{"id":62313,"date":"2017-01-26T10:27:41","date_gmt":"2017-01-26T10:27:41","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=62313"},"modified":"2017-01-26T10:27:41","modified_gmt":"2017-01-26T10:27:41","slug":"relacao-entre-febre-amarela-e-degradacao-ambiental-e-estudada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/relacao-entre-febre-amarela-e-degradacao-ambiental-e-estudada\/","title":{"rendered":"Rela\u00e7\u00e3o entre febre amarela e degrada\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 estudada"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-23466\" src=\"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/tratamento-da-febre-amarela1.jpg\" alt=\"\" \/>Um grupo de especialistas de diferentes estados do Brasil est\u00e1 se articulando para investigar a rela\u00e7\u00e3o entre o surto de febre amarela e a degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Eles acreditam que se houvesse mais conhecimento sobre o assunto, a propaga\u00e7\u00e3o repentina do v\u00edrus de tempos em tempos poderia ser prevenida.<\/p>\n<p>O surto de febre amarela em Minas Gerais j\u00e1 provocou 38 mortes confirmadas em 2017, segundo o boletim epidemiol\u00f3gico mais recente da Secretaria de Sa\u00fade de Minas Gerais (SES-MG), divulgado ter\u00e7a-feira\u00a0(24). Outros 45 \u00f3bitos est\u00e3o em an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Causada por um v\u00edrus da fam\u00edlia <em>Flaviviridae<\/em>, a febre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a de surtos que atinge, repentinamente, grupos de macacos e humanos. As raz\u00f5es deste comportamento da doen\u00e7a ainda n\u00e3o s\u00e3o bem conhecidas. Mas os especialistas d\u00e3o como certa a influ\u00eancia do meio ambiente. Segundo S\u00e9rgio Lucena, primat\u00f3logo e professor de zoologia da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES), o surto de febre amarela \u00e9 um fen\u00f4meno ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a \u00e9 transmitida em \u00e1reas rurais e silvestres pelo mosquito <em>Haemagogus<\/em>. Em \u00e1rea urbana, ela pode ser transmitida pelo <em>Aedes aegypti<\/em>, o mesmo da dengue, do v\u00edrus Zika e da febre chikungunya. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 registros no Brasil de transmiss\u00e3o da febre amarela em meios urbanos desde 1942. No surto atual, nenhum dos casos confirmados e suspeitos em Minas Gerais s\u00e3o urbanos.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Lucena explica que o v\u00edrus da febre amarela est\u00e1 estabelecido em algumas matas e regi\u00f5es silvestres com baixa ocorr\u00eancia. De repente, por algum motivo ainda a ser desvendado, ele se propaga rapidamente, atingindo macacos e humanos. Os animais come\u00e7am a morrer primeiro. \u201cS\u00e3o sentinelas. Se o v\u00edrus come\u00e7a a se propagar em determinada \u00e1rea, a morte dos macacos nos enviar\u00e1 um alerta\u201d, explica.<\/p>\n<p>Para o primat\u00f3logo, o Brasil poderia ter um sistema bem articulado para se antecipar aos surtos, mas n\u00e3o h\u00e1 investimentos neste sentido. Se houvesse mais conhecimento, Minas Gerais poderia, por exemplo, ter dado in\u00edcio mais cedo \u00e0 campanha de vacina\u00e7\u00e3o nos munic\u00edpios da \u00e1rea de risco, reduzindo a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. A vacina \u00e9 a principal medida de combate \u00e0 febre amarela.<\/p>\n<h3>Florestas<\/h3>\n<p>Na semana passada, especialistas que estudam a febre amarela sob a \u00f3tica do ecossistema se reuniram em Belo Horizonte em um semin\u00e1rio organizado pela Funda\u00e7\u00e3o Renova, ligada \u00e0 mineradora Samarco. Na ocasi\u00e3o, eles fizeram uma revis\u00e3o de tudo o que se sabe at\u00e9 o momento acerca do tema, com o objetivo de dar um primeiro passo para mudar o panorama.