{"id":71913,"date":"2018-07-25T10:36:12","date_gmt":"2018-07-25T13:36:12","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=71913"},"modified":"2018-07-25T10:36:12","modified_gmt":"2018-07-25T13:36:12","slug":"estamos-doentes-mas-deus-quer-nos-curar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/estamos-doentes-mas-deus-quer-nos-curar\/","title":{"rendered":"Estamos doentes, mas Deus quer nos curar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\">N\u00f3s queremos muitas coisas, mas n\u00e3o nos satisfazemos com nada. Nosso cora\u00e7\u00e3o s\u00f3 vai se apaziguar em Deus<br \/>\nA cura, na verdade, \u00e9 salva\u00e7\u00e3o, e salva\u00e7\u00e3o \u00e9 cura. No grego, assim como no hebraico, l\u00ednguas nas quais a B\u00edblia foi escrita, a palavra salva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m quer dizer cura, sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Em algumas tradu\u00e7\u00f5es das B\u00edblias, lemos assim: \u201cJesus disse: \u2018Vai, a tua f\u00e9 te curou&#8217;\u201d. E em outras: \u201cVai, a tua f\u00e9 te salvou\u201d. Na verdade, curar e salvar falam da mesma realidade na Sagrada Escritura.<\/p>\n<p>Jesus pagou o pre\u00e7o do nosso resgate. Podemos falar de salva\u00e7\u00e3o como pagamento de uma d\u00edvida somente se entendermos isso como uma met\u00e1fora. Para entendermos a salva\u00e7\u00e3o, precisamos de v\u00e1rias met\u00e1foras, e nenhuma delas \u00e9 completa, pois s\u00e3o compara\u00e7\u00f5es que nos dizem o que \u00e9 a salva\u00e7\u00e3o. Uma delas est\u00e1 neste conceito de cura: estamos doentes e precisamos ser curados, precisamos ser salvos. Este n\u00e3o \u00e9 um conceito absoluto, mas bastante rico, cujo fruto espiritual \u00e9 muito grande. Deus quer nos salvar, ou seja, Ele quer nos curar. Esse conceito funciona bastante, porque est\u00e1 enraizado na constata\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o estamos totalmente conforme o sonho que Ele teve para n\u00f3s. Esse sonho foi realizado somente em Jesus Cristo, que \u00e9 um Homem como Deus pensou.<br \/>\n<strong>Marcados pelo pecado original<\/strong><br \/>\nPodemos dizer, com toda certeza, que nunca vimos uma pessoa inteira. S\u00f3 temos experi\u00eancia de \u201cpeda\u00e7os\u201d de homens, pessoas \u201cdeformadas\u201d que trazem em si a marca do pecado. A nossa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 a de pessoas marcadas pelo pecado, pois somos doentes e precisamos tomar consci\u00eancia disso, para que vivamos uma mudan\u00e7a de mentalidade.<br \/>\nO mundo acha que tudo o que se vive por a\u00ed \u00e9 normal. \u00c9 assim que a nossa sociedade decide o que est\u00e1 certo ou errado. Por exemplo, segunda ela, a masturba\u00e7\u00e3o \u00e9 normal, \u201cporque todo mundo faz\u201d. Primeiro, n\u00e3o \u00e9 verdade que todo mundo a pratica; depois, mesmo que seja a maioria, isso n\u00e3o constitui a normalidade. No s\u00e9culo XIX, metade da popula\u00e7\u00e3o de Cuiab\u00e1 (MT) morreu de var\u00edola, depois da guerra do Paraguai. Mas isso n\u00e3o fez com que essa doen\u00e7a se tornasse normal, continua sendo uma doen\u00e7a. Todo mundo tem gripe ou alguma virose, mas nem por isso essas enfermidades s\u00e3o normais.<br \/>\nSomos pessoas marcadas pela \u201cdoen\u00e7a\u201d do pecado original. Nossas rea\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o todas normais. Se n\u00e3o nos dermos conta disso, n\u00e3o vamos nos converter. O primeiro passo que o doente tem de dar para se curar \u00e9 o de se convencer de que est\u00e1 doente. Se ele achar que est\u00e1 muito bem, n\u00e3o vai mudar.<br \/>\n\u00c9 muito mais f\u00e1cil uma espiritualidade \u201cotimista\u201d que aplauda e canonize tudo aquilo que as pessoas fazem. \u201cTodo mundo faz, \u00e9 assim mesmo. Tudo o que Deus fez \u00e9 bonito, precisamos aplaudir, apoiar e aceitar\u201d. Precisamos levar a s\u00e9rio as consequ\u00eancias do pecado original. Se sou obcecado pela felicidade que encontro na comida, na bebida, esse tipo de pensamento diz que a fome \u00e9 um instinto natural, criado por Deus; logo, \u00e9 bom e n\u00e3o tem nenhum problema. Embora isso tenha sido criado por Deus, traz a marca do pecado original, pois nos afasta d\u2019Ele.