{"id":60079,"date":"2016-11-02T01:29:17","date_gmt":"2016-11-02T03:29:17","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=60079"},"modified":"2016-11-02T01:29:17","modified_gmt":"2016-11-02T03:29:17","slug":"todos-os-finados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/todos-os-finados\/","title":{"rendered":"Todos os Finados"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/i68.tinypic.com\/2wp3y83.jpg\" \/>S\u00e3o Francisco de Assis, segundo o seu bi\u00f3grafo Tomas de Celano, chegava a convidar para louvor at\u00e9 a pr\u00f3pria morte, que todos temem e abominam. Para ele, a morte n\u00e3o era a nega\u00e7\u00e3o total da vida, mas a passagem para o modo de vida em Deus, novo e definitivo, imortal e pleno.<br \/>\n\u00c9 assim tamb\u00e9m que os crist\u00e3os veem a morte. Dando sua vida em sacrif\u00edcio e experimentando a morte, e morte na cruz, Cristo ressuscitou e salvou toda a humanidade. Esse \u00e9 o mist\u00e9rio pascal de Cristo: morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Ele nos garantiu que, para quem cr\u00ea, for batizado e seguir seus ensinamentos, a morte \u00e9 apenas a porta de entrada para desfrutar com ele a vida eterna no Reino do Pai. Por isso, S\u00e3o Francisco chama a morte de \u201cIrm\u00e3 Morte\u201d no C\u00e2ntico do Irm\u00e3o Sol.<br \/>\nEncontramos a celebra\u00e7\u00e3o da missa pelos mortos desde o s\u00e9culo V. Santo Isidoro de Sevilha, que presidiu dois conc\u00edlios importantes, confirmou o culto no s\u00e9culo VII. Tempos depois, em 998, por determina\u00e7\u00e3o do abade santo Odilo, abade de Cluny, todos os conventos beneditinos passaram, oficialmente, a celebrar \u201co dia de todas as almas\u201d, que j\u00e1 ocorria na comunidade no dia seguinte \u00e0 festa de Todos os Santos. A partir de ent\u00e3o, a data ganhou express\u00e3o em todo o mundo crist\u00e3o.<br \/>\nEm 1311, Roma incluiu, definitivamente, o dia 2 de novembro no calend\u00e1rio lit\u00fargico da Igreja para celebrar \u201cTodos os Finados\u201d. Neste dia, a Igreja autoriza cada sacerdote a celebrar tr\u00eas Missas especiais pelos fi\u00e9is defuntos. Essa pr\u00e1tica remonta ao ano de 1915, quando, durante a Primeira Guerra Mundial, o Papa Bento XV julgou oportuno estender a toda Igreja esse privil\u00e9gio de que gozavam a Espanha, Portugal e a Am\u00e9rica Latina desde o s\u00e9c. XVIII.<br \/>\n<strong>Acompanhe a reflex\u00e3o do Papa Bento XVI:<\/strong><br \/>\nDepois de ter celebrado a Solenidade de Todos os Santos, hoje a Igreja convida-nos a comemorar todos os fi\u00e9is defuntos, a dirigir o nosso olhar para os numerosos rostos que nos precederam e que conclu\u00edram o caminho terreno. A realidade da morte para n\u00f3s, crist\u00e3os, \u00e9 iluminada pela Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, e para renovar a nossa f\u00e9 na vida eterna.<br \/>\nNestes dias vamos ao cemit\u00e9rio para rezar pelas pessoas queridas que nos deixaram; \u00e9 quase como ir visit\u00e1-las para lhes manifestar, mais uma vez, o nosso carinho, para as sentir ainda pr\u00f3ximas, recordando tamb\u00e9m, deste modo, um artigo do Credo: na comunh\u00e3o dos Santos h\u00e1 um v\u00ednculo estreito entre n\u00f3s que ainda caminhamos nesta terra e muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s que j\u00e1 alcan\u00e7aram a eternidade.