{"id":74653,"date":"2019-01-07T11:14:43","date_gmt":"2019-01-07T13:14:43","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=74653"},"modified":"2019-01-07T11:14:43","modified_gmt":"2019-01-07T13:14:43","slug":"palavra-do-retiro-mor-estreia-2019","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/palavra-do-retiro-mor-estreia-2019\/","title":{"rendered":"Palavra do Reitor-Mor (Estreia 2019)"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u201cPara que a minha alegria esteja em v\u00f3s\u201d (Jo 15,11)<\/strong><br \/>\n<strong>A SANTIDADE \u00c9 TAMB\u00c9M PARA VOC\u00ca<\/strong><br \/>\n<img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-74654 alignleft\" src=\"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/2018_CS_PosterEstreia2019-450x281.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nMeus caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, minha querida Fam\u00edlia Salesiana,<br \/>\nContinuando a nossa tradi\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria, no in\u00edcio deste novo ano 2019, dirijo-me a v\u00f3s, em todas as partes do nosso \u201cmundo salesiano\u201d, que formamos como Fam\u00edlia Salesiana em mais de 140 pa\u00edses. E o fa\u00e7o comentando um tema que nos \u00e9 muito familiar, e que no pr\u00f3prio t\u00edtulo retoma literalmente a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Gaudete et Exsultate (1)<\/em>\u00a0do Papa Francisco sobre o chamado \u00e0 santidade no mundo contempor\u00e2neo.<br \/>\nAo escolher o tema e seu t\u00edtulo entendo traduzir, em nossa linguagem e \u00e0 luz da nossa sensibilidade carism\u00e1tica, o forte apelo \u00e0 santidade dirigido pelo Papa Francisco a toda a Igreja (2). Desejo apresentar, pois, alguns relevos que s\u00e3o tipicamente \u201cnossos\u201d no quadro da nossa espiritualidade salesiana, compartilhada pelos 31 grupos da nossa Fam\u00edlia Salesiana como heran\u00e7a carism\u00e1tica recebida do Esp\u00edrito Santo por meio do nosso amado Pai Dom Bosco que, sem d\u00favida, nos ajudar\u00e1 a viver com a mesma alegria profunda que nos vem do Senhor: \u00abPara que a minha alegria esteja em v\u00f3s\u00bb (Jo 15,11).<br \/>\n<strong>A quem se dirigem essas palavras?<\/strong><br \/>\nPosso assegurar-vos que essas palavras s\u00e3o dirigidas a todos.<br \/>\nA v\u00f3s, meus caros irm\u00e3os salesianos SDB.<br \/>\nA v\u00f3s, irm\u00e3s e irm\u00e3os das diversas Congrega\u00e7\u00f5es e Institutos de vida consagrada e laical da nossa Fam\u00edlia Salesiana.<br \/>\nA v\u00f3s, irm\u00e3os e irm\u00e3s das associa\u00e7\u00f5es e dos diversos grupos da Fam\u00edlia Salesiana.<br \/>\nAos pais e m\u00e3es, aos educadores e educadoras, aos catequistas e animadores de todas as nossas presen\u00e7as no mundo.<br \/>\nE a todos os adolescentes e jovens do nosso grande mundo salesiano.<br \/>\nAcolho o convite dirigido pelo Papa \u00e0 Igreja inteira. Sua Exorta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um tratado sobre a santidade, mas um apelo lan\u00e7ado ao mundo contempor\u00e2neo e \u00e0 Igreja, de modo especial, a viver a vida como voca\u00e7\u00e3o e como chamado \u00e0 santidade; uma santidade encarnada no tempo presente, no hoje, na realidade de cada um e no contexto atual.<br \/>\nFa\u00e7o-me eco desse apelo sempre fascinante \u00e0 santidade porque o \u201choje\u201d da Igreja solicita-nos a faz\u00ea-lo. Como eu, todos os \u00faltimos Reitores-Mores apresentaram interven\u00e7\u00f5es muito significativas sobre a santidade salesiana e os nossos santos patronos(3).<br \/>\nComo nos anos anteriores, acredito que, al\u00e9m da leitura pessoal, estas indica\u00e7\u00f5es sejam suficientes e possam servir como \u201cpontos\u201d da proposta educativo-pastoral dos diversos contextos e situa\u00e7\u00f5es do nosso \u201cmundo salesiano\u2019 onde trabalhamos.<\/p>\n<ol>\n<li><strong>TODOS S\u00c3O CHAMADOS POR DEUS \u00c0 SANTIDADE<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Imagino que n\u00e3o poucas pessoas, talvez tamb\u00e9m entre n\u00f3s e certamente entre os muitos jovens que ouviram o apelo do Papa, tiveram a sensa\u00e7\u00e3o de que a palavra \u201csantidade\u201d soasse um pouco estranha, em muitos casos intensamente estranha e desconhecida \u00e0 linguagem do mundo contempor\u00e2neo. N\u00e3o \u00e9 impens\u00e1vel que haja bloqueios culturais ou tamb\u00e9m interpreta\u00e7\u00f5es que tendem a confundir o caminho da santidade com uma esp\u00e9cie de espiritualismo alienante que foge da realidade. Ou, talvez, no m\u00e1ximo, o termo \u201csantidade\u201d seja entendido como uma palavra aplicada e aplic\u00e1vel \u00e0queles que s\u00e3o venerados nas imagens de nossas igrejas.<br \/>\n\u00c9 digno, pois, de admira\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo \u201ccorajoso\u201d o empenho do Papa em apresentar a perene atualidade da santidade crist\u00e3 que, na sua qualidade de apelo vindo do pr\u00f3prio Deus na\u00a0sua Palavra, seja proposta como meta para o caminho de cada pessoa. Deus mesmo \u00abquer-nos santos e espera que n\u00e3o nos resignemos com uma vida med\u00edocre, superficial e indecisa\u00bb (GE, 1)<br \/>\nO chamado \u00e0 santidade \u00e9 familiar \u00e0 nossa tradi\u00e7\u00e3o salesiana (S. Francisco de Sales). O apelo do Papa Francisco atrai a aten\u00e7\u00e3o, antes de tudo, pela for\u00e7a e a determina\u00e7\u00e3o com que ele sustenta que a santidade \u00e9 um chamado dirigido a todos, n\u00e3o apenas a poucos, enquanto corresponde ao projeto fundamental de Deus sobre n\u00f3s. \u00c9 destinado, ent\u00e3o, \u00e0 gente comum, \u00e0 gente que acompanhamos na vida cotidiana ordin\u00e1ria, feita de coisas simples, t\u00edpicas da gente comum.<br \/>\nN\u00e3o se trata de uma santidade para poucos her\u00f3is ou pessoas extraordin\u00e1rias, mas de um modo ordin\u00e1rio de viver a exist\u00eancia crist\u00e3 normal; um modo de viver a vida crist\u00e3 encarnada no contexto atual com os riscos, os desafios e as oportunidades que Deus nos oferece no caminho da vida.