<\/p>\n<p>Uma das hip\u00f3teses dos pesquisadores \u00e9 que o desmatamento ao longo dos anos deixou as esp\u00e9cies de macacos em fragmentos muito pequenos de florestas, o que traz diversos desdobramentos. \u201cSistemas ecol\u00f3gicos empobrecidos podem favorecer o crescimento das popula\u00e7\u00f5es de mosquitos. Mosquitos infectados encontrando popula\u00e7\u00f5es grandes de macacos em peda\u00e7os de mata atl\u00e2ntica isolados podem ser a origem destes surtos\u201d, alerta S\u00e9rgio Lucena.<\/p>\n<p>Evid\u00eancias cient\u00edficas tamb\u00e9m d\u00e3o a entender que florestas saud\u00e1veis, com elevada biodiversidade, dificultariam a prolifera\u00e7\u00e3o dos v\u00edrus. Embora o surto n\u00e3o deixe de ocorrer, sua intensidade pode ser menor em um meio ambiente preservado. \u00c9 o que explica Servio Ribeiro, bi\u00f3logo e professor de ecologia da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a cada surto, a popula\u00e7\u00e3o de macacos se reduz bastante e vai se recuperando devagar nos anos seguintes. \u201cUm novo surto provavelmente acontece naquele momento em que o v\u00edrus encontra na natureza macacos com quantidade, condi\u00e7\u00f5es e caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas favor\u00e1veis. E quando h\u00e1 muitos animais infectados, \u00e9 f\u00e1cil que a doen\u00e7a chegue aos humanos\u201d, explica.<\/p>\n<p>Uma floresta onde h\u00e1 maior disponibilidade de frutos e sombras e onde n\u00e3o h\u00e1 polui\u00e7\u00e3o faz com que os macacos se desenvolvam mais saud\u00e1veis e sem estresses, com um sistema imunol\u00f3gico mais eficiente, oferecendo mais resist\u00eancia \u00e0 doen\u00e7a. Servio Ribeira destaca que a gen\u00e9tica tamb\u00e9m influencia.<\/p>\n<p>\u201cNo per\u00edodo quando o v\u00edrus \u00e9 raro, as popula\u00e7\u00f5es de macacos se reproduzem sem essa press\u00e3o seletiva. Significa que, por um intervalo de anos, ser ou n\u00e3o ser resistente ao v\u00edrus da febre amarela, n\u00e3o \u00e9 um fator que muda o sucesso reprodutivo dos macacos. Acontece que vivendo em pequenos fragmentos de florestas, sem corredores interligando as matas, essas popula\u00e7\u00f5es crescem com parentes cruzando entre si. Desta forma, os indiv\u00edduos s\u00e3o muito parecidos geneticamente. Quando um v\u00edrus alcan\u00e7a um macaco de uma popula\u00e7\u00e3o sem diversidade gen\u00e9tica ele rapidamente se dissemina.\u201d<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, a exist\u00eancia de corredores interligando as matas pode ajudar a conter a febre amarela. Atrav\u00e9s desses corredores, grupos de macacos podem se misturar. Os cruzamentos entre grupos distintos levariam \u00e0 troca de genes e criariam popula\u00e7\u00f5es com mais diversidade gen\u00e9tica. Neste contexto, uma dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus teria menor probabilidade de causar febre amarela em muitos macacos de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<h3>Trag\u00e9dia de Mariana<\/h3>\n<p>Outras linhas de estudos voltadas para elucidar os motivos que levam ao in\u00edcio de cada surto buscam entender se as altera\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas das florestas est\u00e3o expondo as pessoas aos mosquitos infectados e se fatores clim\u00e1ticos favorecem o crescimento da popula\u00e7\u00e3o de mosquitos.<\/p>\n<p>Por outro lado, Servio Ribeiro considera remota a possibilidade de influ\u00eancia da trag\u00e9dia de Mariana (MG) neste surto de febre amarela em Minas Gerais. Alguns dos munic\u00edpios afetados pela circula\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a se localizam no Vale do Rio Doce. Uma parcela dos 60 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeitos que foram liberados no rompimento da barragem da mineradora Samarco, em novembro de 2015, escoou por todo o Rio Doce e chegou ao litoral do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>\u201cA febre amarela \u00e9 uma doen\u00e7a de interior de floresta. O mosquito que a transmite p\u00f5e ovos em cavidades de \u00e1rvores e em brom\u00e9lias. \u00c9 um mosquito da estrutura da floresta. Ele n\u00e3o se