss\u00edvel tomar consci\u00eancia de que o sofrimento est\u00e1 presente no mundo em m\u00faltiplas formas e manifesta\u00e7\u00f5es e, que n\u00e3o podemos fugir dele de forma alguma. Sendo assim, resta-nos tr\u00eas caminhos: a revolta, a indiferen\u00e7a ou a aceita\u00e7\u00e3o. A revolta leva a pessoa ao desespero; a indiferen\u00e7a nos torna est\u00e1ticos, deterministas, estoicos; a aceita\u00e7\u00e3o comunica-nos a paz e alegria profundas pr\u00f3prias do crist\u00e3os: seguidores e imitadores de Jesus Cristo.<br \/>\n<strong>O sofrimento na B\u00edblia<\/strong><br \/>\nO homem b\u00edblico, desde o G\u00eanesis ao Apocalipse, pergunta-se por que o sofrimento e como libertar-se dele. Antes da vinda de Jesus o sofrimento aparece como uma estrada sem sa\u00edda, fruto do pecado e como castigo de Deus pelo bem n\u00e3o realizado. O grito que perpassa toda a Sagrada Escritura \u00e9 o pedido a Deus que nos liberte da dor e que nos d\u00ea a for\u00e7a necess\u00e1ria para suport\u00e1-la. Os salmos s\u00e3o o livro do homem sofredor que, na sua breve exist\u00eancia, depara-se com todo tipo de dor: f\u00edsica, moral, espiritual, a solid\u00e3o, o abandono dos amigos, a lepra que devasta, a persegui\u00e7\u00e3o dos inimigos\u2026O livro de J\u00f3, que podemos considerar como o grande tratado antropol\u00f3gico da dor, faz-nos ainda mais cr\u00edticos diante do sofrimento.<br \/>\nO sentido de impot\u00eancia que nos adv\u00e9m quando nos deparamos com a dor deixa-nos ainda mais angustiados. O que fazer diante das pessoas que sofrem, e como reagir diante do nosso pr\u00f3prio sofrimento? Se Deus-amor n\u00e3o quer que o homem sofra, por que permite o sofrimento? S\u00e3o perguntas que, provavelmente, nunca ter\u00e3o uma resposta que nos deixe totalmente satisfeitos.<br \/>\nA repugn\u00e2ncia \u00e0 dor est\u00e1 inscrita no nosso cora\u00e7\u00e3o e todos somos chamados a lutar contra ela. Superar a dor \u00e9 caminho promissor para se chegar \u00e0 felicidade plena.<br \/>\n<strong>Jesus nos ensina a amar a cruz<\/strong><br \/>\nO encontro com Jesus de Nazar\u00e9, o amor que tenho para com Ele, a leitura do Evangelho e o desejo de imitar sua vida t\u00eam-me feito compreender melhor o caminho da dor. Ali\u00e1s, fora de Jesus, n\u00e3o creio que encontremos resposta para coisa alguma. A vida tende para Jesus e por Ele somos atra\u00eddos e seduzidos. Contemplando-o nos v\u00e1rios momentos de sua exist\u00eancia terrena sabemos descobrir o caminho novo. A novidade trazida por Jesus \u00e9 que Ele encerra o tempo das promessas e abre o tempo da realidade. Ele nos ensina como viver, amar, sofrer, morrer e ressuscitar.<br \/>\nA grandeza de Jesus \u00e9 que Ele, encarnando-se, assumiu a nossa natureza humana plena, total, com todas as limita\u00e7\u00f5es, menos o pecado. De fato, o pecado n\u00e3o faz parte da natureza humana, ele entrou no mundo pela desobedi\u00eancia. Algu\u00e9m como Jesus, que nunca desobedeceu ao projeto do Pai, n\u00e3o poderia ter o pecado na sua humanidade. Ele \u201cse fez pecado\u201d por n\u00f3s e nos redimiu de todos os nossos pecados.<br \/>\nO projeto trazido por Jesus \u00e9 libertar o homem do pecado, e para que isso possa acontecer Ele iniciou a sua hist\u00f3ria entre n\u00f3s atrav\u00e9s do caminho da cruz e do sofrimento.