{"id":65778,"date":"2017-08-11T02:00:00","date_gmt":"2017-08-11T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=65778"},"modified":"2017-08-11T02:00:00","modified_gmt":"2017-08-11T02:00:00","slug":"santa-clara-de-assis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/santa-clara-de-assis\/","title":{"rendered":"Santa Clara de Assis"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-35456\" src=\"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/s-11-08.jpg\" alt=\"\" \/>Uma das santas mais amadas \u00e9, sem d\u00favida, Santa Clara de Assis, que viveu no s\u00e9culo XIII, contempor\u00e2nea de S\u00e3o Francisco. Seu testemunho mostra-nos o quanto a Igreja deve a mulheres corajosas e ricas na f\u00e9 como ela, capazes de dar um impulso decisivo para a renova\u00e7\u00e3o da Igreja.<\/p>\n<p>Quem foi ent\u00e3o Clara de Assis? Para responder a esta pergunta, temos fontes seguras, n\u00e3o apenas as antigas biografias, como a de Tom\u00e1s de Celano, mas tamb\u00e9m os autos do processo de canoniza\u00e7\u00e3o promovido Papa j\u00e1 pouco depois da morte de Clara e que cont\u00eam o testemunho dos que viveram ao seu lado por muito tempo.<\/p>\n<p>Nascida em 1193, Clara pertencia a uma fam\u00edlia aristocr\u00e1tica e rica. Renunciou \u00e0 nobreza e \u00e0 riqueza para viver pobre e humilde, adotando a forma de vida que Francisco de Assis propunha. Apesar de seus pais planejarem um casamento com algum personagem de relevo, Clara, aos 18 anos, com um gesto audaz, inspirado pelo profundo desejo de seguir a Cristo e pela admira\u00e7\u00e3o por Francisco, deixou a casa paterna e, em companhia de uma amiga sua, Bona di Guelfuccio, uniu-se secretamente aos frades menores junto da pequena igreja da Porci\u00fancula. Era a tarde de Domingo de Ramos de 1211. Na como\u00e7\u00e3o geral, realizou-se um gesto altamente simb\u00f3lico: enquanto seus companheiros tinham nas m\u00e3os tochas acesas, Francisco cortou-lhe os cabelos e Clara vestiu o h\u00e1bito penitencial. A partir daquele momento, tornava-se virgem esposa de Cristo, humilde e pobre, e a Ele totalmente se consagrava. Como Clara e suas companheiras, inumer\u00e1veis mulheres no curso da hist\u00f3ria ficaram fascinadas pelo amor de Cristo que, na beleza de sua Divina Pessoa, preencheu seus cora\u00e7\u00f5es. E a Igreja toda, atrav\u00e9s da m\u00edstica voca\u00e7\u00e3o nupcial das virgens consagradas,\u00a0 demonstra aquilo que ser\u00e1 para sempre: a Esposa bela e pura de Cristo.<\/p>\n<p>Em uma das quatro cartas que Clara enviou a Santa In\u00eas de Praga, filha do rei da Bohemia, que queria seguir seus passos, ela fala de Cristo, seu amado esposo, com express\u00f5es nupciais, que podem surpreender, mas que comovem: \u201cAmando-o, \u00e9s casta, tocando-o, ser\u00e1s mais pura, deixando-se possuir por ele, \u00e9s virgem. Seu poder \u00e9 mais forte, sua generosidade, mais elevada, seu aspecto, mais belo, o amor mais suave e toda gra\u00e7a. Agora tu est\u00e1s acolhida em seu abra\u00e7o, que ornou teu peito com pedras preciosas\u2026 e te coroou com uma coroa de ouro gravada com o selo da santidade\u201d (<em>Lettera prima: FF,<\/em>\u00a02862).<\/p>\n<p>Sobretudo no in\u00edcio de sua experi\u00eancia religiosa, Clara teve em Francisco de Assis n\u00e3o s\u00f3 um mestre a quem seguir os ensinamentos, mas tamb\u00e9m um amigo fraterno. A amizade entre estes dois santos constitui um aspecto muito belo e importante. Efetivamente, quando duas almas puras e inflamadas do mesmo amor por Deus se encontram, h\u00e1 na amizade rec\u00edproca um forte est\u00edmulo para percorrer o caminho da perfei\u00e7\u00e3o. A amizade \u00e9 um dos sentimentos humanos mais nobres e elevados que a Gra\u00e7a divina purifica e transfigura. Como S\u00e3o Francisco e Santa Clara, outros santos vivenciaram uma profunda amizade no caminho para a perfei\u00e7\u00e3o crist\u00e3, como S\u00e3o Francisco de Sales e Santa Giovanna de Chantal. O pr\u00f3prio S\u00e3o Francisco de Sales escreve: \u201c\u00e9 belo poder amar na terra como se ama no c\u00e9u, e aprender a amar-nos neste mundo como faremos eternamente no outro. N\u00e3o falo aqui de simples amor de caridade, porque este devemos t\u00ea-lo todos os homens; falo do amor espiritual, no \u00e2mbito do qual, duas, tr\u00eas, quatro ou mais pessoas compartilham devo\u00e7\u00e3o, afeto espiritual e tornam-se realmente um s\u00f3 esp\u00edrito\u201d (<em>Introduzione alla vita devota III<\/em>, 19).