<br \/>\nA Sagrada Escritura convida-nos a ser santos: \u00abSede perfeitos como \u00e9 perfeito o vosso Pai celeste\u00bb (Mt 5,48); e: \u00abSede santos, porque eu [o Senhor] sou santo\u00bb (Lv 11,44).<br \/>\nH\u00e1, portanto, um convite expl\u00edcito a vivenciar e testemunhar a perfei\u00e7\u00e3o do amor, que n\u00e3o \u00e9 diferente da santidade. A santidade mesma consiste, de fato, na perfei\u00e7\u00e3o do amor; um amor que, antes de tudo, se fez carne em Cristo.<br \/>\nTamb\u00e9m S\u00e3o Paulo, na carta aos Hebreus, referindo-se ao Pai, escreve: \u00abN\u2019Ele [Cristo, o Pai] nos escolheu, antes da funda\u00e7\u00e3o do mundo, para sermos santos e \u00edntegros diante dele, na caridade, predestinando-nos a ser para ele filhos adotivos mediante Jesus Cristo, segundo o des\u00edgnio de amor da sua vontade, para louvor do esplendor da sua gra\u00e7a, com que nos agraciou no Filho amado\u00bb (Fl 1,4-6). N\u00e3o mais servos, portanto, mas amigos (cf. Jo 15,15). N\u00e3o mais estrangeiros nem h\u00f3spedes, mas concidad\u00e3os dos santos e familiares de Deus (cf. Ef 2,19). Portanto, todos e cada um somos chamados \u00e0 santidade: ela \u00e9 a vida plena e realizada, segundo o des\u00edgnio de Deus, na plena comunh\u00e3o com Ele e com os irm\u00e3os.<br \/>\nN\u00e3o se trata, ent\u00e3o, de uma perfei\u00e7\u00e3o reservada a poucos, mas de um apelo feito a todos.<br \/>\nAlgo de infinitamente precioso que, entretanto, n\u00e3o \u00e9 raro ou estanho, mas faz parte da voca\u00e7\u00e3o comum dos crentes. \u00c9 a bela proposta que Deus oferece a cada homem e mulher.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 um itiner\u00e1rio de falsa espiritualidade, que afasta da plenitude da vida, mas \u00e9 a plenitude de humanidade, aperfei\u00e7oada pela Gra\u00e7a. A \u201cvida em abund\u00e2ncia\u201d, como Jesus promete. Nem \u00e9 uma caracter\u00edstica homologat\u00f3ria, banaliza\u00e7\u00e3o ou rigidez; mas resposta ao sopro sempre novo do Esp\u00edrito, que estabelece comunh\u00e3o valorizando as diferen\u00e7as, pois \u00e9 o Esp\u00edrito que \u00abest\u00e1 na pr\u00f3pria origem da quest\u00e3o existencial e religiosa do homem\u00bb(4).<br \/>\nN\u00e3o se trata de um conjunto de valores abstratamente subscritos e honrados de maneira formalista, mas da harmonia de todas as virtudes que encarnam os valores na vida.<br \/>\nNem mera capacidade de resistir ao mal para apegar-se ao bem, mas atitude est\u00e1vel, decidida e alegre de viver bem o bem.<br \/>\nNem meta que se alcan\u00e7a num instante, mas caminho progressivo, segundo a paci\u00eancia e a benevol\u00eancia de Deus, que interpela a liberdade e o empenho pessoal.<br \/>\nNem atitude excludente perante o diverso, mas experi\u00eancia fundamental do verdadeiro, do bom, do justo e do belo.<br \/>\nEnfim, a santidade \u00e9 a vida segundo as bem-aventuran\u00e7as, para ser sal e luz do mundo; caminho de profunda Humaniza\u00e7\u00e3o, como \u00e9 toda experi\u00eancia espiritual aut\u00eantica. Por isso, ser santo n\u00e3o exige alienar-se de si ou afastar-se dos pr\u00f3prios irm\u00e3os, mas viver uma intensa vida corajosa, humanizante, e uma experi\u00eancia (\u00e0s vezes trabalhosa) de comunh\u00e3o e de rela\u00e7\u00e3o com os outros.<br \/>\n<strong>\u201cSer santo\u201d \u00e9 a primeira e mais urgente ocupa\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o<\/strong><br \/>\nSanto Agostinho afirma: \u00abA minha vida ser\u00e1 verdadeira vida, toda cheia de ti\u00bb (5). \u00c9 n\u2019Ele, isto \u00e9, em Deus mesmo, que est\u00e1 a raz\u00e3o da possibilidade do caminho de santidade na sequela de Cristo. O caminho da santidade torna-se poss\u00edvel ao crist\u00e3o pelo dom de Deus em Cristo: n\u2019Ele \u2013 de quem os santos e, por primeiro, a Virgem Maria, s\u00e3o reflexo maravilhoso \u2013 revela-se ao mesmo tempo a plenitude do rosto do Pai e o verdadeiro rosto do homem.<br \/>\nEm Jesus Cristo, o rosto de Deus e o rosto do homem resplendem \u201cjuntos\u201d. Em Jesus encontramos o homem da Galileia e o rosto do Pai: \u00abQuem me viu, viu o Pai\u00bb (Jo 14,9).<br \/>\nJesus, Verbo feito carne, \u00e9 a plena e definitiva palavra do Pai. Desde o momento da encarna\u00e7\u00e3o, a vontade de Deus \u00e9 encontrada na pessoa de Cristo. Ele nos mostra qual \u00e9 o projeto de Deus para o homem e a mulher, qual \u00e9 a sua vontade e a maneira de corresponder-Lhe na sua vida, nas suas palavras e nos seus sil\u00eancios, nas suas escolhas e nas suas a\u00e7\u00f5es, e sobretudo na sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO projeto de Deus para cada um de n\u00f3s hoje \u00e9 simplesmente a plenitude da vida crist\u00e3 que se mede segundo a estatura que Cristo alcan\u00e7a em n\u00f3s, e o grau que, com a gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, modelamos a nossa vida segundo a de Jesus, o Senhor. N\u00e3o significa, pois, fazer coisas extraordin\u00e1rias, mas viver unidos ao Senhor, fazendo nossos os seus gestos, pensamentos e comportamentos. De fato, tamb\u00e9m aproximar-se da Eucaristia significa exprimir e testemunhar que desejamos assumir e fazer nosso o estilo, o modo de vida e a mesma miss\u00e3o de Jesus Cristo.<br \/>\nO Conc\u00edlio Vaticano II, na Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Igreja, proclamara corajosamente o chamado universal \u00e0 santidade, afirmando que ningu\u00e9m est\u00e1 exclu\u00eddo dele: \u00abNos v\u00e1rios g\u00eaneros e ocupa\u00e7\u00f5es da vida, \u00e9 sempre a mesma a santidade que \u00e9 cultivada por aqueles que s\u00e3o conduzidos pelo Esp\u00edrito de Deus e, obedientes \u00e0 voz do Pai, adorando em esp\u00edrito e verdade a Deus Pai, seguem a Cristo pobre, humilde, e levando a cruz, a fim de merecerem ser participantes da Sua gl\u00f3ria\u00bb (LG, 41).