<br \/>\n<strong>O pecado e suas consequ\u00eancias<\/strong><br \/>\nSanto Agostinho faz a compara\u00e7\u00e3o: Imaginemos que um noivo d\u00ea um presente para sua noiva, e ela fica t\u00e3o fascinada com o presente, que esquece do noivo e vai para casa. Aquilo que o noivo deu como sinal de amor torna-se um caminho de separa\u00e7\u00e3o. Deus nos deu este mundo como um presente, mas a nossa tend\u00eancia \u00e9 transform\u00e1-lo em deus, colocar os presentes d\u2019Ele no lugar d\u2019Ele. \u00c9 aqui que est\u00e1 a nossa doen\u00e7a.<br \/>\nDizer que uma pessoa \u00e9 saud\u00e1vel \u00e9 diferente de dizer que um alimento \u00e9 saud\u00e1vel. Uma pessoa \u00e9 saud\u00e1vel quando tem sa\u00fade e um alimento \u00e9 saud\u00e1vel quando traz sa\u00fade. Da mesma forma, podemos falar de pecado original de formas diferentes: uma coisa \u00e9 dizer \u201ceu cometi um pecado\u201d, que \u00e9 uma transgress\u00e3o, algo que ofende a Deus e destr\u00f3i a quem o pratica. Quando dizemos que Ad\u00e3o e Eva pecaram, posso chamar essa primeira transgress\u00e3o de pecado original. E quando digo que tenho este pecado [original], isso tem outro sentido, pois \u00e9 algo recebido, heredit\u00e1rio. Podemos tentar explicar isso por meio da liberdade que Deus nos d\u00e1 como filhos. Ele est\u00e1 do nosso lado, protege-nos, mas leva a s\u00e9rio a nossa liberdade. Se voc\u00ea fizer algo de mal, Ele vai respeitar sua liberdade, e vai sofrer por isso, j\u00e1 que nos ama.<br \/>\nOs pecados que cometemos afetam aos demais, \u00e0s vezes, at\u00e9 de forma irrepar\u00e1vel. Se voc\u00ea contrair AIDS, n\u00e3o tem como fazer de conta que isso n\u00e3o existe, pois pode morrer com esta doen\u00e7a ou contaminar outras pessoas. O pecado tem consequ\u00eancias, assim como, a partir do pecado original, surgiu em n\u00f3s uma tend\u00eancia para o mal.<br \/>\n<strong>A import\u00e2ncia da ascese<\/strong><br \/>\nOs mesmos instintos que os animais t\u00eam n\u00f3s tamb\u00e9m o temos. Assim como um macaco gosta de comer, beber, ter rela\u00e7\u00f5es sexuais, nosso instinto \u00e9 o mesmo. Por\u00e9m, existe uma grande diferen\u00e7a: n\u00f3s temos alma. N\u00f3s n\u00e3o fomos feitos s\u00f3 para isso, temos uma sede maior. N\u00e3o adianta apenas comer, beber, ter rela\u00e7\u00f5es sexuais, porque dentro de n\u00f3s vai permanecer um vazio. Seu cora\u00e7\u00e3o vai permanecer inquieto, como disse, com clareza, Santo Agostinho. N\u00f3s n\u00e3o nos satisfazemos com nada, n\u00f3s queremos muitas coisas, mas nosso cora\u00e7\u00e3o s\u00f3 vai se apaziguar em Deus.<br \/>\nProponho, ent\u00e3o, uma conscientiza\u00e7\u00e3o das \u201cdoen\u00e7as\u201d que est\u00e3o dentro de n\u00f3s. E uma vida espiritual que as combata numa tentativa de reverter as consequ\u00eancias do pecado original. \u00c9 claro que a cura total n\u00e3o ser\u00e1 neste mundo, mas em nossa ressurrei\u00e7\u00e3o. Mas, por mais que seja assim, n\u00f3s podemos e devemos viver uma vida asc\u00e9tica, de ascese, esfor\u00e7o para curar estas m\u00e1s tend\u00eancias que existem dentro de n\u00f3s. Quando falo de ascese, falo de jejum, vig\u00edlias, sacrif\u00edcios, abstin\u00eancias, esfor\u00e7os espirituais. Tudo isso n\u00e3o para \u201cpagar os pecados\u201d \u2013 pois eles j\u00e1 foram pagos por Jesus -, mas para combater a tend\u00eancia ao pecado que, dentro de n\u00f3s, \u00e9 como a lei da gravidade, puxando-nos para baixo. Precisamos fazer algo para n\u00e3o acabar nos \u201cenvenenando\u201d espiritualmente, pois sabemos da nossa condi\u00e7\u00e3o, de nossa \u201cdoen\u00e7a\u201d espiritual. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na Quaresma que precisamos fazer jejuns e oferecer sacrif\u00edcios. Se n\u00e3o combatermos essas \u201cenfermidades\u201d, seremos v\u00edtimas delas.<br \/>\nFoto: Wesley Almeida \/ cancaonova.com<br \/>\nVia Can\u00e7\u00e3o Nova<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00f3s queremos muitas coisas, mas n\u00e3o nos satisfazemos com nada. 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