<br \/>\n\u201cJesus tinha a condi\u00e7\u00e3o divina, e n\u00e3o considerou o ser igual a Deus como algo a que se apegar ciosamente. Mas esvaziou-se a si mesmo, e assumiu a condi\u00e7\u00e3o de servo, tomando a semelhan\u00e7a humana. E, achado em figura de homem, humilhou-se e foi obediente at\u00e9 a morte, e morte de cruz! Por isso Deus o sobre exaltou grandemente e o agraciou com o Nome que \u00e9 sobre todo o nome, para que, ao nome de Jesus, se dobre todo o joelho dos seres celestes, dos terrestres e dos que vivem sob a terra, e, para gl\u00f3ria de Deus, o Pai, toda l\u00edngua confesse: Jesus \u00e9 o Senhor.\u201d (Fil 2,6-12).<br \/>\nO nascimento, a fuga ao Egito, o trabalho em Nazar\u00e9, as incompreens\u00f5es por parte do povo, dos seus seguidores e do poder constitu\u00eddo em Israel, formam a hist\u00f3ria de dor de Jesus, que tem o cume na morte de cruz. O caminho apresentado por Jesus aos seus seguidores \u00e9: ren\u00fancia de si mesmo, carregar a cruz e segu\u00ed-lo no seu nomadismo, onde n\u00e3o tem nem uma pedra para reclinar a cabe\u00e7a\u2026 O amor \u00e0 paix\u00e3o de Jesus n\u00e3o \u00e9 opcional na vida crist\u00e3, mas necess\u00e1rio para poder compreender o sentido da vida de Jesus.<br \/>\nAtrav\u00e9s da leitura do Evangelho, compreendemos que Jesus n\u00e3o queria sofrer e que em momento algum provocou o sofrimento, seu ou dos outros, e que fez o poss\u00edvel para aliviar a dor dos outros. Ele mesmo \u201cgemeu e suplicou\u201d ao Pai que o libertasse da cruz, do beber o c\u00e1lice e da morte. Mas, consciente que era poss\u00edvel salvar a humanidade por este caminho, Ele assume a dor com a alegria interior de quem realiza na fidelidade a vontade do Pai.<br \/>\nTenho encontrado muitas pessoas esmagadas pela dor e interiormente felizes. Uma das frases que ajudam-me a compreender o sentido da dor \u00e9 de Santa Teresinha: \u201cCheguei a um ponto em que o sofrimento me d\u00e1 alegria\u201d. A alegria de participar ativamente da paix\u00e3o de Jesus. \u00c9 o amor que leva a dar toda a vida pelo outro. \u00c9 o amor do Pai que envia seu Filho Jesus. \u00c9 o amor do Esp\u00edrito Santo que consagra Jesus na sua miss\u00e3o e o amor de Jesus que d\u00e1 toda a sua vida para nossa liberta\u00e7\u00e3o e salva\u00e7\u00e3o. A for\u00e7a do amor \u00e9 sempre maior do que qualquer sofrimento e, no amor, o sofrimento se faz alegria e vida.<br \/>\nO amor por Jesus gera os m\u00e1rtires da Igreja em todos os tempos e em todos os lugares do mundo. O sofrimento \u00e9 poss\u00edvel entender na dimens\u00e3o do amor: \u201cN\u00e3o h\u00e1 maior amor do que dar a vida por aquele que se ama\u201d. O servo sofredor de Jav\u00e9, o Cordeiro manso levado ao matadouro apresentado por Isa\u00edas se faz realidade na pessoa do Verbo encarnado que, por amor, n\u00e3o volta atr\u00e1s, mas oferece o seu rosto para que lhe arranquem a barba. Quando o peso das minhas \u201ccruzinhas\u201d se faz pesado aos meus fr\u00e1geis ombros, o que mais gosto \u00e9 de contemplar o crucifixo e saber que Ele, o Cristo, por amor morreu por mim. \u00c9 nesse momento que a dor se faz leve e fonte de uma alegria imensa e incompreens\u00edvel.<br \/>\n\u201cO sofrimento n\u00e3o me \u00e9 desconhecido. Nele encontro a minha alegria, porque na cruz se encontra Jesus e Ele \u00e9 amor. E que importa sofrer quando se ama?