{"id":64172,"date":"2017-05-12T10:05:58","date_gmt":"2017-05-12T10:05:58","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=64172"},"modified":"2017-05-12T10:05:58","modified_gmt":"2017-05-12T10:05:58","slug":"francisco-e-jacinta-marto-candeias-que-deus-acendeu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/francisco-e-jacinta-marto-candeias-que-deus-acendeu\/","title":{"rendered":"Francisco e Jacinta Marto: candeias que Deus acendeu"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-30607\" src=\"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/AP2394447_Articolo.jpg\" alt=\"\" \/>&#8220;Francisco e Jacinta Marto candeias que Deus acendeu&#8221; \u00e9 o t\u00edtulo do artigo escrito pela \u00a0Postuladora da Causa de Canoniza\u00e7\u00e3o de Francisco e Jacinta, \u00c2ngela de F\u00e1tima Coelho,\u00a0 publicado esta quinta-feira no L&#8217;Osservatore Romano.<\/p>\n<p>&#8220;Olhamos a vida dos irm\u00e3os Francisco e Jacinta Marto como quem se deixa desafiar pela sua entrega humilde e comprometida \u2014 at\u00e9 ao extremo (Jo 13,1) \u2014 aos des\u00edgnios de miseric\u00f3rdia de Deus anunciados pela Senhora de F\u00e1tima. S\u00e3o duas crian\u00e7as com uma maturidade de f\u00e9 impressionante, que assumem a mensagem trazida pela Senhora do Ros\u00e1rio, vestida de luz, como seu programa de vida. As suas biografias apontam \u00e0 Igreja um jeito de viver \u00e0 luz do Evangelho, um estilo de viver que se faz de humildade, disponibilidade e compromisso, um jeito de viver cristiforme. S\u00e3o duas crian\u00e7as que conheceram a beleza de Deus e aceitaram ser reflexos dela para o mundo.<\/p>\n<p>Francisco e Jacinta Marto nasceram em F\u00e1tima \u2014 uma par\u00f3quia que pertence hoje \u00e0 diocese de Leiria-F\u00e1tima, Portugal \u2014 no in\u00edcio do conturbado s\u00e9culo xx. S\u00e3o os mais novos dos sete filhos do casal Manuel Pedro Marto e Ol\u00edmpia de Jesus. Francisco nasceu em 11 de junho de 1908 e foi batizado no dia 20 desse m\u00eas. A sua irm\u00e3 Jacinta Marto nasceu em 11 de mar\u00e7o de 1910 e foi batizada no dia 19 desse m\u00eas. Os irm\u00e3os receberam uma educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 simples, mas marcada pelo exemplo de vida comprometida com a f\u00e9: a participa\u00e7\u00e3o dominical na eucaristia, a ora\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia, a verdade e o respeito por todos, a caridade para com os pobres e os necessitados. Francisco era um menino pacato e pac\u00edfico, apaixonado pela contempla\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o. Com seus companheiros era sinal de conc\u00f3rdia, mesmo na ofensa e na desaven\u00e7a. Jacinta, por seu lado, tinha um car\u00e1ter carinhoso e terno, embora bastante caprichoso. Tinha um particular carinho pela prima L\u00facia e uma sensibilidade muito impressiva.<\/p>\n<p>Ainda muito novos, come\u00e7am a pastorear o rebanho de seus pais: tinha o Francisco 8 anos de idade e a Jacinta 6. Passavam grande parte dos seus dias na tarefa de acompanhar as ovelhas, na companhia da prima L\u00facia, que tamb\u00e9m era pastora.