<br \/>\n<strong>A \u201csantidade ao p\u00e9 da porta\u201d e o chamado universal \u00e0 santidade<\/strong><br \/>\nEdith Stein, ainda ateia, escreve que recebeu de dois encontros o incentivo decisivo para a convers\u00e3o: com a esposa de um amigo morto em guerra, que, ficando vi\u00fava, embora na dor lacerante, atestava a surpreendente luz e for\u00e7a da f\u00e9; e, numa igreja (onde Edith estava apenas por interesse art\u00edstico) com uma senhora idosa, que entrara com a sacola de compras, bem no meio de um dia cheio de compromissos, para viver um momento de intensa confian\u00e7a e adora\u00e7\u00e3o a Jesus Eucaristia.<br \/>\nDom Bosco teve por m\u00e3e e primeira mestra Margarida Occhiena, uma camponesa simples, sem instru\u00e7\u00e3o, sem qualquer prepara\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica, mas com a intelig\u00eancia do cora\u00e7\u00e3o e a obedi\u00eancia da f\u00e9.<br \/>\nSanta Teresa de Lisieux dizia que quando crian\u00e7a n\u00e3o entendia muito o que o sacerdote dizia, mas que lhe bastava olhar o rosto de seu pai Lu\u00eds para entender tudo.<br \/>\nNenhum destes leigos \u2013 Ana Reinach, amiga de Edith, a senhora desconhecida com a sacola de compras, mam\u00e3e Margarida ou o papai Lu\u00eds Martin \u2013 jamais pensou em ser santo, nem percebeu o influxo exercido sobre as pessoas ao redor, com o seu modo de agir normal.<br \/>\nA presen\u00e7a dessas figuras simples e decididas, destes \u00absantos ao p\u00e9 da porta\u00bb \u2013 como s\u00e3o definidos pelo Papa Francisco (GE, 7) \u2013 recorda que na vida o importante \u00e9 ser santo, n\u00e3o ser um dia reconhecido como tal. E ajuda a refletir sobre o fato de os santos canonizados alcan\u00e7arem primeiramente a santidade humilde do povo de Deus: a gl\u00f3ria de uns \u00e9 tamb\u00e9m a gl\u00f3ria dos outros, numa profunda e solid\u00edssima comunh\u00e3o.<br \/>\nViver a santidade \u00e9, ent\u00e3o, fazer a experi\u00eancia de ser precedido e salvo e aprender a corresponder a esse amor fiel. \u00c9 a responsabilidade de responder a um grande dom.<br \/>\nNeste sentido, talvez, uma das contribui\u00e7\u00f5es mais importantes para a espiritualidade crist\u00e3 \u00e9 a do Bispo de Genebra, Francisco de Sales, com o seu esfor\u00e7o de propor a santidade para todos, fazendo repassar ao mundo a \u201cdevo\u00e7\u00e3o\u201d dos claustros. Ele escreve em sua admir\u00e1vel obra Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 vida devota: \u00abNa cria\u00e7\u00e3o, Deus ordenou \u00e0s plantas que produzissem cada uma os seus frutos, segundo a sua esp\u00e9cie; da mesma forma, Ele quer que os crist\u00e3os, plantas vivas da sua Igreja, produzam frutos de devo\u00e7\u00e3o, cada um segundo a sua qualidade, o seu estado e a sua voca\u00e7\u00e3o. A devo\u00e7\u00e3o deve ser praticada de maneiras diferentes pelo nobre, pelo oper\u00e1rio, pelo servo, pelo pr\u00edncipe, pela vi\u00fava, pela solteira e pela casada. E isso n\u00e3o basta, mas \u00e9 necess\u00e1rio que a pr\u00e1tica da devo\u00e7\u00e3o seja adequada \u00e0s for\u00e7as, \u00e0s ocupa\u00e7\u00f5es e \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es de cada um em particular. [\u2026] Em qualquer estado vivermos, pode-se e deve-se aspirar \u00e0 vida perfeita\u00bb(6).<br \/>\nA hist\u00f3ria da Igreja \u00e9 marcada intensamente por muitas mulheres e muitos homens que, com a sua f\u00e9, com a sua caridade e com a sua vida foram como far\u00f3is que iluminaram e continuam a iluminar muitas gera\u00e7\u00f5es ao longo do tempo, inclusive neste. Eles s\u00e3o o testemunho vivo de como a for\u00e7a do Ressuscitado alcan\u00e7ou na vida deles um n\u00edvel tal, que, como S\u00e3o Paulo, puderam afirmar (muitas vezes sem usar as palavras): \u00abN\u00e3o sou mais eu que vivo, mas \u00e9 Cristo que vive em mim\u00bb (Gl 2,20). E o manifestaram, \u00e0s vezes, com \u00abo oferecimento da pr\u00f3pria vida pelos outros, mantido at\u00e9 \u00e0 morte\u00bb (GE, 5). Entretanto, tamb\u00e9m existe a santidade sem nome, daqueles que\u00a0n\u00e3o chegaram \u00e0 honra dos altares, cuja vida \u00abtalvez n\u00e3o tenha sido sempre perfeita, mas, mesmo no meio de imperfei\u00e7\u00f5es e quedas, continuaram a caminhar e agradaram ao Senhor\u00bb (GE, 3). \u00c9 a santidade da pr\u00f3pria m\u00e3e, de uma av\u00f3 ou de outras pessoas pr\u00f3ximas; \u00e9 a santidade do matrim\u00f4nio, que \u00e9 um bel\u00edssimo itiner\u00e1rio de crescimento no amor; \u00e9 a santidade dos pais que educam, amadurecem e se entregam generosamente aos filhos, muitas vezes com sacrif\u00edcios n\u00e3o previstos. Homens e mulheres, recorda o Papa, que trabalham intensamente para garantir o p\u00e3o em casa. Enfermos que vivem a pr\u00f3pria doen\u00e7a em paz e com esp\u00edrito de f\u00e9, em uni\u00e3o com Jesus sofredor; religiosas idosas, com uma vida entregue e consumida, que ainda t\u00eam um sorriso e uma esperan\u00e7a\u2026 (cf. GE, 7).<br \/>\nPode-se afirmar com certeza que em todas as \u00e9pocas da hist\u00f3ria da Igreja e em todas as latitudes houve, e h\u00e1, santos de todas as idades, de todas as condi\u00e7\u00f5es de vida, com caracter\u00edsticas muito diferentes umas das outras.<br \/>\nExpressou-o muito bem o Papa Bento XVI quando deu o seu testemunho pessoal dizendo: \u00abGostaria de acrescentar que para mim n\u00e3o s\u00f3 alguns grandes santos que amo e que conhe\u00e7o bem s\u00e3o \u201cindica\u00e7\u00f5es estradais\u201d, mas precisamente tamb\u00e9m os santos simples, ou seja as pessoas boas que vejo na minha vida, que nunca ser\u00e3o canonizadas. S\u00e3o pessoas normais, por assim dizer, sem hero\u00edsmo vis\u00edvel, mas vejo a verdade da f\u00e9 na sua bondade de todos os dias\u00bb(7).<br \/>\nCertamente, encontramos tudo isso no modo com que tantas pessoas encarnaram o itiner\u00e1rio crist\u00e3o na pr\u00f3pria vida. Alguns podem parecer \u201cpequenos\u201d e outros \u201cgrandes\u201d; todos, por\u00e9m, percorrem um caminho atraente e fascinante.