{"id":65755,"date":"2017-08-09T02:00:00","date_gmt":"2017-08-09T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=65755"},"modified":"2017-08-09T02:00:00","modified_gmt":"2017-08-09T02:00:00","slug":"santa-edith-stein-tereza-benedita-da-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/santa-edith-stein-tereza-benedita-da-cruz\/","title":{"rendered":"Santa Edith Stein (Tereza Benedita da Cruz)"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-35407\" src=\"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/Santa-Edith-Stein-Tereza-Benedita-da-Cruz.jpg\" alt=\"\" \/>O Papa Bento XVI pergunta \u201cOnde se funda o mart\u00edrio?\u201d. A resposta \u00e9 simples: \u201cSobre a morte de Jesus, sobre seu sacrif\u00edcio supremo de amor, consumado na Cruz para que pud\u00e9ssemos ter a vida\u201d. E explicou: \u201cCristo \u00e9 o servo sofredor de quem fala o profeta Isa\u00edas, que doou a si mesmo em resgate de muitos. Ele exorta os seus disc\u00edpulos, cada um de n\u00f3s, a tomar cada dia a pr\u00f3pria cruz e segui-lo no caminho do amor total a Deus Pai e \u00e0 humanidade: \u201cQuem n\u00e3o toma a sua cruz e n\u00e3o me segue, n\u00e3o \u00e9 digno de mim. Quem buscar a sua vida a perder\u00e1, e quem perder a sua vida por causa de mim a encontrar\u00e1 (MT 10, 38-39)\u201d. E afirmou: \u201cO m\u00e1rtir segue o Senhor at\u00e9 o fim, aceitando livremente morrer pela salva\u00e7\u00e3o do mundo, em uma prova suprema de f\u00e9 e de amor (cf. L\u00famen Gentium, 42)\u201d.<\/p>\n<p>E novamente o Papa fez uma pergunta, acompanhada de uma resposta: \u201cMas de onde nasce a for\u00e7a para enfrentar o mart\u00edrio? Da profunda e \u00edntima uni\u00e3o com Cristo, porque o mart\u00edrio e a voca\u00e7\u00e3o ao mart\u00edrio n\u00e3o s\u00e3o o resultado de um esfor\u00e7o humano, mas a resposta a uma iniciativa e a um chamado de Deus, s\u00e3o um dom da Sua gra\u00e7a, que torna capazes de oferecer a pr\u00f3pria vida por amor a Cristo e \u00e0 Igreja e, assim, ao mundo. Se lemos a vida dos m\u00e1rtires, ficamos surpreendidos com a serenidade e coragem no enfrentamento da morte: o poder de Deus manifesta-se plenamente na fraqueza, na pobreza de quem se confia a Ele e s\u00f3 n\u2019Ele deposita a sua esperan\u00e7a (cf. 2 Cor 12, 9). E definiu: \u201cEm uma palavra, o mart\u00edrio \u00e9 um grande ato de amor em resposta ao amor de Deus\u201d.<\/p>\n<p>A vida de Edith Stein, padroeira da Europa, foi esse grande ato de amor. Ela nasceu na cidade de Breslau, Alemanha, no dia 12 de outubro de 1891, em uma pr\u00f3spera fam\u00edlia de judeus. Aos dois anos, ficou \u00f3rf\u00e3 do pai. A m\u00e3e e os irm\u00e3os mantiveram a situa\u00e7\u00e3o financeira est\u00e1vel e a educaram dentro da religi\u00e3o judaica.<\/p>\n<p>Desde menina, Edith era brilhante nos estudos e mostrou forte determina\u00e7\u00e3o, car\u00e1ter inabal\u00e1vel e muita obstina\u00e7\u00e3o. Na adolesc\u00eancia, viveu uma crise: abandonou a escola, as pr\u00e1ticas religiosas e a cren\u00e7a consciente em Deus. Depois, terminou os estudos com gradua\u00e7\u00e3o m\u00e1xima, recebendo o t\u00edtulo de doutora em fenomenologia, em 1916. A Alemanha s\u00f3 concedeu esse t\u00edtulo a doze mulheres na \u00faltima metade do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Em 1921, ela leu a autobiografia de santa Teresa d\u2019\u00c1vila. Tocada pela luz da f\u00e9, converteu-se e foi batizada em 1922. Mas a m\u00e3e e os irm\u00e3os nunca compreenderam ou aceitaram sua ades\u00e3o ao catolicismo. A exce\u00e7\u00e3o foi sua irm\u00e3 Rosa, que se converteu e foi batizada no seio da Igreja, ap\u00f3s a morte da m\u00e3e, em 1936.