<\/p>\n<p>Na primavera de 1916, Francisco e Jacinta, na companhia da prima L\u00facia foram arrebatados pela contempla\u00e7\u00e3o de uma \u00abluz mais branca que a neve, com a forma de um jovem\u00bb e imersos numa atmosfera intensa em que a for\u00e7a da presen\u00e7a de Deus os \u00ababsorvia e aniquilava quase por completo\u00bb. Era o Anjo da Paz, que os visitaria por tr\u00eas vezes, na primavera, ver\u00e3o e outono de 1916. Nas suas palavras e com os seus gestos, o Anjo fala-lhes do cora\u00e7\u00e3o de Deus atento \u00e0 voz dos humildes sobre quem tem \u00abdes\u00edgnios de miseric\u00f3rdia\u00bb, convida-os \u00e0 atitude da adora\u00e7\u00e3o. No \u00faltimo encontro, o Anjo oferece-lhes o Corpo e o Sangue de Cristo, o Dom primordial \u00e0 luz do qual os videntes ser\u00e3o convidados a oferecer-se em sacrif\u00edcio por todos os \u00abhomens ingratos\u00bb. A vida de Francisco e Jacinta conhece ali a sua voca\u00e7\u00e3o: encher de Deus os olhos e o cora\u00e7\u00e3o e tornar-se espelho dessa presen\u00e7a cuidadora, oferecendo as suas vidas como dom pelos demais.<\/p>\n<p>Em 13 de maio de 1917, encontrando-se as tr\u00eas crian\u00e7as na Cova da Iria, foram surpreendidos pela presen\u00e7a de uma \u201cSenhora mais brilhante que o sol\u201d que lhes disse ser do C\u00e9u. A Senhora pediu-lhes que voltassem \u00e0 Cova da Iria seis meses seguidos, em cada dia 13, que, na apari\u00e7\u00e3o final, lhes revelaria quem era e o que queria. Entretanto, convocou os pastorinhos a oferecerem a sua vida inteiramente a Deus. \u201cQuereis oferecer-vos a Deus?\u201d, foi a pergunta fundamental das suas vidas. Os tr\u00eas videntes acolheram o convite da Senhora: \u201cSim, queremos\u201d, e viram a sua disponibilidade ser confirmada por uma luz imensa que as m\u00e3os da Virgem ofereciam e que penetrou o seu \u00edntimo, fazendo-os ver a si mesmos \u00abnessa luz que era Deus\u00bb.<\/p>\n<p>Na apari\u00e7\u00e3o de julho, a Senhora revela \u00e0s tr\u00eas crian\u00e7as o que ficou conhecido como o Segredo de F\u00e1tima, que consta de uma vis\u00e3o em tr\u00edptico \u2014 o inferno; o Imaculado Cora\u00e7\u00e3o de Maria; e a Igreja m\u00e1rtir a caminho da Cruz. Esta vis\u00e3o causar\u00e1 grande impacto em Francisco e Jacinta e lev\u00e1-los-\u00e1 a comprometerem-se, pela ora\u00e7\u00e3o e pelo sacrif\u00edcio, na convers\u00e3o dos pecadores e na ora\u00e7\u00e3o pela Igreja.<\/p>\n<p>Depressa se espalhou a not\u00edcia da presen\u00e7a da Senhora do Ros\u00e1rio e o n\u00famero de curiosos e peregrinos que aflu\u00edam \u00e0 Cova da Iria aumentava a cada m\u00eas. Para os irm\u00e3os Marto, as constantes solicita\u00e7\u00f5es, os intermin\u00e1veis e extenuantes interrogat\u00f3rios, as acusa\u00e7\u00f5es de fraude ou de avidez, ou mesmo as press\u00f5es e amea\u00e7as a que foram sujeitos foram fonte de grande sofrimento. Viveram este sacrif\u00edcio na presen\u00e7a de Deus, tudo relativizando diante do amor de Deus e a Deus.<\/p>\n<p>O \u00faltimo encontro, em 13 de outubro de 1917, \u00e9 presenciado por uma grande multid\u00e3o que se torna testemunha do sinal prometido pela Senhora do Ros\u00e1rio. Francisco e Jacinta levar\u00e3o desse derradeiro encontro a b\u00ean\u00e7\u00e3o que recebem de Cristo e que h\u00e1 de marcar definitivamente os seus dias com os pedidos da Senhora do Ros\u00e1rio: a ora\u00e7\u00e3o do ros\u00e1rio, o amor sacrificial pelos irm\u00e3os, o olhar misericordioso sobre os dramas do mundo.<\/p>\n<p>A partir daqueles encontros inauditos, Francisco e Jacinta passam a viver focados em Deus. Nada mais lhes preenche o cora\u00e7\u00e3o. Ao olhar as suas biografias de f\u00e9, a Igreja encontrar\u00e1 o rosto de Cristo e sentir-se-\u00e1 interpelada \u00e0 fidelidade do discipulado crist\u00e3o. Se a espiritualidade de Francisco foi particularmente marcada pela contempla\u00e7\u00e3o e se a de Jacinta se caracterizou pela compaix\u00e3o, a Igreja encontrar\u00e1 nos seus dois mais novos santos um modelo do que ela mesma \u00e9 chamada a ser: contemplativa, com os olhos repletos de Deus, e compassiva, com as m\u00e3os empenhadas na transforma\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>O