<br \/>\nO mesmo Papa Bento conclui com uma precios\u00edssima express\u00e3o que, no meu modo de ver, pode resumir magnificamente a mensagem da Estreia deste ano, quando diz: \u00ab<em>Queridos amigos, como \u00e9 grande e bela, e tamb\u00e9m simples, a voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 vista sob esta luz! Todos somos chamados \u00e0 santidade: \u00e9 a pr\u00f3pria medida da vida crist\u00e3<\/em>\u00bb(8).<br \/>\n<strong>Maria de Nazar\u00e9: uma luz singular no caminho da santidade<\/strong><br \/>\nTodos esses itiner\u00e1rios simples e muitas vezes an\u00f4nimos de santidade t\u00eam sempre um modelo para o qual olhar e no qual se espelhar. A santidade crist\u00e3 tem seu modelo mais belo e mais pr\u00f3ximo em Maria de Nazar\u00e9, a M\u00e3e do Senhor, do Filho de Deus.<br \/>\nMaria \u00e9 a mulher do \u201cEis-me aqui\u201d, da plena e total disponibilidade \u00e0 vontade de Deus. Dizendo: \u00abFa\u00e7a-se em mim segundo a tua palavra\u00bb (Lc 1,38), Maria declara encontrar a plena e profunda felicidade em tudo o que aquele \u201c<em>fiat<\/em>\u201d supunha na f\u00e9. N\u00e3o s\u00f3 quando o Filho deixa sua casa e se afasta d\u2019Ela, para realizar a miss\u00e3o do Pai; mas tamb\u00e9m no momento extremo em que Maria experimenta a dor pela Sua crucifix\u00e3o e morte. Uma dor atroz vivida como m\u00e3e.<br \/>\nEm Maria, M\u00e3e do Senhor, podemos encontrar a riqueza de\u00a0<em>uma vida que acolheu o plano de Deus em todos os instantes<\/em>; uma vida que foi um \u201ceis-me aqui\u201d permanente falado a Deus. Como\u00a0\u00e9 fascinante, nessa perspectiva, contemplar Maria e meditar o valor da exist\u00eancia humana e o seu significado pleno no horizonte da eternidade!<br \/>\nA acolhida corajosa do misterioso plano de Deus leva Maria a ser M\u00e3e de todos os crentes, modelo de escuta e acolhida da Palavra de Deus para cada um de n\u00f3s e guia segura para a santidade. E isso porque nos ensina que s\u00f3 Deus torna grande a nossa vida. \u00abSomente se Deus \u00e9 grande, o homem tamb\u00e9m \u00e9 grande. Com Maria devemos come\u00e7ar a entender que \u00e9 assim. N\u00e3o devemos distanciar-nos de Deus, mas tornar Deus presente; fazer com que Ele seja grande na nossa vida; assim tamb\u00e9m n\u00f3s nos tornamos divinos; todo o esplendor da dignidade divina ent\u00e3o \u00e9 nosso\u00bb(9).<br \/>\nPor essa raz\u00e3o \u00e9 impens\u00e1vel que o caminho f\u00e1cil da santidade possa ser percorrido pelo crist\u00e3o sem olhar para Maria como M\u00e3e.\u00a0<em>Contempl\u00e1-la \u00e9 aprender a crer, aprender a esperar, aprender a amar<\/em>. E se rezarmos como Ela e com Ela, experimentaremos com certeza no nosso caminho cotidiano aquela consola\u00e7\u00e3o que s\u00f3 pode vir de Deus. E ainda, invocando-a como M\u00e3e do Filho de Deus, abriremos os nossos cora\u00e7\u00f5es ao dom da sua intercess\u00e3o como M\u00e3e do Filho e dos seus filhos(10).<br \/>\n<strong>Com sensibilidade salesiana\u2026<\/strong><br \/>\nPortanto, poder-se-ia dizer que quando algu\u00e9m se faz santo, tem tudo; e se n\u00e3o se faz santo, perde tudo. A meta da santidade e o apelo, quase dolorosamente comovente, para alcan\u00e7\u00e1-la, \u00e9 tamb\u00e9m a grande mensagem de Dom Bosco, o eixo ao redor do qual gira toda a sua proposta espiritual e o seu testemunho de vida.<br \/>\nA santidade proposta por Dom Bosco \u00e9 f\u00e1cil e simp\u00e1tica, mas tamb\u00e9m vigorosa e assim \u00e9 comunicada. Na afirma\u00e7\u00e3o de Domingos S\u00e1vio: \u00abEu quero fazer-me santo, sinto que devo fazer-me santo e estarei infeliz enquanto n\u00e3o for santo\u00bb(11), ressoa muito \u2013 se n\u00e3o tudo \u2013 do que Dom Bosco soubera transmitir-lhe, desde a prega\u00e7\u00e3o em que Domingos pudera escutar estas encorajadoras palavras: \u00ab\u00c9 muito f\u00e1cil conseguir este intento [fazer-se santo]; ter\u00e1 um grande pr\u00eamio no c\u00e9u quem conseguir tornar-se santo\u00bb(12). Dom Bosco continua escrevendo que essa prega\u00e7\u00e3o foi a centelha que inflamou o cora\u00e7\u00e3o de Domingos S\u00e1vio fazendo dele um enamorado de Deus.<br \/>\nNa sabedoria de Dom Bosco, que moderava o desejo penitencial de Domingos e lhe recomendava maior fidelidade \u00e0 vida de ora\u00e7\u00e3o, ao estudo e aos deveres bem realizados, e a assiduidade no recreio (e digamos tamb\u00e9m toda a dimens\u00e3o da vida de relacionamento), emergia a consci\u00eancia, tipicamente salesiana, do chamado universal \u00e0 santidade.<br \/>\nNa funda\u00e7\u00e3o da Sociedade de S. Francisco de Sales, antes, e do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, depois (com Maria Domingas Mazzarello cofundadora), Dom Bosco prop\u00f5e at\u00e9 hoje como objetivo a santifica\u00e7\u00e3o dos seus membros(13).<br \/>\nRecorda-o o Padre Rua aos Salesianos, pouco depois, quando os exorta com estas palavras: \u00abIsso nos inculcou o nosso amad\u00edssimo Dom Bosco tamb\u00e9m no 1\u00ba artigo da Santa Regra, onde nos diz que finalidade da nossa Pia Sociedade \u00e9, primeiro, a perfei\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos seus membros e, depois, toda obra de caridade espiritual e corporal pela juventude\u00bb(14). Sem ela, qualquer est\u00edmulo apost\u00f3lico se revelaria est\u00e9ril. Dom Bosco sabe perfeitamente que o primeiro, mais radical e decisivo modo de ajudar os outros \u00e9 ser santo.<br \/>\nNesta \u00abescola de nova atraente espiritualidade apost\u00f3lica\u00bb(15), Dom Bosco l\u00ea o evangelho com originalidade pedag\u00f3gica e pastoral, que \u00abcomporta essencialmente uma \u201cs\u00edntese nova\u201d, equilibrada, harmoniosa e, a seu modo, org\u00e2nica dos elementos comuns \u00e0 santidade crist\u00e3, em que as virtudes e os meios de santifica\u00e7\u00e3o t\u00eam uma pr\u00f3pria coloca\u00e7\u00e3o, uma dosagem, uma simetria e uma beleza que os caracterizam\u00bb(16).