{"id":62948,"date":"2017-03-01T08:05:13","date_gmt":"2017-03-01T08:05:13","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=62948"},"modified":"2017-03-01T08:05:13","modified_gmt":"2017-03-01T08:05:13","slug":"papa-concede-entrevista-a-jornal-de-rua-da-italia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/papa-concede-entrevista-a-jornal-de-rua-da-italia\/","title":{"rendered":"Papa concede entrevista a jornal de rua da It\u00e1lia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-25325\" src=\"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/N_39_all_cover209-kl0C-U43290440812249sEE-2516x3412@Corriere-Web-Milano.jpg\" alt=\"\" \/>O Papa Francisco concedeu uma entrevista ao jornal \u201cScarp de\u2019 tenis\u201d, peri\u00f3dico italiano fundado em 1994 atualmente conhecido por ser uma \u201cjornal de rua\u201d sem fins lucrativos editado pela C\u00e1ritas italiana.<\/p>\n<p>Os redatores s\u00e3o sem-teto e outras pessoas em dificuldades ou exclu\u00eddas socialmente que encontram no jornal uma ocupa\u00e7\u00e3o e uma complementa\u00e7\u00e3o de renda.<\/p>\n<p>A R\u00e1dio Vaticano publicou a \u00edntegra da mat\u00e9ria feita com o Papa:<\/p>\n<p><strong>Santo Padre, falamos do povo invis\u00edvel, dos sem-teto. Algumas semanas atr\u00e1s, com o in\u00edcio do inverno e com a chegada de uma grande frente fria, o senhor disse que era para que fossem abrigados no Vaticano, que se abrissem as portas da igrejas. Como foi recebido este seu apelo?<\/strong><\/p>\n<p>O apelo do Papa foi ouvido por muitas pessoas e muitas par\u00f3quias. Tantos escutaram. No Vaticano existem duas par\u00f3quias e cada uma delas abrigou uma fam\u00edlia da s\u00edria. Muitas par\u00f3quias de Roma abriram as portas em acolhida, e sei que outras, sem lugares dispon\u00edveis, fizeram uma coleta para pagar o aluguel a pessoas e fam\u00edlias necessitadas por um ano inteiro. O objetivo a ser alcan\u00e7ado deve ser aquele da integra\u00e7\u00e3o, por isso \u00e9 importante acompanhar-lhes por um per\u00edodo inicial. Em muitas regi\u00f5es da It\u00e1lia foi feito muito. Portas foram abertas em muitas escolas cat\u00f3licas, nos conventos, em tantas outras estruturas. Por isso digo que o apelo foi ouvido. Sei ainda de muitas pessoas que ofertaram dinheiro para que se possa pagar o aluguel aos sem-teto.<\/p>\n<p><strong>No passado o mundo inteiro falou sobre os sapatos do Papa, sapatos de trabalhador para caminhar e recentemente a m\u00eddia ficou surpresa, e contou sobre o Papa que foi at\u00e9 uma loja comprar novos sapatos. Porque tanta aten\u00e7\u00e3o?<\/strong> <strong>Talvez porque hoje seja dif\u00edcil colocar-se \u2013 como convida Scarp de\u2019 tenis \u2013 nos sapatos dos outros?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil colocar-se \u201cnos sapatos dos outros\u201d, porque com frequencia somos escravos do nosso ego\u00edsmo. Em um primeiro n\u00edvel, podemos dizer que as pessoas preferem pensar aos pr\u00f3prios problemas sem querer ver o sofrimento e as dificuldades dos outros. Depois, h\u00e1 um outro n\u00edvel: colocar-se \u201cnos sapatos dos outros\u201d significa ter grande capacidade de compreens\u00e3o, de entender o momento e as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. Por exemplo: no momento de luto fazem-se as condol\u00eancias, participa-se do vel\u00f3rio ou da missa, mas s\u00e3o realmente poucos os que \u201cse colocam nos sapatos\u201d daquele vi\u00favo ou daquela vi\u00fava ou daquele \u00f3rf\u00e3o. Certamente, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Prova-se dor, mas tudo termina ali. Se pensamos ent\u00e3o \u00e0s