Francisco foi um menino centrado no essencial. Tinha uma dimens\u00e3o contemplativa de que ningu\u00e9m suspeitaria que uma crian\u00e7a fosse capaz. Viveu uma vida unificada em Deus. Gostava de se esconder para \u00abpensar em Deus\u00bb a s\u00f3s, e a sua felicidade maior era estar com o seu amigo, \u00abJesus escondido\u00bb. O Francisco percebeu muito bem que o Anjo e a Senhora do Ros\u00e1rio apontavam um caminho que conduzia a Deus. A certa altura, ele diz: \u00abGostei muito de ver o Anjo, mas gostei ainda mais de Nossa Senhora. Do que gostei mais foi de ver Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito\u00bb.<\/p>\n<p>A Jacinta foi uma menina apaixonada e comprometida. Ela viveu comprometida com o amor a Deus e a toda a humanidade. Impressionava-se com o sofrimento dos outros, sobretudo com o sofrimento da Igreja, na figura do Santo Padre, e com o sofrimento dos pecadores. E o seu compromisso leva-a a assumir esse sofrimento pela entrega de si. Ela vive com o desejo de incendiar em todos o amor de Deus. Diz ela, em certa ocasi\u00e3o: \u00abSe eu pudesse meter no cora\u00e7\u00e3o de toda a gente o lume que tenho c\u00e1 dentro no peito a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e do Cora\u00e7\u00e3o de Maria!\u00bb.<\/p>\n<p>O processo de canoniza\u00e7\u00e3o dos pastorinhos \u00e9 o reconhecimento diante do Povo de Deus de que estas crian\u00e7as, que encarnam o acontecimento de F\u00e1tima, chegaram, como diz a carta aos Ef\u00e9sios, \u00abao homem adulto, \u00e0 medida completa da plenitude de Cristo\u00bb (Ef 4, 13). Canoniz\u00e1-los \u00e9 sobretudo reconhecer a sua fidelidade ao compromisso assumido no rega\u00e7o de Maria de, em tudo, ser fiel a Jesus. Canoniz\u00e1-los \u00e9 tamb\u00e9m confirmar o que j\u00e1 reconhecemos: que F\u00e1tima \u00e9 uma escola de santidade que aponta para a plenitude da vida em Deus. Como dizia S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo ii, ao beatificar os dois pequenos pastores, \u00aba Igreja quer colocar sobre o candelabro estas duas candeias que Deus acendeu para alumiar a humanidade nas suas horas sombrias e inquietas\u00bb.<\/p>\n<p>Somos convidados a continuar a levar aos crist\u00e3os a vida destas crian\u00e7as, como testemunho da vida em Deus, e a continuar a interceder pelos crist\u00e3os junto das crian\u00e7as, como intercessores junto de Deus. No centen\u00e1rio das Apari\u00e7\u00f5es de que foram testemunhas e com cuja mensagem se comprometeram at\u00e9 ao extremo, evocar a vida de Francisco e de Jacinta e celebrar a sua entrega generosa a Deus \u00e9 procurar a mesma contempla\u00e7\u00e3o e compaix\u00e3o que eles viveram, e confiar as nossas vidas nas m\u00e3os de Deus, pela intercess\u00e3o da Senhora do Ros\u00e1rio e destes pequenos pastores segundo o cora\u00e7\u00e3o de Deus (Jr 3, 15)&#8221;.<\/p>\n<p><em>Por \u00c2ngela de F\u00e1tima Coelho,\u00a0Postuladora das causas\u00a0de canoniza\u00e7\u00e3o de Francisco\u00a0e Jacinta Marto, via R\u00e1dio Vaticano<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Canoniza\u00e7\u00e3o dos Pastorinhos<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":64171,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[737,1520,4658,6681,7327,7758],"class_list":["post-64172","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-angela-de-fatima-coelho","tag-canonizacao","tag-francisco-e-jacinta-marto","tag-nossa-senhora-de-fatima","tag-pastorinhos","tag-postuladora-da-causa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64172"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64172\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}