{"id":71645,"date":"2018-07-04T09:44:17","date_gmt":"2018-07-04T12:44:17","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=71645"},"modified":"2018-07-04T09:44:17","modified_gmt":"2018-07-04T12:44:17","slug":"doencas-erradicadas-voltam-a-assustar-veja-desafios-da-vacinacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/doencas-erradicadas-voltam-a-assustar-veja-desafios-da-vacinacao\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7as erradicadas voltam a assustar; veja desafios da vacina\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/i68.tinypic.com\/2qveh5l.jpg\" \/><br \/>\nDoen\u00e7as j\u00e1 erradicadas no Brasil voltaram a ser motivo de preocupa\u00e7\u00e3o entre autoridades sanit\u00e1rias e profissionais de sa\u00fade. Baixas coberturas vacinais, de acordo com o pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, acendem &#8220;uma luz vermelha&#8221; no pa\u00eds. No Amazonas e em Roraima, com o surto de sarampo, h\u00e1 cerca de 500 casos confirmados e mais de 1,5 mil em investiga\u00e7\u00e3o. No outro extremo do pa\u00eds, o Rio Grande do Sul tamb\u00e9m confirmou seis casos da doen\u00e7a este ano. Em 2016, o Brasil recebeu da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade (Opas) o certificado de elimina\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.<br \/>\nEm junho, pa\u00edses do Mercosul fizeram um acordo para evitar a reintrodu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as j\u00e1 eliminadas na regi\u00e3o das Am\u00e9ricas, incluindo o sarampo, a poliomielite e a rub\u00e9ola. Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile se comprometeram a refor\u00e7ar a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade nas fronteiras e a fornecer assist\u00eancia aos migrantes numa tentativa de manter baixa a transmiss\u00e3o de casos. No \u00faltimo dia 8, a Opas enviou alerta aos pa\u00edses ap\u00f3s a detec\u00e7\u00e3o de um caso da doen\u00e7a na Venezuela. Dados do governo federal mostram que 312 munic\u00edpios brasileiros est\u00e3o com cobertura vacinal contra p\u00f3lio abaixo de 50%.<br \/>\nO grupo de doen\u00e7as pode voltar a circular no Brasil caso a cobertura vacinal, sobretudo entre crian\u00e7as, n\u00e3o aumente. O alerta \u00e9 da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es (Sbim), que defende uma taxa de imuniza\u00e7\u00e3o de 95% do p\u00fablico-alvo. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, a presidente da entidade, Isabella Ballalai, explicou que uma s\u00e9rie de fatores compromete o sucesso da imuniza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, incluindo a falta de conhecimento sobre de doen\u00e7as consideradas erradicadas, a divulga\u00e7\u00e3o de <em>fake news<\/em> via redes sociais e os hor\u00e1rios limitados de funcionamento de postos de sa\u00fade.<br \/>\n<strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong> Quais os desafios da vacina\u00e7\u00e3o no Brasil atualmente?<br \/>\n<strong>Isabella Ballalai:<\/strong> Estamos falando de doen\u00e7as como sarampo, p\u00f3lio, difteria e t\u00e9tano. S\u00e3o vacinas b\u00e1sicas, mas que, muitas vezes, as pessoas acabam negligenciando. N\u00e3o vacinam, atrasam, dizem \u201cdepois eu vou\u201d. Juntamos isso com a n\u00e3o valoriza\u00e7\u00e3o dessas doen\u00e7as, consideradas extintas e que, portanto, n\u00e3o se v\u00ea por a\u00ed. Juntamos tamb\u00e9m o dia a dia mesmo. Os postos de sa\u00fade no Brasil, em sua maioria, abrem de segunda a sexta e fecham para almo\u00e7o. As fam\u00edlias est\u00e3o trabalhando. Isso tudo impacta na ades\u00e3o.<br \/>\n<strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong> Houve muita procura por vacina ap\u00f3s os casos de febre amarela detectados no Brasil. Como isso se encaixa nesse contexto?<br \/>\n<strong>Isabella Ballalai:<\/strong> Com febre a amarela, a gente viveu uma situa\u00e7\u00e3o diferente. Minas Gerais sempre foi \u00e1rea de vacina\u00e7\u00e3o rotineira \u2013 antes mesmo dessa epidemia. \u00c9 preciso refor\u00e7ar que n\u00e3o foi surto, foi uma epidemia. E, se as pessoas n\u00e3o se vacinarem, em dezembro agora, come\u00e7a tudo de novo. T\u00ednhamos baixa cobertura. As crian\u00e7as at\u00e9 estavam vacinadas, mas os adultos n\u00e3o estavam. A\u00ed, surge o desafio de fazer o adulto entender que ele tamb\u00e9m precisa tomar vacina. Por que n\u00e3o conseguimos vacinar todo mundo? Em \u00e9poca de epidemia, temos corre-corre, fila, discuss\u00e3o. De repente, com o fim dos casos, sumiu todo mundo. Sendo que pelo menos metade da popula\u00e7\u00e3o ficou sem se vacinar.