exist\u00eancias que com frequencia s\u00e3o marcadas pela solid\u00e3o, ent\u00e3o colocar-se \u201cnos sapatos dos outros\u201d significa servi\u00e7o, humildade, magnanimidade, que \u00e9 tamb\u00e9m o sinal de uma necessidade. Eu preciso que al\u00e9m coloque-se \u201cnos meus sapatos\u201d. Porque todos n\u00f3s precisamos de compreens\u00e3o, de companhia e de alguns conselhos. Quantas vezes encontrei pessoas que, depois de ter procurado conforto em um crist\u00e3o, seja esse leigo, um padre, uma freira, um bispo, me disse: \u201cSim, me ouviu mas n\u00e3o me entendeu\u201d. Entender significa \u201ccolocar-se nos sapatos dos outros\u201d. E n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Com frequ\u00eancia para suprimir essa falta de grandeza, de riqueza e de humanidade, perde-se nas palavras. Fala-se. Aconselha-se. Mas quando existem somente as palavras ou muitas palavras n\u00e3o h\u00e1 esta grandeza de \u201ccolocar-se nos sapatos dos outros\u201d.<\/p>\n<p><strong>Santidade, quando o senhor encontra um sem-teto qual \u00e9 a primeira coisa que lhe diz?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u00abBom dia\u00bb. \u00abComo vai?\u00bb. Algumas vezes trocamos poucas palavras, outras vezes se cria uma rela\u00e7\u00e3o e se ouvem hist\u00f3rias interessantes: \u00abEstudei num col\u00e9gio onde havia um padre muito bom\u2026\u00bb. Algu\u00e9m poderia dizer: O que me interessa? As pessoas que vivem pelas ruas entendem logo quando existe realmente um interesse da parte da outra pessoa ou quando existe, n\u00e3o um sentimento de compaix\u00e3o, mas certamente de pena. Podemos olhar para um sem-teto como uma pessoa ou como se fosse um cachorro e eles percebem essa maneira diferente de olh\u00e1-los. No Vaticano, \u00e9 famosa a hist\u00f3ria de um sem-teto, de origem polonesa, que geralmente ficava na Piazza del Risorgimento a Roma, n\u00e3o falava com ningu\u00e9m, nem com os volunt\u00e1rios da Caritas que levavam para ele comida. Somente depois de muito temo conseguiram fazer com que ele contasse a sua hist\u00f3ria a eles: \u00abSou um sacerdote, conhe\u00e7o bem o seu Papa, estudamos juntos no semin\u00e1rio\u00bb. O assunto chegou a S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II que ouvindo o nome confirmou ter estudado com ele no semin\u00e1rio e quis encontr\u00e1-lo. Eles se abra\u00e7aram depois de quarenta anos e no final de uma audi\u00eancia o Papa pediu para ser confessado pelo sacerdote que tinha sido seu companheiro. \u00abAgora, por\u00e9m, cabe a voc\u00ea\u00bb, disse-lhe o Papa. E o companheiro de semin\u00e1rio foi confessado pelo Papa. Gra\u00e7as ao gesto de um volunt\u00e1rio, de uma comida quente, algumas palavras de conforto e um olhar de bondade, essa pessoa pode se reerguer e come\u00e7ar uma vida normal que o levou a se tornar um capel\u00e3o de um hospital. O Papa o ajudou. Certamente, este \u00e9 um milagre, mas \u00e9 tamb\u00e9m um exemplo para dizer que os sem-teto t\u00eam uma grande dignidade. No adro do Arcebispado de Buenos Aires, debaixo de uma marquise, morava uma fam\u00edlia e um casal. Eu os encontrava todas as manh\u00e3s quando saia. Os saudava e conversava um pouco com eles. Nunca pensei em expuls\u00e1-los dali. Mas algu\u00e9m me dizia: \u00abEles sujam a C\u00faria\u00bb, mas a sujeira est\u00e1 dentro. Penso que \u00e9 preciso falar com as pessoas com grande humildade, n\u00e3o como se tivessem que nos pagar uma d\u00edvida e n\u00e3o trat\u00e1-las como se fossem c\u00e3es.<\/p>\n<p><strong>Muitos se perguntam se \u00e9 justo dar esmola \u00e0s pessoas que pedem ajuda nas ruas. O que o senhor responde?