\u201d (Santa Teresa de los Andes)<br \/>\n\u00c0 luz de Jesus se entende a dor como fruto de amor e presente de Deus. Todos os santos, os grandes m\u00edsticos nascidos do encontro com Jesus, pedem a dor como participa\u00e7\u00e3o do sofrimento. A purifica\u00e7\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia do amor. Deus nos purifica porque nos ama, e existe em n\u00f3s o desejo de nos purificar para \u201cvermos desde j\u00e1 a Deus\u201d. O conc\u00edlio Vaticano II, na constitui\u00e7\u00e3o Gaudium et Spes, coloca em destaque como n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel resolver os problemas existenciais, como o sofrimento, sem Jesus.<br \/>\n\u201cNa verdade, os desequil\u00edbrios que atormentam o mundo moderno se vinculam com aquele desequil\u00edbrio mais fundamental radicado no cora\u00e7\u00e3o do homem. Com efeito, no pr\u00f3prio homem muitos elementos lutam entre si. Enquanto, de uma parte, porque criatura, experimenta-se limitado de muitas maneiras, por outra parte, por\u00e9m, sente-se ilimitado nos seus desejos e chamado a uma vida superior. Atra\u00eddo por muitas solicita\u00e7\u00f5es, \u00e9 ao mesmo tempo obrigado a escolher entre elas renunciando a algumas. Pior ainda: enfermo e pecador, n\u00e3o raro faz o que n\u00e3o quer, n\u00e3o fazendo o que desejaria. Em suma, sofre a divis\u00e3o em si mesmo, da qual se originam tantas e tamanhas disc\u00f3rdias na sociedade. Certamente muit\u00edssimos, cuja vida se impregnou de materialismo pr\u00e1tico, afastam-se da percep\u00e7\u00e3o clara deste estado dram\u00e1tico, ou, oprimidos pela mis\u00e9ria, s\u00e3o impedidos de consider\u00e1-lo. Muitos pensam encontrar tranquilidade nas diversas explica\u00e7\u00f5es do mundo que lhes s\u00e3o propostas. Outros por\u00e9m esperam uma verdadeira e plena liberta\u00e7\u00e3o da humanidade somente pelo esfor\u00e7o humano. Est\u00e3o persuadidos de que o futuro reino do homem sobre a terra haver\u00e1 de satisfazer todos os desejos de seu cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o faltam os que, desesperados do sentido da vida, louvam a aud\u00e1cia daqueles que, julgando a exist\u00eancia humana desprovida de qualquer significado peculiar, esfor\u00e7am-se por lhe atribuir toda significa\u00e7\u00e3o s\u00f3 do pr\u00f3prio engenho. Contudo, diante da evolu\u00e7\u00e3o atual do mundo, cada dia s\u00e3o mais numerosos os que formulam perguntas primordialmente fundamentais ou as percebem com nova acuidade. O que \u00e9 o homem? Qual \u00e9 o significado da dor, do mal, da morte que, apesar de tanto progresso conseguido, continuam a subsistir? Para que aquelas vit\u00f3rias adquiridas a tanto custo? O que pode o homem trazer para a sociedade e dela esperar? O que se seguir\u00e1 depois desta vida terrestre?\u201d (Gaudim et Spes, 10).<br \/>\n<em>Por Comunidade Shalom via Aleteia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entender e aprender<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":59691,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[455,2731,2813,3112,3779,4037,4442,5539,6116,8512,9393,9506],"class_list":["post-59681","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-aceitacao","tag-crescer","tag-cruz","tag-deus","tag-dor","tag-entendimento","tag-felicidade","tag-jesus","tag-martires","tag-revolta","tag-sofrimento","tag-superacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59681","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59681"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59681\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}