<br \/>\n<strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong> Como resumir os desafios da vacina\u00e7\u00e3o no Brasil?<br \/>\n<strong>Isabella Ballalai:<\/strong> A dificuldade de imuniza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds \u00e9 multifatorial \u2013 depende do tipo de vacina, da faixa et\u00e1ria em quest\u00e3o. Entre 20% a 30% dos adolescentes, por exemplo, se vacinaram contra a meningite. S\u00f3. As pessoas n\u00e3o imaginam a dificuldade que \u00e9 levar um adolescente a uma sala de vacina\u00e7\u00e3o. No geral, o que a gente percebe \u00e9 que, quando o povo tem medo da doen\u00e7a, procura a vacina. Brasileiro n\u00e3o tem medo da vacina, tem medo da doen\u00e7a. E s\u00f3 procura a vacina quando tem surto na televis\u00e3o. Um exemplo foi a epidemia de gripe em 2016. T\u00ednhamos filas de seis horas em cl\u00ednicas privadas. A meta de vacina\u00e7\u00e3o ficou acima do necess\u00e1rio, passou de 100%. O que aconteceu com aquele mito de que as pessoas n\u00e3o se vacinam porque t\u00eam medo de pegar gripe? As pessoas tiveram medo da doen\u00e7a, viram a doen\u00e7a, acreditaram na doen\u00e7a.<br \/>\n<strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong> Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil tratar da preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as?<br \/>\n<strong>Isabella Ballalai:<\/strong> J\u00e1 perdi as contas de quantas vezes vi pais de fam\u00edlia que vacinam seus filhos e n\u00e3o se vacinam. Preven\u00e7\u00e3o \u00e9 uma coisa complicada. No tempo em que usar cinto de seguran\u00e7a n\u00e3o era obrigat\u00f3rio, a pessoa s\u00f3 usava quando perdia algu\u00e9m em um acidente de tr\u00e2nsito. \u00c9 mais ou menos isso que acontece com as vacinas. E olha que \u00e9 prevista a obrigatoriedade da imuniza\u00e7\u00e3o no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente. \u00c9 direito da crian\u00e7a e do adolescente a vacina. Os pais s\u00e3o provedores, n\u00e3o podem negar esse direito. Mas \u00e9 complexo. Temos um cen\u00e1rio de grande evas\u00e3o escolar no Brasil. A escola, por exemplo, n\u00e3o vai impedir uma crian\u00e7a de estudar porque n\u00e3o est\u00e1 com as vacinas em dia. Pode denunciar no conselho tutelar, mas impedir n\u00e3o vai. \u00c9 um cen\u00e1rio bem diferente da realidade norte-americana. Os Estados Unidos n\u00e3o t\u00eam problema de evas\u00e3o escolar e pro\u00edbem a crian\u00e7a de frequentar a escola se n\u00e3o estiver com as vacinas em dia.<br \/>\n<strong>Ag\u00eancia Brasil:<\/strong> Outros pa\u00edses tamb\u00e9m enfrentam dificuldades na imuniza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 similaridades com o cen\u00e1rio no Brasil?<br \/>\n<strong>Isabella Ballalai:<\/strong> Europa e Am\u00e9rica do Norte t\u00eam problemas graves de cobertura vacinal. S\u00e3o taxas que ficam em torno de 30% a 40% do p\u00fablico-alvo. Um problem\u00e3o. Quando a gente fala de baixa cobertura vacinal no Brasil, \u00e9 algo em torno de 70% a 80%. Parece bom quando comparado \u00e0 realidade de outros pa\u00edses. Mas, para manter as doen\u00e7as erradicadas, a gente precisa atingir nossas metas. E, especificamente entre menores de 1 ou 2 anos, a meta \u00e9 95% de cobertura vacinal. Funciona assim: tivemos, recentemente, casos de sarampo em Porto Alegre. Uma jovem n\u00e3o vacinada pegou a doen\u00e7a em Manaus. Se ela, mesmo n\u00e3o vacinada, tivesse ido a Manaus e encontrado crian\u00e7as vacinadas, n\u00e3o ter\u00edamos o surto que tivemos no Sul. \u00c9 o que chamamos de prote\u00e7\u00e3o coletiva. Cobertura vacinal \u00e9 sin\u00f4nimo de a\u00e7\u00e3o coletiva. E as pessoas est\u00e3o cada vez mais individualizadas para se engajar numa a\u00e7\u00e3o coletiva.<br \/>\n<em>Por Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vacinar \u00e9 preciso<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":71647,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[96,3017,3482,5207,5483,6312,7641,7875,8958,8968,9375,9946,9947],"class_list":["post-71645","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-brasil","tag-desafios","tag-doencas","tag-imunizacao","tag-isabella-ballalai","tag-ministerio-da-saude","tag-poliomielite","tag-prevencao","tag-sarampo","tag-saude","tag-sociedade-brasileira-de-imunizacoes","tag-vacinacao","tag-vacinas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71645"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71645\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}