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>2. JESUS \u00c9 A FELICIDADE<\/strong><br \/>\nA proposta da santidade \u00e9 dirigia a todo crist\u00e3o, porque ela \u00e9 plenitude de vida e sin\u00f4nimo de felicidade, de bem-aventuran\u00e7a. E n\u00f3s crist\u00e3os encontramos a felicidade seguindo Jesus Cristo.<br \/>\nEssas palavras s\u00e3o dirigidas aos jovens; s\u00e3o para eles, mas bem sabemos que \u00ab<strong>a santidade \u00e9 tamb\u00e9m para voc\u00ea<\/strong>\u00bb, isto \u00e9, para todos: jovens, educadores, pais e m\u00e3es, leigas e leigos consagrados, religiosas, religiosos, presb\u00edteros. Resumindo, estas minhas palavras s\u00e3o dirigidas a todos e a cada um dos membros da nossa Fam\u00edlia Salesiana, de modo que todos nos sintamos inclu\u00eddos, e referem-se naturalmente tamb\u00e9m a todo o Povo de Deus.<br \/>\nS\u00e3o muito belas as mensagens que o Papa Jo\u00e3o Paulo II, o Papa Bento XVI e o Papa Francisco enviaram aos jovens, com grande convic\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o nos deveriam ser estranhas. Recolherei apenas uma pequena amostra dessas mensagens, com um denominador comum: em todas elas, os Papas pedem aos jovens para correrem o risco de aceitar Jesus como garantia da pr\u00f3pria felicidade.<br \/>\nFoi esse o grande desafio lan\u00e7ado por S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II quando disse aos jovens do mundo: \u00ab<strong>Na realidade, \u00e9 Jesus quem buscais quando sonhais a felicidade<\/strong>; \u00e9 Ele quem vos espera, quando nada do que encontrais vos satisfaz; Ele \u00e9 a beleza que tanto vos atrai; \u00e9 Ele quem vos provoca com aquela sede de radicalidade que n\u00e3o vos deixa ceder a compromissos; \u00e9 Ele quem vos impele a depor as m\u00e1scaras que tornam a vida falsa; \u00e9 Ele quem vos l\u00ea no cora\u00e7\u00e3o as decis\u00f5es mais verdadeiras que outros quereriam sufocar. \u00c9 Jesus quem suscita em v\u00f3s o desejo de fazer da vossa vida algo de grande, a vontade de seguir um ideal, a recusa de vos deixardes submergir pela\u00a0mediocridade, a coragem de vos empenhardes, com humildade e perseveran\u00e7a, no aperfei\u00e7oamento de v\u00f3s pr\u00f3prios e da sociedade, tornando-a mais humana e fraterna\u00bb(17).<br \/>\nN\u00e3o menos expl\u00edcito foi o Papa Bento XVI quando disse aos jovens: \u00abQueridos jovens, a felicidade que procurais, a felicidade que tendes o direito de saborear tem um nome, um rosto: o de Jesus de Nazar\u00e9, oculto na Eucaristia. [\u2026] Disto estai plenamente convictos: Cristo de nada vos priva do que tendes em v\u00f3s de belo e de grande, mas tudo leva \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o para a gl\u00f3ria de Deus, a felicidade dos homens e a salva\u00e7\u00e3o do mundo. [\u2026] Deixai-vos surpreender por Cristo! Concedei-lhe o \u201cdireito de vos falar\u201d durante estes dias!\u00bb(18).<br \/>\nE o Papa Francisco diz aos jovens que a felicidade n\u00e3o \u00e9 negoci\u00e1vel, n\u00e3o admite reduzir expectativas em n\u00edveis que, afinal, n\u00e3o a garantem de modo s\u00f3lido e elevado, mas somente como algo que pode ser consumido em \u201cpequenas doses\u201d e que, como vem, vai e, naturalmente, n\u00e3o \u00e9 a verdadeira felicidade ou um itiner\u00e1rio humano de realiza\u00e7\u00e3o plena: \u00abA vossa felicidade n\u00e3o tem pre\u00e7o, nem se comercializa; n\u00e3o \u00e9 um \u201capp\u201d que se descarrega do celular\u00bb(19).<br \/>\n<strong>Dom Bosco quer os seus jovens felizes no tempo e na eternidade<\/strong><br \/>\nNa abertura da \u201cCarta de Roma\u201d, de 10 de maio de 1884, Dom Bosco escreve aos seus jovens: \u00abMeu \u00fanico desejo \u00e9 ver-vos felizes no tempo e na eternidade\u00bb(20).<br \/>\nAo concluir a sua vida terrena, essas palavras resumem o cora\u00e7\u00e3o da sua mensagem aos jovens de todas as \u00e9pocas e do mundo inteiro. Ser feliz, como meta sonhada por todos os jovens, hoje, amanh\u00e3, no tempo. Mas n\u00e3o s\u00f3. \u201cNa eternidade\u201d \u00e9 o que s\u00f3 Jesus e a sua proposta de felicidade sabe oferecer a mais, justamente a santidade.<br \/>\nO mundo, as sociedades de todas as na\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00e3o capazes de propor este \u201cpara sempre\u201d, e nem sequer a felicidade eterna. Deus, sim.<br \/>\nEm Dom Bosco, tudo isso estava muito claro, e ele foi capaz de semear nos seus jovens o desejo intenso de serem santos, de viverem para Deus e alcan\u00e7arem o para\u00edso: \u00abGuiou os jovens pelo caminho da santidade simples, serena e alegre, unindo numa s\u00f3 experi\u00eancia de vida o p\u00e1tio, o estudo s\u00e9rio e o constante senso do dever\u00bb(21).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>3. SANTOS PARA OS JOVENS E COM OS JOVENS<\/strong><br \/>\nA santidade caracter\u00edstica do carisma salesiano em que h\u00e1 espa\u00e7o para todos, consagrados e leigos, tem, ainda, a sua tradu\u00e7\u00e3o mais espec\u00edfica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade juvenil. O Padre Pascual Ch\u00e1vez, meu predecessor, escreveu no in\u00edcio do seu minist\u00e9rio na carta\u00a0<em>Queridos salesianos, sede santos!<\/em>\u201d: \u00abOs pr\u00f3prios jovens ajudaram Dom Bosco a iniciar, na experi\u00eancia di\u00e1ria, um estilo de\u00a0santidade nova, na medida das exig\u00eancias t\u00edpicas do desenvolvimento do jovem. Foram assim, de alguma maneira, contemporaneamente disc\u00edpulos e mestres. A nossa santidade \u00e9 uma santidade para os jovens e com os jovens; porque, tamb\u00e9m na procura da santidade, \u201cos jovens e os Salesianos caminham juntos\u201d: ou nos santificamos com eles, caminhando e aprendendo com eles, ou jamais seremos santos\u00bb(22). O aut\u00eantico cora\u00e7\u00e3o salesiano da nossa Fam\u00edlia deve ser santo para alcan\u00e7ar os jovens; mas n\u00e3o ignora o dever, ainda mais radical, de santificar-se entre os jovens e\u00a0<em>com<\/em>\u00a0eles.