<\/strong><\/p>\n<p>Existem muitos argumentos para se justificar quando n\u00e3o se d\u00e1 esmola. \u00abMas como! Eu dou dinheiro e depois ele gasta para beber um copo de vinho?\u00bb. Um copo de vinho \u00e9 a \u00fanica felicidade que ele tem na vida. Est\u00e1 bom assim. Pergunte-se o que voc\u00ea faz escondido? Qual felicidade voc\u00ea procura esconder? Ao contr\u00e1rio dele, voc\u00ea \u00e9 mais sortudo, tem uma casa, uma esposa e filhos. O que leva voc\u00ea a dizer: \u00abCuidem voc\u00eas dele\u00bb. Uma ajuda \u00e9 sempre justa. Certo, n\u00e3o \u00e9 uma coisa boa dar aos pobres somente uns trocados. \u00c9 importante o gesto, ajudar quem pede e olh\u00e1-lo nos olhos, tocar suas m\u00e3os. Lan\u00e7ar o dinheiro e n\u00e3o olhar nos olhos, n\u00e3o \u00e9 um gesto crist\u00e3o. Como educar \u00e0 esmola? Conto a hist\u00f3ria de uma senhora que conheci em Buenos Aires, m\u00e3e de cinco filhos (naquela \u00e9poca havia tr\u00eas). O pai estava no trabalho e ela e as crian\u00e7as almo\u00e7ando em casa. Sentem bater \u00e0 porta. O maior vai abrir: \u00abM\u00e3e tem um homem que pede comida. O que fazemos?\u00bb. Todos os tr\u00eas, a menor tinha quatro anos, estavam comendo um bife \u00e0 milanesa. A m\u00e3e lhes disse: \u00abBem, cortamos a metade do bife\u00bb. \u00abN\u00e3o mam\u00e3e, tem outro bife\u00bb disse a menina. \u00ab\u00c9 para o papai, para hoje \u00e0 noite. Se queremos doar, devemos dar a nossa parte\u00bb. Com poucas palavras simples aprenderam que \u00e9 preciso doar aquilo que a gente tanto quer. Duas semanas depois, a mesma senhora foi \u00e0 cidade para resolver algumas quest\u00f5es e foi obrigada a deixar as crian\u00e7as em casa. Tinham tarefa para fazer e deixou-lhes a merenda pronta. Quando voltou, encontrou os tr\u00eas na companhia do sem-teto \u00e0 mesa que estava merendando. Aprenderam bem e r\u00e1pido. Certamente, faltou-lhes um pouco de prud\u00eancia. Educar para a caridade n\u00e3o \u00e9 descarregar as pr\u00f3prias culpas, mas \u00e9 tocar, olhar para uma mis\u00e9ria que tenho dentro e que o Senhor entende e salva, pois todos n\u00f3s temos mis\u00e9rias dentro.<\/p>\n<p><strong>Outra pergunta dirigida a Francisco foi quando \u00e0 acolhida aos migrantes: \u201cMuitos se perguntam se realmente seja necess\u00e1rio acolher todos ou se n\u00e3o seja necess\u00e1rio impor limites.\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u201cOs que chegam \u00e0 Europa escapam da guerra ou da fome\u201d, disse o Papa. \u201cE n\u00f3s somos de alguma maneira culpados porque exploramos suas terras, mas n\u00e3o fazemos nenhum tipo de investimento para que eles possam ter benef\u00edcios. T\u00eam o direito a emigrar e t\u00eam o direito a serem acolhidos e ajudados. Isso, por\u00e9m, deve ser feito com aquela virtude crist\u00e3 que \u00e9 a virtude que deveria ser pr\u00f3pria dos governantes, isto \u00e9, a prud\u00eancia. Que significa? Significa acolher todos aqueles que \u2018podem\u2019 ser acolhidos. E isso no que diz respeito aos n\u00fameros. Mas tamb\u00e9m \u00e9 importante uma reflex\u00e3o sobre \u201ccomo\u201d acolher. Porque acolher significa integrar. Esta \u00e9 a coisa mais dif\u00edcil se os migrantes n\u00e3o se integram, s\u00e3o guetizados. Lembro-me sempre do epis\u00f3dio de Zaventem (o atentado ao aeroporto de Bruxelas de 22 de mar\u00e7o de 2016, ndr); aqueles jovens eram belgas, filhos de migrantes, mas moravam num bairro que era um gueto. E que significa integrar? Tamb\u00e9m neste caso fa\u00e7o um exemplo: de Lesbos vieram comigo \u00e0 It\u00e1lia 13 pessoas. No segundo dia de