{"id":71930,"date":"2018-07-26T20:10:46","date_gmt":"2018-07-26T23:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=71930"},"modified":"2018-07-26T20:10:46","modified_gmt":"2018-07-26T23:10:46","slug":"martirio-do-pe-hamel-2-anos-confira-a-entrevista-com-sua-irma-roselyne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/martirio-do-pe-hamel-2-anos-confira-a-entrevista-com-sua-irma-roselyne\/","title":{"rendered":"Mart\u00edrio do Pe. Hamel, 2 anos: confira a entrevista com sua irm\u00e3 Roselyne"},"content":{"rendered":"<p>O mundo cat\u00f3lico recorda hoje o segundo anivers\u00e1rio do brutal assassinato do padre Jacques Hamel, executado aos 86 anos de idade por dois jihadistas em 26 de julho de 2016, em plena igreja de Saint-\u00c9tienne-du-Rouvray, em Seine Maritime, na Fran\u00e7a. Os dois jovens terroristas que o mataram covardemente afirmavam pertencer ao Estado Isl\u00e2mico.<br \/>\nHomem discreto e de grande for\u00e7a de vontade, o Padre Hamel exerceu fielmente o minist\u00e9rio sacerdotal a ponto de dar a vida durante a celebra\u00e7\u00e3o da Santa Missa.<br \/>\nDois anos depois da trag\u00e9dia, a irm\u00e3 do sacerdote, Roselyne Hamel, de 78 anos, conversou com Aleteia sobre o impacto que o assassinato do irm\u00e3o exerceu na fam\u00edlia e \u201cem todos os cantos da Fran\u00e7a e do mundo\u201d. Ela fala ainda do processo de beatifica\u00e7\u00e3o aberto em 13 de abril de 2017, menos de um ano ap\u00f3s o assassinato, e analisa os frutos que o mart\u00edrio do irm\u00e3o pode gerar.<br \/>\nA entrevista:<br \/>\n<strong>Dois anos atr\u00e1s, a trag\u00e9dia \u2026 O que vem \u00e0 mente agora?<\/strong><br \/>\nRoselyne Hamel: A not\u00edcia que me deram naquele 26 de julho de 2016, brutalmente, depois de duas horas de espera. Eu pensei que todas as pessoas presas na igreja sairiam ilesas. Eu realmente pensei, at\u00e9 o fim, que o Jacques retornaria. Mas, depois de duas horas de sil\u00eancio, eles me disseram que algu\u00e9m tinha sido ferido, que outra pessoa tinha morrido\u2026 e que era o meu irm\u00e3o. Esse momento me perturba, me atormenta. Estou ciente de que este tributo deve ser feito, n\u00e3o podemos deixar passar. A morte dele foi um choque para mim, para a nossa fam\u00edlia, para os sobrinhos, para as sobrinhas, mas tamb\u00e9m foi para toda a Fran\u00e7a e para o mundo. Embora este momento seja particularmente doloroso, n\u00e3o podemos ignorar este acontecimento, \u00e9 muito importante. Muito importante.<br \/>\n<strong>Voc\u00ea tem a impress\u00e3o de que a sociedade, por assim dizer, \u201ctirou\u201d o seu irm\u00e3o de voc\u00ea ou, pelo contr\u00e1rio, que todas essas pessoas acompanham voc\u00ea na sua dor, movidas e inspiradas pelo testemunho do Pe. Hamel?<\/strong><br \/>\nRoselyne Hamel: A sensa\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o foi muito forte no come\u00e7o. Eu n\u00e3o entendia que o meu irm\u00e3o aparecesse em toda a m\u00eddia da Fran\u00e7a e, muito rapidamente, na de v\u00e1rios pa\u00edses. Muitas pessoas me falaram do seu pesar e sofrimento ao ficarem sabendo desse ato terrorista. Emocionou tanta gente! Levamos alguns dias, at\u00e9 semanas, para nos acostumarmos com isso: o que \u00e9 que est\u00e1 acontecendo? Ele \u00e9 nosso irm\u00e3o, nosso tio, \u00e9 o nosso luto! Eles tiraram isso de n\u00f3s e agora temos que compartilh\u00e1-lo? Durante um ano, eu n\u00e3o consegui viver o meu luto. Lembro do funeral, da catedral de Rouen cheia, e muit\u00edssimas pessoas reunidas no \u00e1trio. Eu tinha aquele sentimento de desapropria\u00e7\u00e3o, mas, vendo todas aquelas pessoas, eu tamb\u00e9m soube que tinha acontecido algo extraordin\u00e1rio no cora\u00e7\u00e3o e na mente de crentes e n\u00e3o crentes. E \u00e0 medida que eu fui desenrolando essa reflex\u00e3o, dia ap\u00f3s dia, consegui ir vivendo o meu luto.<br \/>\n<strong>O Pe. Hamel \u00e9 frequentemente descrito como um homem discreto. Voc\u00ea ficou surpresa com essa mobiliza\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nRoselyne Hamel: O Jacques era, sim, um homem de grande discri\u00e7\u00e3o, mas a sua morte foi um choque para milhares de pessoas, ent\u00e3o a mobiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o me surpreendeu. Meu irm\u00e3o ficava muito desconfort\u00e1vel quando o elogiavam, mas tenho que dizer que esse reconhecimento, de quem ele era e das circunst\u00e2ncias da sua morte, me inspira. Acho que todos nos inspiramos com o testemunho dele.<br \/>\n<strong>O que voc\u00ea pensa do processo de beatifica\u00e7\u00e3o do seu irm\u00e3o?