<br \/>\nEsse desejo pode ser referido a todos e a cada um dos 31 grupos que formam a nossa Fam\u00edlia Salesiana. Com verdadeiro interesse, busquei refer\u00eancias \u00e0 santidade nas Constitui\u00e7\u00f5es e nos Regulamentos das diversas Congrega\u00e7\u00f5es da nossa Fam\u00edlia, no Projeto de Vida Apost\u00f3lica dos Salesianos Cooperadores, dos Ide\u00e1rios, Estatutos e Regulamentos (quaisquer que sejam os seus nomes) de todos os grupos que pertencem \u00e0 \u00e1rvore do nosso carisma. Posso assegurar-vos que, num modo ou noutro, todos contemplamos a santidade como um objetivo e uma finalidade para a qual nascemos tamb\u00e9m como institui\u00e7\u00e3o religiosa, a fim de obt\u00ea-la em nossa pr\u00f3pria vida. Uma santidade, portanto, que \u00e9 proposta a cada um dos membros e que se prop\u00f5e como objetivo no apostolado voltado para os outros.<br \/>\n<strong>A juventude, um tempo para a santidade<\/strong><br \/>\nConvencidos de que \u00aba santidade \u00e9 o rosto mais belo da Igreja\u00bb (GE, 9), antes de prop\u00f4-la aos jovens n\u00f3s todos somos chamados a viv\u00ea-la e testemunh\u00e1-la, sendo dessa forma uma comunidade \u201csimp\u00e1tica\u201d, como narram os Atos dos Ap\u00f3stolos (cf. GE, 93). S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel acompanhar os jovens pelos caminhos da santidade vivendo essa coer\u00eancia.<br \/>\nSe Santo Ambr\u00f3sio afirmava que \u00abtoda idade \u00e9 madura para a santidade\u00bb(23), sem d\u00favida o \u00e9 tamb\u00e9m a juventude! A Igreja reconhece na santidade de numerosos jovens a gra\u00e7a de Deus que antecipa e acompanha a hist\u00f3ria de cada um, o valor educativo dos sacramentos da Eucaristia e da Reconcilia\u00e7\u00e3o, a fecundidade de itiner\u00e1rios compartilhados na f\u00e9 e na caridade, a carga prof\u00e9tica destes \u201ccampe\u00f5es\u201d, que muitas vezes sigilaram no sangue o seu ser disc\u00edpulos de Cristo e mission\u00e1rios do Evangelho. A linguagem mais exigida pelos jovens de hoje \u00e9 o\u00a0<em>testemunho de uma vida aut\u00eantica<\/em>. Por isso, a vida de jovens santos \u00e9 a verdadeira palavra da Igreja; e o convite a empreender uma vida santa \u00e9 o apelo mais necess\u00e1rio de que precisam os jovens de hoje. O aut\u00eantico dinamismo espiritual e a fecunda pedagogia da santidade n\u00e3o frustram as aspira\u00e7\u00f5es profundas dos jovens: a necessidade que t\u00eam de vida, amor, progresso, alegria, liberdade, futuro e, tamb\u00e9m, de miseric\u00f3rdia e reconcilia\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCertamente, a proposta tem um sabor de verdadeiro desafio. Se, de um lado \u00e9 muito atraente, de outro, causa receio e indecis\u00e3o. \u00c9 preciso superar o risco de nos resignarmos \u00abcom uma vida med\u00edocre, superficial e indecisa\u00bb (GE, 1); sup\u00f5e vencer a tenta\u00e7\u00e3o do \u201cviver de qualquer jeito\u201d, porque o desafio da santidade n\u00e3o \u00e9 outra coisa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida de todos os dias, mas exatamente a mesma exist\u00eancia ordin\u00e1ria vivida de maneira extraordin\u00e1ria, porque se faz bela pela gra\u00e7a de Deus. O fruto do Esp\u00edrito Santo \u00e9, de fato, uma vida vivida na alegria e no amor, e nisso consiste a santidade. Nesse sentido \u00e9 precioso o exemplo que o Papa nos oferece na Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica apresentando o testemunho de vida do Cardeal Francisco Xavier Nguy\u00ean Van Thu\u00e2n, que viveu longos anos na pris\u00e3o. Ele renunciou a consumir-se na expectativa da liberta\u00e7\u00e3o e tomou outra decis\u00e3o: \u00abvivo o momento presente, cumulando-o de amor e [\u2026] agarro as ocasi\u00f5es que v\u00e3o surgindo cada dia para realizar a\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias de maneira extraordin\u00e1ria\u00bb (GE, 17).<br \/>\n<strong>Jovens santos e juventude dos santos<\/strong><br \/>\n\u00abJesus convida cada um de seus disc\u00edpulos ao dom total da vida, sem c\u00e1lculos ou interesses humanos. Os santos acolhem este exigente convite e come\u00e7am a seguir, com docilidade humilde, o Cristo Crucificado e Ressuscitado. A Igreja contempla no c\u00e9u da santidade uma constela\u00e7\u00e3o cada vez mais numerosa e luminosa de crian\u00e7as, adolescentes e jovens santos e beatos que, desde as primeiras comunidades crist\u00e3s, chegam at\u00e9 n\u00f3s. Ao invoc\u00e1-los como protetores, a Igreja prop\u00f5e-nos os jovens como refer\u00eancias para a sua exist\u00eancia\u00bb(24). Em v\u00e1rias pesquisas, tamb\u00e9m nas preparat\u00f3rias para o S\u00ednodo dos Bispos sobre os jovens, os pr\u00f3prios jovens reconhecem ser \u00abmais receptivos diante de \u201cuma narrativa de vida\u201d que diante de um abstrato serm\u00e3o teol\u00f3gico\u00bb(25) e consideram como muito relevante para eles a vida dos santos. Por isso, sem d\u00favida, torna-se importante apresent\u00e1-los de modo adequado \u00e0 sua idade e condi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTamb\u00e9m se deve recordar que, com os \u201cSantos jovens\u201d, \u00e9 preciso apresentar aos jovens a \u201cjuventude dos Santos\u201d. Todos os Santos, com efeito, passaram pela idade juvenil e seria \u00fatil aos jovens de hoje mostrar a maneira com que os Santos viveram o pr\u00f3prio tempo de juventude. Poder-se-ia captar muitas situa\u00e7\u00f5es juvenis nem simples nem f\u00e1ceis, nas quais, por\u00e9m, Deus est\u00e1 presente e misteriosamente ativo. Mostrar que a Sua gra\u00e7a est\u00e1 em a\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos caminhos tortuosos da constru\u00e7\u00e3o paciente de uma santidade que amadurece ao longo do tempo por muitos caminhos imprevistos; isso pode ajudar os jovens, nenhum deles exclu\u00eddo, a cultivar a esperan\u00e7a de uma santidade sempre poss\u00edvel.