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ter transcorrido um per\u00edodo de alguns meses em outras comunidades mon\u00e1sticas, resistindo \u00e0s press\u00f5es de seus familiares que no in\u00edcio n\u00e3o aprovavam sua escolha, Clara se estabeleceu com suas primeiras companheiras na igreja de S\u00e3o Dami\u00e3o, onde os frades menores tinham preparado um pequeno convento para elas. Nesse mosteiro, viveu durante mais de quarenta anos, at\u00e9 sua morte, ocorrida em 1253. Chegou-nos uma descri\u00e7\u00e3o de primeira m\u00e3o de como estas mulheres viviam naqueles anos, nos in\u00edcios do movimento franciscano. Trata-se do informe cheio de admira\u00e7\u00e3o de um bispo flamengo em visita \u00e0 It\u00e1lia, Santiago de Vitry, que afirma ter encontrado um grande n\u00famero de homens e mulheres, de toda classe social, que, \u201cdeixando tudo por Cristo, escapavam ao mundo. Chamavam-se frades menores e irm\u00e3s menores e s\u00e3o tidos em grande considera\u00e7\u00e3o pelo senhor Papa e pelos cardeais\u2026 As mulheres\u2026 moram juntas em diferentes abrigos n\u00e3o distantes das cidades. N\u00e3o recebem nada; vivem do trabalho de suas m\u00e3os. E lhes d\u00f3i e preocupa profundamente que sejam honradas mais do que gostariam, por cl\u00e9rigos e leigos\u201d (Carta de outubro de 1216: FF, 2205.2207).<\/p>\n<p>Santiago de Vitry tinha captado com perspic\u00e1cia um tra\u00e7o caracter\u00edstico da espiritualidade franciscana, a que Clara foi muito sens\u00edvel: a radicalidade da pobreza associada \u00e0 confian\u00e7a total na Provid\u00eancia divina. Por este motivo, ela atuou com grande determina\u00e7\u00e3o, obtendo do Papa Greg\u00f3rio IX ou, provavelmente, j\u00e1 do Papa Inoc\u00eancio III, o chamado\u00a0<em>Privilegium Paupertatis<\/em>\u00a0(cfr FF, 3279). Em base a este, Clara e suas companheiras de S\u00e3o Dami\u00e3o n\u00e3o podiam possuir nenhuma propriedade material. Tratava-se de uma exce\u00e7\u00e3o verdadeiramente extraordin\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o ao direito can\u00f4nico vigente, e as autoridades eclesi\u00e1sticas daquele tempo o concederam apreciando os frutos de santidade evang\u00e9lica que reconheciam na forma de viver de Clara e de suas irm\u00e3s. Isso demonstra tamb\u00e9m que nos s\u00e9culos medievais, o papel das mulheres n\u00e3o era secund\u00e1rio, mas consider\u00e1vel. A prop\u00f3sito disso, \u00e9 oportuno recordar que Clara foi a primeira mulher da hist\u00f3ria da Igreja que comp\u00f4s uma Regra escrita, submetida \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do Papa, para que o carisma de Francisco de Assis se conservasse em todas as comunidades femininas que iam se estabelecendo em grande n\u00famero j\u00e1 em seus tempos, e que desejavam se inspirar no exemplo de Francisco e Clara.<\/p>\n<p>No convento de S\u00e3o Dami\u00e3o, Clara praticou de modo her\u00f3ico as virtudes que deveriam distinguir cada crist\u00e3o: a humildade, o esp\u00edrito de piedade e de penit\u00eancia, a caridade. Ainda sendo a superiora, ela queria servir em primeira pessoa as irm\u00e3s enfermas, submetendo-se tamb\u00e9m a tarefas muito humildes: a caridade, de fato, supera toda resist\u00eancia e quem ama realiza todo sacrif\u00edcio com alegria. Sua f\u00e9 na presen\u00e7a real da Eucaristia era t\u00e3o grande que em duas ocasi\u00f5es se comprovou um fato prodigioso. S\u00f3 com a ostens\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento, afastou os soldados mercen\u00e1rios sarracenos, que estavam a ponto de agredir o convento de S\u00e3o Dami\u00e3o e de devastar a cidade de Assis.