<br \/>\nDesde sempre, o homem preocupou-se pelos seus mortos e procurou conferir-lhes uma esp\u00e9cie de segunda vida, atrav\u00e9s da aten\u00e7\u00e3o, do cuidado e do carinho. De certa maneira, deseja-se conservar a sua experi\u00eancia de vida; e, paradoxalmente, como eles viveram, o que amaram, o que temeram e o que detestaram, n\u00f3s descobrimo-lo precisamente a partir dos t\u00famulos, diante dos quais se apinham recorda\u00e7\u00f5es. Estas s\u00e3o como que um espelho do seu mundo.<br \/>\nPor que \u00e9 assim? Porque, n\u00e3o obstante a morte seja com frequ\u00eancia um tema quase proibido na nossa sociedade, e haja a tentativa cont\u00ednua de eliminar da nossa mente at\u00e9 o pensamento da morte, ela diz respeito a cada um de n\u00f3s, refere-se ao homem de todos os tempos e de todos os espa\u00e7os. E diante deste mist\u00e9rio todos, tamb\u00e9m inconscientemente, procuramos algo que nos convide a esperar, um sinal que nos d\u00ea consola\u00e7\u00e3o, que abra algum horizonte, que ofere\u00e7a ainda um futuro. Na realidade, o caminho da morte \u00e9 uma senda da esperan\u00e7a, e percorrer os nossos cemit\u00e9rios, como tamb\u00e9m ler as inscri\u00e7\u00f5es sobre os t\u00famulos \u00e9 realizar um caminho marcado pela esperan\u00e7a de eternidade.<br \/>\nMas perguntamo-nos: por que sentimos medo diante da morte? Por que motivo uma boa parte da humanidade nunca se resignou a acreditar que para al\u00e9m dela n\u00e3o existe simplesmente o nada? Diria que as respostas s\u00e3o m\u00faltiplas: temos medo diante da morte, porque temos medo do nada, este partir rumo a algo que n\u00e3o conhecemos, que nos \u00e9 desconhecido. E ent\u00e3o em n\u00f3s existe um sentido de rejei\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o podemos aceitar que tudo quanto de belo e grande foi realizado durante uma exist\u00eancia inteira seja repentinamente eliminado e precipite no abismo no nada. Sobretudo, n\u00f3s sentimos que o amor evoca e exige a eternidade, e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aceitar que ele seja destru\u00eddo pela morte num s\u00f3 instante.<br \/>\nAl\u00e9m disso, temos medo diante da morte porque, quando nos encontramos pr\u00f3ximos do fim da exist\u00eancia, h\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o de que existe um ju\u00edzo sobre as nossas obras, sobre o modo como conduzimos a nossa vida, principalmente sobre aqueles pontos de sombra que, com habilidade, muitas vezes sabemos anular ou tentamos remover da nossa consci\u00eancia. Diria que precisamente a quest\u00e3o do ju\u00edzo est\u00e1 com frequ\u00eancia subjacente ao cuidado do homem de todos os tempos pelos finados, a aten\u00e7\u00e3o pelas pessoas que foram significativas para ele e que n\u00e3o est\u00e3o mais ao seu lado no caminho da vida terrena. Num certo sentido, os gestos de carinho e de amor que circundam o defunto constituem um modo para o proteger, na convic\u00e7\u00e3o de que eles n\u00e3o permane\u00e7am sem efeito na hora do ju\u00edzo. Podemos ver isto na maior parte das culturas que caracterizam a hist\u00f3ria do homem.<br \/>\nHoje, o mundo tornou-se, pelo menos aparentemente, muito mais racional, ou melhor, difundiu-se a tend\u00eancia a pensar que cada realidade deve ser enfrentada com os crit\u00e9rios da ci\u00eancia experimental, e que tamb\u00e9m \u00e0 grandiosa interroga\u00e7\u00e3o da morte \u00e9 necess\u00e1rio responder n\u00e3o tanto com a f\u00e9, mas a partir de conhecimentos experimentais, emp\u00edricos. Por\u00e9m, n\u00e3o nos damos conta de modo suficiente, de que precisamente desta maneira terminamos por cair em formas de espiritismo, na tentativa de manter algum contato com o mundo para al\u00e9m da morte, quase imaginando que existe uma realidade que, no final, seria uma r\u00e9plica da vida presente.