relaciona muito com grandes corpos d\u2019\u00e1gua e com rios. As cidades afetados pela doen\u00e7a est\u00e3o em uma regi\u00e3o onde os rejeitos n\u00e3o chegaram com for\u00e7a para derrubar a floresta\u201d, diz o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>Para Servio Ribeiro, a hip\u00f3tese teria mais for\u00e7a caso o surto tivesse ocorrido pr\u00f3ximo \u00e0 Mariana (MG) onde o impacto da trag\u00e9dia foi mais agressivo e levou ao desmatamento. \u201cNo Vale do Rio Doce, esse rejeito se acumulou nas margens. Claro que h\u00e1 uma degrada\u00e7\u00e3o. Mas esta degrada\u00e7\u00e3o, pelos conhecimentos que temos, n\u00e3o deve estar afetando a rela\u00e7\u00e3o entre os vetores e os macacos no interior da floresta\u201d, acrescentou.<\/p>\n<h3>Esp\u00e9cies amea\u00e7adas<\/h3>\n<p>De acordo com o boletim epidemiol\u00f3gico SES-MG, h\u00e1 18 munic\u00edpios com mortes de macacos em an\u00e1lise. Outros 70 registram rumores de \u00f3bitos entre os primatas. Para S\u00e9rgio Lucena, estes dados n\u00e3o d\u00e3o a dimens\u00e3o da mortandade dos animais. \u201cMacacos est\u00e3o morrendo em grande quantidade. Estive com uma equipe de pesquisadores na zona rural de Caratinga (MG). Andamos na mata, conversamos com pessoas e constatamos a alta mortalidade\u201d, conta.<\/p>\n<p>De acordo com o primat\u00f3logo, o fen\u00f4meno teve in\u00edcio em Minas Gerais, mas j\u00e1 ocorre com intensidade no Esp\u00edrito Santo. A situa\u00e7\u00e3o p\u00f5e em risco esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, como o muriqui. Os mais afetados, por\u00e9m, s\u00e3o os bugios. Segundo S\u00e9rgio Lucena, estudos realizados durante o surto de 2009 no Rio Grande do Sul mostraram que popula\u00e7\u00f5es de bugios foram reduzidas a 20%. \u201cEnquanto sete pessoas faleceram naquele ano, cerca de 2 mil macacos foram a \u00f3bito\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O pesquisador destaca que os bugios s\u00e3o justamente as maiores v\u00edtimas da febre amarela. \u201cEles s\u00e3o altamente suscet\u00edveis \u00e0 doen\u00e7a, diferente dos humanos. Na popula\u00e7\u00e3o humana, poucas pessoas desenvolvem um quadro grave e muitas infec\u00e7\u00f5es s\u00e3o assintom\u00e1ticas. A pessoa nem fica sabendo que contraiu o v\u00edrus\u201d, explica.<\/p>\n<p>Uma preocupa\u00e7\u00e3o que vem sendo apresentada pela secretaria de Sa\u00fade do estado diz respeito \u00e0 viol\u00eancia contra macacos, registrada em alguns munic\u00edpios. Isso porque h\u00e1 pessoas que acreditam que sacrificar os animais pode ajudar a evitar a doen\u00e7a em humanos. O \u00f3rg\u00e3o publicou em seu blog uma postagem para desmistificar essa ideia e esclarecer que os animais s\u00e3o, na verdade, aliados que ajudam a mapear a doen\u00e7a. \u201cA infec\u00e7\u00e3o viral dura apenas tr\u00eas ou cinco dias. Depois os macacos morrem ou se tornam imunes. Sendo assim, as agress\u00f5es atingem geralmente os animais sadios que n\u00e3o tiveram contato com o v\u00edrus ou que j\u00e1 est\u00e3o imunizados e n\u00e3o oferecem risco\u201d, acrescenta o texto.<\/p>\n<p><em>Por Can\u00e7\u00e3o Nova, com Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":62312,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[527,2972,4150,4427,6303,6488,8572,9762,10141],"class_list":["post-62313","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-aedes-aegypti","tag-degradacao-ambiental","tag-espirito-santo","tag-febre-amarela","tag-minas-gerais","tag-mosquito-haemagogus","tag-rompimento-da-barragem","tag-tragedia-de-mariana","tag-virus"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62313","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62313"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62313\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62313"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62313"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62313"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}