{"id":63132,"date":"2017-03-10T14:23:13","date_gmt":"2017-03-10T14:23:13","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/criticas-e-avaliacoes.html"},"modified":"2017-03-10T14:23:13","modified_gmt":"2017-03-10T14:23:13","slug":"criticas-e-avaliacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/criticas-e-avaliacoes\/","title":{"rendered":"Cr\u00edticas e Avalia\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-26436\" src=\"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/brazil-congress-students-protest_andressa_anholete_afp.jpg\" alt=\"\" \/>A fragilidade dos fundamentos da cultura pode ser uma das causas que explicam a incapacidade que a sociedade tem ao lidar com as cr\u00edticas e as avalia\u00e7\u00f5es. Muito frequentemente, o que deveria ser uma rica troca de argumentos se reduz a ataques e ironias. Basta observar o cotidiano das pessoas nos diferentes setores. \u00c9 incr\u00edvel a falta de compostura de muitos parlamentares durante seus pronunciamentos, ou mesmo certas atitudes dos cidad\u00e3os. Essa falta de respeito resulta tamb\u00e9m da incompet\u00eancia para uma autoavalia\u00e7\u00e3o. Movidos pela revolta pessoal que nasce do desinteresse em exercitar o autoconhecimento, muitos se sentem no direito de dizer, de qualquer jeito, o que bem entendem, sem medir as consequ\u00eancias. Por isso mesmo, \u00e9 crescente a incompet\u00eancia para avaliar os pr\u00f3prios atos e conceitos. \u00a0Sem reconhecer a pr\u00f3pria inaptid\u00e3o, muitos se consideram certos em tudo. Acham-se no direito de desferir ju\u00edzos sobre os outros e permanecem fechados a qualquer tipo de observa\u00e7\u00e3o, ainda que seja pertinente.\u00a0<\/p>\n<p>Essa fragilidade no tecido cultural gera uma atmosfera permanente de revolta nas rela\u00e7\u00f5es, fazendo crescer a intoler\u00e2ncia e os equ\u00edvocos no discernimento e ado\u00e7\u00e3o das prioridades. Consequentemente, perde-se o sentido de limite, que \u00e9 necess\u00e1rio para que sejam estabelecidas as rela\u00e7\u00f5es humanas. Impulsos que brutalizam essas rela\u00e7\u00f5es ganham for\u00e7a, enquanto as institui\u00e7\u00f5es sociais ficam enfraquecidas. Assim se estabelece uma confus\u00e3o que deseduca e \u00e9 respons\u00e1vel por retrocessos civilizat\u00f3rios. O risco permanente \u00e9 a sociedade ser conduzida ao marasmo e \u00e0s permissividades. De um lado, ficam as massas enfurecidas e raivosas. Do outro, defensivamente e se lamentando, os dirigentes, l\u00edderes e representantes do povo. Um descompasso de terr\u00edveis propor\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>Nesse contexto, nascem os medos paralisantes e a falta de criatividade que inviabilizam as respostas urgentes e necess\u00e1rias. Tudo acaba em confus\u00e3o que descompassadamente envolve o conjunto da vida. Urge aprender e praticar, culturalmente, a compet\u00eancia para se fazer cr\u00edticas pertinentes, que nunca pode estar desatrelada da autoavalia\u00e7\u00e3o. E para se alcan\u00e7ar essa habilidade, torna-se necess\u00e1rio investir na autoestima. Quem n\u00e3o conquistou essa qualidade, n\u00e3o suporta cr\u00edticas e permanece obtuso. Busca promo\u00e7\u00e3o e privil\u00e9gios sem avaliar o pr\u00f3prio desempenho. Segue a tend\u00eancia med\u00edocre de se \u201cfazer ju\u00edzo em causa pr\u00f3pria\u201d, com a parcialidade de quem n\u00e3o aceita observa\u00e7\u00f5es ou posicionamentos divergentes.<\/p>\n<p>A sociedade e suas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o avan\u00e7am se os cidad\u00e3os n\u00e3o cultivarem a compet\u00eancia cr\u00edtica que pressup\u00f5e abertura suficiente tamb\u00e9m para se deixarem avaliar. S\u00e3o sempre lament\u00e1veis a animosidade e a resist\u00eancia criadas quando o discurso inclui cr\u00edticas e avalia\u00e7\u00f5es. Buscam-se justificativas para tudo. Dessa forma, uma barreira intranspon\u00edvel \u00e9 constru\u00edda, impedindo o di\u00e1logo capaz de reorientar processos. As perdas s\u00e3o muitas, nos prazos e na qualidade dos resultados, pois o objetivo \u00e9 cada um se colocar como o melhor e o mais importante.<\/p>\n<p>Investimentos civilizat\u00f3rios capazes de garantir aos cidad\u00e3os a compet\u00eancia de criticar, de ouvir cr\u00edticas e de se deixar inserir em processos de avalia\u00e7\u00e3o, em vista do bem maior, s\u00e3o urgentes. N\u00e3o h\u00e1 outro caminho para superar mediocridades nos \u00e2mbitos dos funcionamentos institucionais, que requerem sempre novas respostas, em raz\u00e3o dos crescentes desafios da sociedade contempor\u00e2nea. Nesse sentido, oportuno \u00e9 avan\u00e7ar na implanta\u00e7\u00e3o de sistemas que podem avaliar desempenhos em diferentes \u00e2mbitos &#8211; educacional, religioso, cultural, pol\u00edtico e tantos outros \u2013 capacitando todos com a habilidade para criticar e ouvir cr\u00edticas. Assim se alcan\u00e7a a cidadania qualificada, com a abertura a processos permanentes de avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo &#8211; Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sociedade contempor\u00e2nea<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":63131,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[1132,1942,2205,3017,3750,4646,4746,8489,9379],"class_list":["post-63132","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-avaliacao","tag-cidadaos","tag-competencia-critica","tag-desafios","tag-dom-walmor-oliveira-de-azevedo","tag-fragilidade","tag-fundamentos-da-cultura","tag-retrocessos","tag-sociedade-contemporanea"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63132"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63132\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}