perman\u00eancia, gra\u00e7as \u00e0 comunidade de Santo Eg\u00eddio, as crian\u00e7as j\u00e1 frequentavam a escola. Depois, em pouco tempo, encontraram onde alojar, os adultos se mexeram para frequentar cursos para aprender a l\u00edngua italiana e para procurar um trabalho. Certamente para as crian\u00e7as \u00e9 mais f\u00e1cil: v\u00e3o \u00e0 escola e em poucos meses j\u00e1 sabem falar o italiano melhor do que eu. Os homens buscaram um emprego e conseguiram. Integrar ent\u00e3o significa entrar na vida do pa\u00eds, respeitar a lei do pa\u00eds, respeitar a cultura do pa\u00eds, mas tamb\u00e9m fazer respeitar a pr\u00f3pria cultura e as pr\u00f3prias riquezas culturais. A integra\u00e7\u00e3o \u00e9 um trabalho muito dif\u00edcil. No per\u00edodo da ditadura militar em Buenos Aires olh\u00e1vamos para a Su\u00e9cia como um exemplo positivo. Os suecos s\u00e3o hoje nove milh\u00f5es, mas destes, 890 mil s\u00e3o novos suecos, isto \u00e9, migrantes ou filhos de migrantes integrados. A Ministra da Cultura, Alice Bah Kuhnke, \u00e9 filha de uma mulher sueca e de um homem proveniente da G\u00e2mbia. Este \u00e9 um belo exemplo de integra\u00e7\u00e3o. Certamente, agora na Su\u00e9cia est\u00e3o em dificuldade: eles t\u00eam muitos pedidos e est\u00e3o tentando entender o que fazer porque n\u00e3o tem lugar para todo mundo. Receber, acolher, consolar e integrar imediatamente. O que falta \u00e9 justamente a integra\u00e7\u00e3o. Cada pa\u00eds, ent\u00e3o, deve ver qual n\u00famero \u00e9 capaz de acolher. N\u00e3o se pode acolher se n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de integra\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>Na hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia h\u00e1 a travessia do Oceano por parte de seu av\u00f4 e de sua av\u00f3, com seu pai. Como \u00e9 crescer como filho de migrantes? J\u00e1 se sentiu um pouco desarraigado?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNunca me senti desarraigado. Na Argentina, somos todos migrantes. Por isso ali o di\u00e1logo inter-religioso \u00e9 a norma. Na escola havia judeus que chegavam na maior parte da R\u00fassia e mu\u00e7ulmanos s\u00edrios e libaneses, ou turcos com o passaporte do Imp\u00e9rio otomano. Havia muita fraternidade. No pa\u00eds, h\u00e1 um n\u00famero limitado de ind\u00edgenas, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de origem italiana, espanhola, polonesa, m\u00e9dio-oriental, russa, alem\u00e3, croata, eslovena. Nos anos entre os dois s\u00e9culos precedentes o fen\u00f4meno migrat\u00f3rio foi de enorme alcance. Meu pai tinha 20 anos quando chegou \u00e0 Argentina e trabalhava no Banco da It\u00e1lia, e se casou ali.\u201d<\/p>\n<p><strong>O que mais sente falta de Buenos Aires? Dos amigos, das visitas \u00e0s \u201cVilla mis\u00e9ria\u201d, o futebol?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u201cH\u00e1 apenas uma coisa que me falta muito: a possibilidade de sair e caminhar pelas ruas. Eu gosto de visitar \u00e0s par\u00f3quias e encontrar as pessoas. Eu n\u00e3o tenho nenhuma saudade em particular. Eu conto para voc\u00eas outra anedota: os meus av\u00f3s e meu pai poderiam ter partido no final de 1928, eles tinham as passagens para o navio \u201cPrincesa Mafalda\u201d, o navio que afundou nas costas do Brasil. Mas eles n\u00e3o conseguiram vender em tempo o que possu\u00edam e por isso mudaram a passagem e embarcaram no \u201cGiulio Cesare\u201d, no dia 1\u00ba de fevereiro de 1929. Por isso, eu estou aqui\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mil\u00e3o est\u00e1 pronta para receber o senhor no final do m\u00eas de