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m esse epis\u00f3dio, como outros milagres, dos quais se conservava memorial, levaram o Papa Alexandre IV a canoniz\u00e1-la s\u00f3 dois anos depois de sua morte, em 1255, tra\u00e7ando um elogio a ela na Bula de canoniza\u00e7\u00e3o, onde lemos: \u201cQu\u00e3o v\u00edvida \u00e9 a for\u00e7a desta luz e qu\u00e3o forte \u00e9 a claridade desta fonte luminosa. Na verdade, esta luz estava fechada no esconderijo da vida de clausura, e fora irradiava esplendores luminosos; recolhia-se em um pequeno monast\u00e9rio, e fora se expandia por todo vasto mundo. Guardava-se dentro e se difundia fora. Clara, de fato, se escondia; mas sua vida se revelava a todos. Clara calava, mas sua fama gritava\u201d (FF, 3284). E \u00e9 precisamente assim, queridos amigos: s\u00e3o os santos que mudam o mundo para melhor, transformam-no de forma duradoura, injetando-lhe as energias que s\u00f3 o amor inspirado pelo Evangelho pode suscitar. Os santos s\u00e3o os grandes benfeitores da humanidade!<\/p>\n<p>A espiritualidade de Santa Clara, a s\u00edntese de sua proposta de santidade est\u00e1 recolhida na quarta carta a Santa In\u00eas de Praga. Santa Clara utiliza uma imagem muito difundida na Idade M\u00e9dia, de ascend\u00eancias patr\u00edsticas, o espelho. E convida sua amiga de Praga a se olhar no espelho da perfei\u00e7\u00e3o de toda virtude, que \u00e9 o pr\u00f3prio Senhor. Escreve: \u201cfeliz certamente aquela a quem se lhe concede gozar desta sagrada uni\u00e3o, para aderir com o profundo do cora\u00e7\u00e3o [a Cristo], \u00e0quele cuja beleza admiram incessantemente todas as beatas multid\u00f5es dos c\u00e9us, cujo afeto apaixona, cuja contempla\u00e7\u00e3o restaura, cuja benignidade sacia, cuja suavidade preenche, cuja recorda\u00e7\u00e3o resplandece suavemente, a cujo perfume os mortos voltar\u00e3o \u00e0 vida e cuja vis\u00e3o gloriosa far\u00e1 bem-aventurados todos os cidad\u00e3os da Jerusal\u00e9m celeste. E dado que ele \u00e9 esplendor da gl\u00f3ria, candura da luz eterna e espelho sem mancha, olhe cada dia para este espelho, \u00f3 rainha esposa de Jesus Cristo, e perscruta nele continuamente teu rosto, para que possas te adornar assim toda por dentro e por fora\u2026 neste espelho resplandecem a bem-aventurada pobreza, a santa humildade e a inef\u00e1vel caridade\u201d (Quarta carta: FF, 2901-2903).<\/p>\n<p>Agradecidos a Deus que nos d\u00e1 os santos, que falam ao nosso cora\u00e7\u00e3o e nos oferecem um exemplo de vida crist\u00e3 a imitar, gostaria de concluir com as mesmas palavras de ben\u00e7\u00e3o que Santa Clara comp\u00f4s para suas irm\u00e3s e que ainda hoje as Clarissas, que desempenham um precioso papel na Igreja com sua ora\u00e7\u00e3o e com sua obra, custodiam com grande devo\u00e7\u00e3o. S\u00e3o express\u00f5es das que surge toda a ternura de sua maternidade espiritual: \u201cBendigo-vos em minha vida e depois de minha morte, como posso e mais de quanto posso, com todas as b\u00ean\u00e7\u00e3os com as que o Pai de miseric\u00f3ridas aben\u00e7oa e aben\u00e7oar\u00e1 no c\u00e9u e na terra seus filhos e filhas, e com as quais um pai e uma m\u00e3e espiritual aben\u00e7oa e aben\u00e7oar\u00e1 seus filhos e filhas espirituais. Am\u00e9m\u201d (FF, 2856).<\/p>\n<p><strong>Papa Bento 16<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das santas mais amadas \u00e9, sem d\u00favida, Santa Clara de Assis, que viveu no s\u00e9culo XIII, contempor\u00e2nea de S\u00e3o Francisco. 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