<\/p>\n<p>Edith Stein come\u00e7ou a servir a Deus com seus talentos acad\u00eamicos. Lecionou numa escola dominicana, foi conferencista em institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas e finalizou como catedr\u00e1tica numa universidade alem\u00e3. Em 1933, chegavam ao poder: Hitler e o partido nazista. Todos os professores n\u00e3o-arianos foram demitidos. Por recusar-se a sair do pa\u00eds, os superiores da Ordem do Carmelo a aceitaram como novi\u00e7a. Em 1934, tomou o h\u00e1bito das carmelitas e o nome religioso de Teresa Benedita da Cruz. A sua fam\u00edlia n\u00e3o compareceu \u00e0 cerim\u00f4nia.<\/p>\n<p>Quatro anos depois, realizou sua profiss\u00e3o solene e perp\u00e9tua, recebendo o definitivo h\u00e1bito marrom das carmelitas. A persegui\u00e7\u00e3o nazista aos judeus alem\u00e3es intensificou-se e Edith foi transferida para o Carmelo de Echt, na Holanda. Um ano depois, sua irm\u00e3 Rosa foi juntar-se a ela nesse Carmelo holand\u00eas, pois desejava seguir a vida religiosa. Foi aceita no convento, mas permaneceu como irm\u00e3 leiga carmelita, n\u00e3o podendo professar os votos religiosos. O momento era desfavor\u00e1vel aos judeus, mesmo para os convertidos crist\u00e3os.<\/p>\n<p>A Segunda Guerra Mundial come\u00e7ou e a expans\u00e3o nazista alastrou-se pela Europa e pelo mundo. A Holanda foi invadida e anexada ao Reich Alem\u00e3o em 1941. A fam\u00edlia de Edith Stein dispersou-se, alguns emigraram e outros desapareceram nos campos de concentra\u00e7\u00e3o. Os superiores do Carmelo de Echt tentaram transferir Edith e Rosa para um outro, na Su\u00ed\u00e7a, mas as autoridades civis de l\u00e1 n\u00e3o facilitaram e a burocracia arrastou-se indefinidamente.<\/p>\n<p>Em julho de 1942, publicamente, os bispos holandeses emitiram sua posi\u00e7\u00e3o formal contra os nazistas e em favor dos judeus. Hitler considerou uma agress\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica local e revidou. Em agosto, dois oficiais nazistas levaram Edith e sua irm\u00e3 do Carmelo de Echt. No mesmo dia, outros duzentos e quarenta e dois judeus cat\u00f3licos foram deportados para os campos de concentra\u00e7\u00e3o, como repres\u00e1lia do regime nazista \u00e0 mensagem dos bispos holandeses. As duas irm\u00e3s foram levadas em um comboio de carga, junto com outras centenas de judeus e dezenas de convertidos, ao norte da Holanda, para o campo de Westerbork. L\u00e1, Edith Stein, ou a \u201cfreira alem\u00e3\u201d, como a identificaram os sobreviventes, diferenciou-se muito dos outros prisioneiros que se entregaram ao desespero, lamenta\u00e7\u00f5es ou prostra\u00e7\u00e3o total. Ela procurava consolar os mais aflitos, levantar o \u00e2nimo dos abatidos e cuidar, do melhor modo poss\u00edvel, das crian\u00e7as. Assim ela viveu alguns dias, suportando com do\u00e7ura, paci\u00eancia e conformidade a vontade de Deus, seu intenso sofrimento, e dos demais.<\/p>\n<p>No dia 7 de agosto de 1942, Edith Stein, Rosa e centenas de homens, mulheres e crian\u00e7as foram de trem para o campo de exterm\u00ednio de Auschwitz-Birkenau. Dois dias depois, em 9 de agosto, foram mortas na c\u00e2mara de g\u00e1s e tiveram seus corpos queimados.<\/p>\n<p>A irm\u00e3 carmelita Teresa Benedita da Cruz foi canonizada em Roma, em 1998, pelo papa Jo\u00e3o Paulo II, que indicou sua festa para o dia de sua morte. A solenidade contou com a presen\u00e7a de personalidades ilustres, civis e religiosas, da Alemanha e da Holanda, al\u00e9m de alguns sobreviventes dos campos de concentra\u00e7\u00e3o que a conheceram e de v\u00e1rios membros da fam\u00edlia Stein. No ano seguinte, o mesmo sumo pont\u00edfice declarou santa Edith Stein, \u201cco-Padroeira da Europa\u201d, junto com Santa Br\u00edgida e Santa Catarina de Sena.<\/p>\n<p><em>A Igreja tamb\u00e9m celebra hoje a mem\u00f3ria dos santos: Nateu e R\u00fastico<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa Bento XVI pergunta \u201cOnde se funda o mart\u00edrio?\u201d. 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