mar\u00e7o. Come\u00e7amos pelas organiza\u00e7\u00f5es de benefic\u00eancia, associa\u00e7\u00f5es de volunt\u00e1rios, daqueles que se preocupam em dar aos sem-teto um lugar onde passar a noite, alimenta\u00e7\u00e3o, cuidados de sa\u00fade, oportunidades de se reerguerem. Em Mil\u00e3o, orgulhamo-nos de ser capazes de fazer isso e muito bem. \u00c9 suficiente? Quais s\u00e3o as necessidades daqueles que acabaram nas ruas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u201cComo tamb\u00e9m para os migrantes muito simplesmente essas pessoas precisam da mesma coisa: ou seja, integra\u00e7\u00e3o. Certamente n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil integrar uma pessoa que n\u00e3o possui uma casa, porque cada uma delas tem uma hist\u00f3ria particular. Por isso, temos de nos aproximar de cada um delas, encontrar maneiras de ajud\u00e1-las e dar-lhes uma m\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>O senhor sempre diz que os pobres podem mudar o mundo. Mas \u00e9 dif\u00edcil existir solidariedade onde h\u00e1 pobreza e mis\u00e9ria, como nas periferias das cidades. O que o senhor acha?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u201cTamb\u00e9m aqui trago a minha experi\u00eancia de Buenos Aires. Nas favelas, h\u00e1 mais solidariedade do que nos bairros centrais. Nas vilas mis\u00e9ria h\u00e1 muitos problemas, mas muitas vezes os pobres s\u00e3o mais solid\u00e1rios entre eles, porque sentem que eles precisam um do outro. Eu encontrei mais ego\u00edsmo em outros bairros, n\u00e3o quero dizer ricos, porque seria qualificar desqualificando, mas a solidariedade que vemos nos bairros pobres e nas favelas n\u00e3o se v\u00ea em outros lugares, embora a vida ali seja mais complicada e dif\u00edcil. Nas favelas, por exemplo, a droga se v\u00ea mais, mas s\u00f3 porque em outros bairros \u00e9 mais \u201cescondida\u201d e se usa com luvas brancas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Recentemente, procuramos ler a cidade de Mil\u00e3o de uma forma diferente, a partir dos \u00faltimos e da rua, e com os olhos das pessoas que moram nas ruas, que frequentam um centro diurno da Caritas Ambrosiana. Com elas, publicamos um guia da cidade, vista a partir da rua, do ponto de vista de quem a vive todos os dias. Santo Padre o que o senhor conhece da nossa cidade e o que espera da sua iminente visita?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o conhe\u00e7o Mil\u00e3o. Estive l\u00e1 apenas uma vez, por algumas horas, nos anos setenta. Eu tinha algumas horas livres antes de pegar um trem para Turim e eu aproveitei a oportunidade para uma breve visita \u00e0 Catedral. Em outra ocasi\u00e3o, com a minha fam\u00edlia, eu almocei, num domingo, na casa de uma prima que morava em Cassina de \u2018Pecchi. Mil\u00e3o n\u00e3o a conhe\u00e7o, mas eu tenho um grande desejo. Eu espero poder encontrar muita gente. Esta \u00e9 a minha maior expectativa: sim, eu espero encontrar muita gente\u201d.<\/p>\n<p><em>Por Can\u00e7\u00e3o Nova, com R\u00e1dio Vaticano<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cScarp de\u2019 tenis\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":62947,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1657,4045,4287,5609,77,8984,9059],"class_list":["post-62948","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-caritas-italiana","tag-entrevista","tag-excluidos","tag-jornal-italiano","tag-papa-francisco","tag-scarp-de-tenis","tag-sem-teto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62948"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62948\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}