<\/strong><br \/>\nRoselyne Hamel: \u00c9 algo t\u00e3o fora do comum em nossa vida, na vida do meu irm\u00e3o antes desse acontecimento, que nos sentimos completamente deslocados. Este processo de beatifica\u00e7\u00e3o me ultrapassa. E o que \u00e0s vezes \u00e9 dif\u00edcil de lidar \u00e9 que as pessoas t\u00eam uma vis\u00e3o diferente de n\u00f3s, quando, na verdade, n\u00f3s, a fam\u00edlia, n\u00e3o mudamos! Somos pessoas simples. Por outro lado, \u00e9 \u00f3bvio que \u00e9 algo que me emociona; falar de orgulho seria inadequado, mas estou muito comovida. Quando me pedem para viajar a algum lugar para falar do meu irm\u00e3o, isso sempre me surpreende: as pessoas parecem me dar muita import\u00e2ncia! Mas eu n\u00e3o fiz nada, foi o Jacques. Eu s\u00f3 estou aqui para dar testemunho da vida dele. Muitas vezes me dizem: \u201cAtrav\u00e9s de voc\u00ea eu tenho a impress\u00e3o de tocar nele\u201d. Mas eu me pergunto: sou digna disso?<br \/>\n<strong>Quando o Papa comenta que reza para que o pe. Hamel seja santo, o que isso inspira em voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nRoselyne Hamel: Essas s\u00e3o palavras de peso. Eu penso que a morte do meu irm\u00e3o e este processo de beatifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o um chamado necess\u00e1rio para despertar a f\u00e9 dos crentes, a esperan\u00e7a dos n\u00e3o crentes e convidar a todos a viver melhor. Ao abrir este processo de beatifica\u00e7\u00e3o, eu creio que o Papa Francisco quis despertar a f\u00e9. Meu irm\u00e3o muitas vezes terminou suas homilias dizendo: \u201cVamos tentar ser artes\u00e3os da paz. O mundo precisa de muita esperan\u00e7a\u201d. \u00c9 exatamente disso que se trata.<br \/>\n<strong>Com a morte dele e o impacto que ela causou, voc\u00ea tem a impress\u00e3o de descobrir novas facetas do seu irm\u00e3o?<\/strong><br \/>\nRoselyne Hamel: Sim, \u00e9 verdade, eu tenho. Para n\u00f3s, o Jacques era um homem entre os homens, muito simples nas coisas da vida e exigente apenas em rela\u00e7\u00e3o ao sacerd\u00f3cio dele. Os meus filhos e eu mesma o conhec\u00edamos principalmente no contexto da vida familiar. Ao ler os testemunhos e encontrar quem lidava com ele regularmente no contexto da miss\u00e3o, tamb\u00e9m descobrimos um lado muito apaixonado nele. Tamb\u00e9m me veio uma lembran\u00e7a. Uma vez, o Jacques estava de f\u00e9rias na minha casa e eu sugeri que n\u00f3s v\u00edssemos o filme A Paix\u00e3o de Cristo, de Mel Gibson. Vimos e eu me senti culpada! Conforme o filme avan\u00e7ava, ele foi ficando muito p\u00e1lido, como se estivesse sofrendo com Cristo. Para ele, n\u00e3o era s\u00f3 uma impress\u00e3o, era real. Meu irm\u00e3o era t\u00e3o magro que eu conseguia notar que, toda vez que Cristo era agredido, parecia que ele tamb\u00e9m sentia aquele golpe na pr\u00f3pria carne. Nos \u00faltimos dez anos da vida dele, quando eu participava da Missa que ele celebrava, ficava impressionada com o quanto ele estava imbu\u00eddo dessa paix\u00e3o de Cristo. Eu n\u00e3o o via todos os dias, mas, quando assistia \u00e0s missas dele, eu o via transcendido.<br \/>\n<strong>Nesses dois anos, alguma coisa mudou no seu relacionamento com a f\u00e9, com Deus?<\/strong><br \/>\nRoselyne Hamel: Embora nada tenha mudado em minha f\u00e9, eu pedi contas a Deus durante muito tempo. Respeitosamente, mas pedi. O sofrimento e a incompreens\u00e3o foram t\u00e3o grandes que a aceita\u00e7\u00e3o demorou a chegar. O Jacques era discreto e fez um grande bem! Agora, toda vez que eu vou dar testemunho pelo meu irm\u00e3o, digo a Deus que confio n\u2019Ele e que se o Jacques est\u00e1 agora l\u00e1 perto d\u2019Ele \u00e9 porque Deus tem gra\u00e7as para oferecer por meio do Jacques. O Jacques tamb\u00e9m falava muito de Charles de Foucauld; era um modelo para ele. Sua sa\u00fade, infelizmente, n\u00e3o permitiu que ele fosse mission\u00e1rio. Meu irm\u00e3o esteve em Biskra, na Arg\u00e9lia (onde Charles de Foucauld viveu parte da vida), durante os eventos [do in\u00edcio da Guerra de Independ\u00eancia da Arg\u00e9lia, ndr]. Quando atravessaram um o\u00e1sis, todos da sua unidade morreram, menos ele. Ele n\u00e3o entendia porque tinha se salvado. Eu dizia a ele que, provavelmente, estava destinado a outra coisa, a outra miss\u00e3o. Hoje eu responderia que ele j\u00e1 tem a sua resposta para aquele \u201cpor que eu n\u00e3o?\u201d. Essa miss\u00e3o \u00e9 a miss\u00e3o de despertar a f\u00e9 em todas aquelas pessoas que estavam presentes aos milhares no seu funeral ao redor da catedral. Como o Jacques dizia, o mundo precisa de muita esperan\u00e7a.<br \/>\nVia <em>Aleteia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Processo de beatifica\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":71932,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[6120,7397,9665],"class_list":["post-71930","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-martirio","tag-pe-hamel","tag-testemunho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71930"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71930\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}