{"id":72689,"date":"2018-09-04T17:00:49","date_gmt":"2018-09-04T20:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=72689"},"modified":"2018-09-04T17:00:49","modified_gmt":"2018-09-04T20:00:49","slug":"o-perdao-nao-e-so-capacidade-humana-mas-um-dom-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/o-perdao-nao-e-so-capacidade-humana-mas-um-dom-de-deus\/","title":{"rendered":"O perd\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 capacidade humana, mas um dom de Deus"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter \" src=\"https:\/\/i68.tinypic.com\/wjgls7.jpg\" \/><br \/>\nDecida-se agora mesmo pelo perd\u00e3o, antes que seja tarde demais!<br \/>\n\u201cFora! Saiam todos daqui! Pra fora todos voc\u00eas!\u201d. Ficamos sem entender o que se passava no cora\u00e7\u00e3o da Dona Ira\u00eddes. Ela era t\u00e3o calma, t\u00e3o meiga! O que teria acontecido com ela, que a deixou t\u00e3o transtornada a ponto de nos mandar retirar de seus aposentos com tanta veem\u00eancia? Compartilho com voc\u00eas este lindo testemunho de perd\u00e3o.<br \/>\nEra o final do ano de 1979. Dona Ira\u00eddes frequentava o Grupo de Ora\u00e7\u00e3o e caiu enferma, com c\u00e2ncer na garganta. Como naqueles prim\u00f3rdios da Renova\u00e7\u00e3o Carism\u00e1tica Cat\u00f3lica, em Goi\u00e2nia, \u00e9ramos poucos ainda, nos aproximamos daquela querida irm\u00e3 com todo o nosso carinho e nos propusemos orar todos os dias por sua cura.<br \/>\n\u00cdamos a maioria de n\u00f3s, quase todos os dias, at\u00e9 a casa dela. Por\u00e9m, \u00e0 medida que rez\u00e1vamos, seu estado de sa\u00fade s\u00f3 piorava.<br \/>\nChegando o dia 6 de janeiro de 1980, entramos no quarto de D. Ira\u00eddes para a nossa ora\u00e7\u00e3o. Como era de costume fomos logo cumprimentando e eu disse ent\u00e3o: \u201cD. Ira\u00eddes, hoje, \u00e9 um dia muito especial, \u00e9 o dia dos Santos Reis\u201d. Foi ent\u00e3o, que vimos o seu semblante sempre calmo se transformar em uma careta de \u00f3dio e ela gritou: \u201cFora! Saiam todos daqui! Pra fora todos voc\u00eas!\u201d.<br \/>\n<strong>O rancor \u00e9 o c\u00e2ncer da alma<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 na sa\u00edda perguntei ao seu filho o que hav\u00edamos feito de errado. Ele retrucou: \u201cVoc\u00eas falaram l\u00e1 dentro uma palavra proibida nessa casa!\u201d. Sem entender nada do que se passava perguntei: \u201cPalavra proibida? N\u00e3o estou entendendo!\u201d. O rapaz completou: \u201cNessa casa n\u00e3o se pode falar a palavra \u201creis\u201d, \u00e9 que o ex-marido dela chama-se Reis; e est\u00e3o separados, com um \u00f3dio mortal h\u00e1 doze anos. Basta algu\u00e9m dizer esse nome perto de minha m\u00e3e, que ela fica transtornada de raiva\u201d.<br \/>\nVimos que, dentro dela, havia uma doen\u00e7a muito pior do que o c\u00e2ncer. Ela estava com o c\u00e2ncer da alma, que \u00e9 o rancor. Enquanto que, as doen\u00e7as que nos acometem nos tiram as for\u00e7as humanas, o \u00f3dio e o ressentimento arrancam a nossa paz. S\u00f3 depois de quinze dias \u00e9 que Dona Ira\u00eddes aceitou que volt\u00e1ssemos a rezar por ela. Passou-se mais de um m\u00eas. Aos poucos, o Senhor foi amolecendo o seu cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>\u201cPecador, agora \u00e9 tempo de contri\u00e7\u00e3o e de temor\u201d<\/strong><br \/>\nUm dia, para nossa surpresa, ela falou: \u201cSe voc\u00eas trouxerem o Reis, fa\u00e7am o favor de n\u00e3o me avisar\u201d. Entendemos imediatamente que ela desejava reconciliar-se com ele. Sem demora, pedimos que ele viesse at\u00e9 a casa de sua ex-esposa. Ele morava no interior de Goi\u00e1s e demorou um dia para chegar. Como de costume, entrei na casa da Dona Ira\u00eddes. Ela estava dormindo. Apenas a sua enfermeira particular estava lhe acompanhando. Acordei-a e ela olhou-me com aqueles olhos azuis e comentou (para a minha surpresa):<br \/>\n\u201c- Voc\u00ea trouxe o Reis, n\u00e3o trouxe?\u201d<br \/>\nRespondi estupefato: Como \u00e9 que a senhora ficou sabendo?.<br \/>\nEla falou sorrindo: \u201cEu estava sonhando que voc\u00eas viriam, hoje, com ele\u201d.<br \/>\nPor\u00e9m, n\u00e3o s\u00f3 o Reis estava l\u00e1 fora, os nossos amigos do Grupo de Ora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, ent\u00e3o eu perguntei: O que eu fa\u00e7o ent\u00e3o?.<br \/>\nEla respondeu sem pestanejar: \u201cVoc\u00eas far\u00e3o como eu vi no meu sonho. Dar\u00e3o as m\u00e3os aqui no meu quarto, cantar\u00e3o uma m\u00fasica que eu quero para o Reis entrar\u201d.