<br \/>\nO \u00faltimo n\u00famero do documento final da reuni\u00e3o pr\u00e9-sinodal do S\u00ednodo afirma, em sintonia com o que estamos dizendo, que tamb\u00e9m a santidade dos jovens participa da santidade da Igreja, porque \u00abos jovens s\u00e3o parte integrante da Igreja. E, portanto, tamb\u00e9m a sua santidade, que nestes \u00faltimos dec\u00eanios produziu um multiforme florescimento em todas as partes do mundo: contemplar e meditar durante o S\u00ednodo a coragem de tantos jovens que renunciaram \u00e0 sua vida desde que se mantivessem fi\u00e9is ao Evangelho foi comovedor para n\u00f3s; escutar os testemunhos dos jovens presentes no S\u00ednodo que, em meio a persegui\u00e7\u00f5es escolheram compartilhar a paix\u00e3o do Senhor Jesus foi regenerador. Atrav\u00e9s da santidade dos jovens a Igreja pode renovar o seu ardor espiritual e o seu vigor apost\u00f3lico\u00bb(26).<br \/>\n<strong>4. O QUE SIGNIFICA DIZER \u201cA SANTIDADE TAMB\u00c9M \u00c9 PARA VOC\u00ca\u201d?<\/strong><br \/>\nO Papa Francisco expressa-o de modo simples e direto.<br \/>\nDepois de afirmar que para ser santo n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser bispo, sacerdote, religiosa ou religioso, acrescenta: \u00abTodos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o pr\u00f3prio testemunho nas ocupa\u00e7\u00f5es de cada dia, onde cada um se encontra. \u00c9s uma consagrada ou um consagrado? S\u00ea santo, vivendo com alegria a tua doa\u00e7\u00e3o. Est\u00e1s casado? S\u00ea santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. \u00c9s um trabalhador? S\u00ea santo, cumprindo com honestidade e compet\u00eancia o teu trabalho ao servi\u00e7o dos irm\u00e3os. \u00c9s progenitor, av\u00f3 ou av\u00f4? S\u00ea santo, ensinando com paci\u00eancia as crian\u00e7as a seguirem Jesus. Est\u00e1s investido em autoridade? S\u00ea santo, lutando pelo bem-comum e renunciando aos teus interesses pessoais (GE 14).<br \/>\nIsso nos encoraja a traduzir em palavras simples o desafio que temos e que se apresenta como preciosa provoca\u00e7\u00e3o a todos e cada um de n\u00f3s, em todas as idades e etapas da vida.<br \/>\nO que \u00e9, ent\u00e3o, a santidade, esta santidade que nos \u00e9 apresentada t\u00e3o pr\u00f3xima e acess\u00edvel aos jovens, \u00e0 mulher e ao homem de hoje?<br \/>\n\u2192 \u00c9 algo pr\u00f3ximo, real, concreto, poss\u00edvel. Melhor ainda, \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o fundamental ao amor como reconhece o Conc\u00edlio Vaticano II (LG, 11); a alma, a ess\u00eancia desse apelo \u00e0 santidade para todas as pessoas \u00e9 a caridade plenamente vivida: \u00abDeus \u00e9 amor; quem permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele\u00bb (1Jo 4,16).<br \/>\n\u2192 \u00c9 fazer frutificar a gra\u00e7a do Batismo sem ter medo que Deus nos pe\u00e7a demasiado: \u00abDeixa que a gra\u00e7a do teu Batismo frutifique num caminho de santidade. Deixa que tudo esteja aberto a Deus e, para isso, opta por Ele, escolhe Deus sem cessar\u00bb (EG, 15). Concretamente, trata-se de viver no Esp\u00edrito, deixar-se guiar na simplicidade da vida cotidiana pelo Esp\u00edrito Santo, sem ter medo de mirar as alturas, deixando-se amar e libertar pelo pr\u00f3prio Deus.<br \/>\nO Papa Bento XVI convidava os jovens, todos os jovens a \u00ababrir-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, que transforma a nossa vida, para sermos tamb\u00e9m n\u00f3s como pe\u00e7as do grande mosaico de santidade que Deus vai criando na hist\u00f3ria, para que o rosto de Cristo resplande\u00e7a na plenitude do seu esplendor. N\u00e3o tenhamos medo de tender para o alto, para as alturas de Deus;\u00a0<em>n\u00e3o tenhamos medo que Deus nos pe\u00e7a demasiado<\/em>\u00bb(27).<br \/>\n\u2192 \u00c9 ser santos alegres, porque assim Deus nos sonhou. \u00abO que ficou dito at\u00e9 agora n\u00e3o implica um esp\u00edrito retra\u00eddo, tristonho, amargo, melanc\u00f3lico ou um perfil sumido, sem energia. O santo \u00e9 capaz de viver com alegria e sentido de humor\u00bb (GE, 122). Jo\u00e3o Bosco, quando era jovem, fundou a Sociedade da alegria, e Domingos S\u00e1vio costumava dizer aos rec\u00e9m-chegados ao Orat\u00f3rio: \u00abAqui fazemos consistir a santidade em estar muito alegres\u00bb(28) (embora saibamos que n\u00e3o era uma alegria superficial, mas muito bem enraizada no profundo, na interioridade, na responsabilidade diante da vida e diante do pr\u00f3prio Deus).<br \/>\nDom Bosco entendeu muito bem, e assim o transmitiu aos seus jovens, que empenho e alegria caminham juntos, e que santidade e alegria formam um bin\u00f4mio insepar\u00e1vel. O seu convite \u00e9, portanto, um apelo \u00e0 \u201csantidade da alegria\u201d e \u00e0 alegria vivida numa vida santa. Isso n\u00e3o significa ignorar que o esfor\u00e7o da santidade comporta coragem porque, em outras palavras, \u00e9 um percurso que vai \u201ccontracorrente\u201d, um caminho n\u00e3o poucas vezes de contesta\u00e7\u00e3o, no qual em alguns momentos precisamos ser como Jesus \u201csinais de contradi\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\n\u2192 \u00c9 um caminho, o da santidade, que aceita a dimens\u00e3o da cruz. O Papa Francisco recorda-nos a solidez interior para ser perseverantes e constantes no bem; refere-se \u00e0 vigil\u00e2ncia no \u00ablutar e estar atentos \u00e0s nossas inclina\u00e7\u00f5es agressivas e egoc\u00eantricas, para n\u00e3o deixar que ganhem ra\u00edzes\u00bb (EG, 114); encoraja a parr\u00e9sia evang\u00e9lica para n\u00e3o se deixar dominar pelo medo; sobretudo convida a n\u00e3o deixar de viver em contempla\u00e7\u00e3o do Crucificado, fonte de gra\u00e7a e liberta\u00e7\u00e3o: \u00abE se ainda n\u00e3o consegues, diante do rosto de Cristo, deixar-te curar e transformar, ent\u00e3o penetra nas entranhas do Senhor, entra nas suas chagas, porque \u00e9 nelas que tem a sua sede a miseric\u00f3rdia divina\u00bb (EG, 151).