<br \/>\nA Solenidade de Todos os Santos e a Comemora\u00e7\u00e3o de todos os fi\u00e9is defuntos dizem-nos que somente quem pode reconhecer uma grande esperan\u00e7a na morte, pode tamb\u00e9m levar uma vida a partir da esperan\u00e7a. Se n\u00f3s reduzirmos o homem exclusivamente \u00e0 sua dimens\u00e3o horizontal, \u00e0quilo que se pode sentir de forma emp\u00edrica, a pr\u00f3pria vida perde o seu profundo sentido. O homem tem necessidade de eternidade, e para ele qualquer outra esperan\u00e7a \u00e9 demasiado breve, \u00e9 demasiado limitada. O homem s\u00f3 \u00e9 explic\u00e1vel, se existir um Amor que supere todo o isolamento, tamb\u00e9m o da morte, numa totalidade que transcenda at\u00e9 o espa\u00e7o e o tempo. O homem s\u00f3 \u00e9 explic\u00e1vel, s\u00f3 encontra o seu sentido mais profundo, se Deus existir. E n\u00f3s sabemos que Deus saiu do seu afastamento e fez-se pr\u00f3ximo, entrou na nossa vida e diz-nos: \u00abEu sou a ressurrei\u00e7\u00e3o e a vida; quem cr\u00ea em mim, ainda que esteja morto, viver\u00e1. E todo aquele que vive e cr\u00ea em mim, jamais morrer\u00e1\u00bb (Jo 11, 25-26).<br \/>\nPensemos por um momento na cena do Calv\u00e1rio e voltemos a ouvir as palavras que Jesus, do alto da Cruz, dirige ao malfeitor crucificado \u00e0 sua direita: \u00abEm verdade te digo: hoje estar\u00e1s comigo no Para\u00edso\u00bb (Lc 23, 43). Pensemos nos dois disc\u00edpulos no caminho de Ema\u00fas quando, depois de terem percorrido um trecho da estrada com Jesus Ressuscitado, O reconhecem e, sem hesitar, partem rumo a Jerusal\u00e9m para anunciar a Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor (cf. Lc 24, 13-35). Voltam \u00e0 mente com clareza renovada as palavras do Mestre: \u00abJesus continuou dizendo: \u00abN\u00e3o fique perturbado o cora\u00e7\u00e3o de voc\u00eas. Acreditem em Deus e acreditem tamb\u00e9m em mim. 2 Existem muitas moradas na casa de meu Pai. Se n\u00e3o fosse assim, eu lhes teria dito, porque vou preparar um lugar para voc\u00eas\u00bb (Jo 14, 1-2). Deus revelou-se verdadeiramente, tornou-se acess\u00edvel e amou de tal modo o mundo, \u00abque lhe deu o seu Filho \u00fanico, para que todo o que nele crer n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna\u00bb (Jo 3, 16), e no supremo gesto de amor da Cruz, mergulhando no abismo da morte, venceu-a, ressuscitou e abriu tamb\u00e9m para n\u00f3s as portas da eternidade. Cristo sust\u00e9m-nos atrav\u00e9s da noite da morte que Ele mesmo atravessou; \u00e9 o Bom Pastor, a cuja guia podemos confiar sem qualquer temor, porque Ele conhece bem o caminho, at\u00e9 atrav\u00e9s da obscuridade.<br \/>\nCada domingo, recitando o Credo, n\u00f3s confirmamos esta verdade. E visitando os cemit\u00e9rios para rezar com afeto e com amor pelos nossos defuntos, somos convidados, mais uma vez, a renovar com coragem e com for\u00e7a a nossa f\u00e9 na vida eterna, ali\u00e1s, a viver com esta grande esperan\u00e7a e testemunh\u00e1-la ao mundo: por detr\u00e1s do presente n\u00e3o existe o nada. E \u00e9 precisamente a f\u00e9 na vida eterna que confere ao crist\u00e3o a coragem de amar ainda mais intensamente esta nossa terra e de trabalhar para lhe construir um futuro, para lhe dar uma esperan\u00e7a verdadeira e segura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Francisco de Assis, segundo o seu bi\u00f3grafo Tomas de Celano, chegava a convidar para louvor at\u00e9 a pr\u00f3pria morte, que todos temem e abominam. 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