<br \/>\nAssim fizemos e cantamos a m\u00fasica para o Reis entrar: \u201cPecador, agora \u00e9 tempo de contri\u00e7\u00e3o e de temor\u2026\u201d.<br \/>\n<strong>Precisamos vencer o c\u00e2ncer da alma<\/strong><br \/>\nO tal Reis era um homem grande. Mas, na medida em que se aproximava da cama de sua ex-esposa, ele foi diminuindo, diminuindo, at\u00e9 se ajoelhar na cabeceira da cama dele e disse, para nossa maior surpresa: \u201cIra\u00eddes, meu amor, me perdoa!\u201d<br \/>\nNos entreolhamos boquiabertos. N\u00e3o t\u00ednhamos rezado com ele. Eles estavam separados h\u00e1 doze anos com um \u00f3dio mortal. Como \u00e9 que, agora, ao reencontrar sua esposa, a chamava de \u201cmeu amor?\u201d. O casamento \u00e9 indissol\u00favel e, n\u00e3o \u00e9 uma separa\u00e7\u00e3o pelo div\u00f3rcio, que torna as almas separadas. Quando rez\u00e1vamos para Jesus amolecer o cora\u00e7\u00e3o de Dona Ira\u00eddes, o cora\u00e7\u00e3o do Reis, que continuava sendo uma s\u00f3 carne com o de sua esposa, mesmo separados por doze anos, tamb\u00e9m amolecia. Ela respondeu ao Reis: \u201cA mim nada fizestes!\u201d.<br \/>\nTodos n\u00f3s choramos naquele quarto. O c\u00e2ncer da alma, que era o rancor, havia sido vencido!<br \/>\n<strong>Perd\u00e3o n\u00e3o \u00e9 \u201cs\u00f3\u201d capacidade humana<\/strong><br \/>\nReis continuou com suas idas e vindas do interior de Goi\u00e1s para n\u00e3o mais sua ex-esposa, e sim sua esposa. Ele tinha uma casa de com\u00e9rcio noutra cidade e tinha sempre de voltar, mas deixava seu cora\u00e7\u00e3o sempre com sua mulher. Um dia, o m\u00e9dico nos disse que ela n\u00e3o passaria mais daquela noite. Com o restinho de for\u00e7as que ainda possu\u00eda, deu-nos a entender que n\u00e3o queria morrer sem ver o seu, agora, querido Reis.<br \/>\nJamais me esquecerei daquela cena num hospital de Goi\u00e2nia. Dona Ira\u00eddes estava j\u00e1 recebendo oxig\u00eanio e em coma, quando o Reis entrou, ele falou aquela palavra m\u00e1gica: \u201cIra\u00eddes, \u2018MEU AMOR\u2019, n\u00e3o vai embora sem se despedir de mim!\u201d. Dona Ira\u00eddes abriu os olhos, fez sinal que queria se sentar. Seus bra\u00e7os esqu\u00e1lidos abra\u00e7aram seu esposo. Ela colocou sua face macilenta pela doen\u00e7a bem encostada ao rosto do Reis e\u2026 morreu nos bra\u00e7os dele.<br \/>\n<strong>Perd\u00e3o, dom de Deus<\/strong><br \/>\nEle ainda ficou muito tempo abra\u00e7ado a ela, chorando. Ficava se lamentando sobre a demora em voltar para os bra\u00e7os de sua esposa. Ao sair do quarto, para permitir que as enfermeiras preparassem tudo para o enterro, comentou com voz embargada pela emo\u00e7\u00e3o (assim eu recordo aproximadamente, pois faz muitos anos que tudo isso aconteceu): \u201cSe eu tivesse deixado minha querida Ira\u00eddes partir sem receber o seu perd\u00e3o e sem perdo\u00e1-la tamb\u00e9m, n\u00e3o sei o que seria da minha vida!\u201d.<br \/>\nPerdoar sempre, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Ent\u00e3o, por que Jesus pediu-nos que perdo\u00e1ssemos setenta vezes sete, sempre que algu\u00e9m nos ofendesse? \u00c9 porque o perd\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 capacidade humana, mas um dom de Deus. \u00c9 decis\u00e3o humana, em primeiro lugar. Se voc\u00ea decidir perdoar, Jesus vai lhe ajudar, vai amolecer o seu cora\u00e7\u00e3o como o do Reis. Voc\u00ea n\u00e3o sabe quanto tempo ainda ter\u00e1 para perdoar quem o ofendeu. Decida-se agora mesmo pelo perd\u00e3o, antes que seja tarde demais!<br \/>\nPor <i>Roberto Tannus<\/i>, Escritor e mission\u00e1rio da Igreja Cat\u00f3lica, participa da RCC desde 1983 (Via <i>Can\u00e7\u00e3o Nova<\/i>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Setenta vezes sete<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":72691,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[1509,89,7432,7484],"class_list":["post-72689","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-cancer-da-alma","tag-oracao","tag-pecador","tag-perdao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72689","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72689"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72689\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72689"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72689"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72689"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}