<br \/>\nTalvez hoje, a refer\u00eancia \u00e0 Cruz j\u00e1 n\u00e3o seja muito frequente entre n\u00f3s, mas certamente tamb\u00e9m nisso devemos mudar. N\u00e3o se pode viver uma aut\u00eantica vida crist\u00e3 e um itiner\u00e1rio de santidade no cotidiano deixando a Cruz \u00e0 margem.<br \/>\nTendo participado, durante o \u00faltimo S\u00ednodo, da canoniza\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo VI, celebrada com a de outros santos, vejo como muito oportunas estas suas palavras: \u00abO que seria o Evangelho, isto \u00e9, o cristianismo, sem a dor, sem o sacrif\u00edcio de Jesus? Seria um Evangelho, um cristianismo sem a Reden\u00e7\u00e3o, sem a salva\u00e7\u00e3o, da qual temos absoluta necessidade. O Senhor salvou-nos com a Cruz; deu-nos novamente a esperan\u00e7a, o direito \u00e0 vida com a sua morte. Carregar a cruz! Uma grande coisa, uma grande coisa, filhos car\u00edssimos! Significa enfrentar a vida com coragem, sem indol\u00eancia, sem covardia; significa transformar em energia moral as dificuldades inevit\u00e1veis da nossa exist\u00eancia; significa saber compreender a dor humana e, enfim, saber realmente amar!\u00bb(29).<br \/>\n\u2192 \u00c9 viver\u00a0<strong>a santidade porque ela n\u00e3o afasta dos pr\u00f3prios deveres, interesses, afetos<\/strong>, mas os assume na caridade. A santidade \u00e9 a perfei\u00e7\u00e3o da caridade e responde, portanto, \u00e0 necessidade\u00a0fundamental do homem: ser amado e amar. Quanto mais santo, tanto mais homem e mulher, porque \u00abn\u00e3o \u00e9 que a vida tenha uma miss\u00e3o, mas a vida \u00e9 uma miss\u00e3o\u00bb (GE, 27).<br \/>\nA santidade, portanto,\u00a0<strong>\u00e9 um caminho de emancipa\u00e7\u00e3o<\/strong>. \u00abPrecisamos dum esp\u00edrito de santidade que impregne tanto a solid\u00e3o como o servi\u00e7o, tanto a intimidade como a tarefa evangelizadora, para que cada instante seja express\u00e3o de amor doado sob o olhar do Senhor. Desta forma, todos os momentos ser\u00e3o degraus no nosso caminho de santifica\u00e7\u00e3o\u00bb (GE, 31).<br \/>\nA santidade coincide, ent\u00e3o com o\u00a0<strong>florescimento pleno do humano<\/strong>. Ela n\u00e3o \u00e9 proposta de um caminho que desencarna e descontextualiza, mas permite experimentar de modo sempre mais pleno e verdadeiro a pr\u00f3pria humanidade e a humanidade dos irm\u00e3os. No rosto de um verdadeiro santo, percebe-se sempre, claramente, o homem ou a mulher que \u00e9, com toda a riqueza afetiva, volitiva, intelectiva e relacional que o distingue: \u00abNos Santos, torna-se \u00f3bvio que quem caminha para Deus n\u00e3o se afasta dos homens, antes pelo contr\u00e1rio torna-se seu verdadeiramente pr\u00f3ximo\u00bb(30).<br \/>\nConvido-vos, desde j\u00e1, a recordar, quando no fim do coment\u00e1rio, falaremos dos nossos santos, beatos, servos de Deus e vener\u00e1veis da nossa Fam\u00edlia Salesiana, o testemunho precioso que nos oferecem com a sua vida.<br \/>\nDom Bosco mesmo, na sua grande humanidade, foi o primeiro a encontrar, curar, reconciliar os jovens que chegavam ao Orat\u00f3rio tendo vivido muitas vezes situa\u00e7\u00f5es de pobreza afetiva, dificuldades econ\u00f4micas, orfandade e abandono. A esses jovens, ele ofereceu toda a riqueza do esp\u00edrito de fam\u00edlia e do Sistema Preventivo, num clima magn\u00edfico, tamb\u00e9m espiritual, que ajudou a cur\u00e1-los. As feridas foram curadas gra\u00e7as \u00e0 paternidade do pr\u00f3prio Dom Bosco, ao clima de fam\u00edlia, de alegria, e ao itiner\u00e1rio de f\u00e9 e de amizade com Jesus a quem Dom Bosco conduziu os seus jovens.<br \/>\nEm Mornese, Madre Mazzarello e as primeiras irm\u00e3s viveram, com a sensibilidade pr\u00f3pria de mulher, esse encontro com a humanidade daquelas meninas e jovens pobres, acolhidas na primeira casa das Filhas de Maria Auxiliadora.<br \/>\nE da mesma forma, a nossa hist\u00f3ria repetiu-se em muitos grupos da nossa Fam\u00edlia Salesiana, com um tra\u00e7o tipicamente nosso, que \u00e9 tamb\u00e9m do Evangelho, e que nos permitiu assumir a responsabilidade e curar a humanidade de cada pessoa com que nos encontramos.<br \/>\n\u2192 \u00c9 uma\u00a0<strong>santidade que \u00e9 tamb\u00e9m \u201cdever\u201d e dom<\/strong>\u00a0(isto \u00e9, uma voca\u00e7\u00e3o, uma responsabilidade, um empenho e um dom). A santidade \u00e9 participa\u00e7\u00e3o na vida de Deus, n\u00e3o uma perfei\u00e7\u00e3o moralisticamente entendida e que pressup\u00f5e obter apenas com as pr\u00f3prias for\u00e7as. Na verdade, uma vida santa n\u00e3o \u00e9 principalmente fruto do nosso esfor\u00e7o pessoal, das nossas a\u00e7\u00f5es. \u00c9 Deus, o tr\u00eas vezes Santo (cf. Is 6,3) que nos faz santos atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, que interiormente nos d\u00e1 for\u00e7a e vontade.<br \/>\nA santidade \u00e9 empenho e responsabilidade. \u00c9 algo que s\u00f3 tu podes fazer: \u00abOxal\u00e1 consigas identificar a palavra, a mensagem de Jesus que Deus quer dizer ao mundo com a tua vida\u00bb (GE, 24).<br \/>\nE para os consagrados e as consagradas da nossa Fam\u00edlia Salesiana esse dever torna-se indispens\u00e1vel. Paulo VI o disse de modo radical: \u00abA vida religiosa deve ser santa, ou n\u00e3o tem mais raz\u00e3o de ser\u00bb(31).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>5. ALGUNS POSS\u00cdVEIS INDICADORES DA SANTIDADE<\/strong><br \/>\nOfere\u00e7o-vos algumas indica\u00e7\u00f5es que podem ser v\u00e1lidas para cada um pessoalmente e para a nossa miss\u00e3o. Permito-me assinalar os seguintes indicadores.<br \/>\n<strong>\u2013 Viver a vida de todos os dias como lugar de encontro com Deus<\/strong><br \/>\nO cora\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito salesiano, que nos distingue como Fam\u00edlia carism\u00e1tica, caracteriza-se pelo fato de conceber a vida de modo positivo e entend\u00ea-la, dia a dia, como um lugar de encontro com Deus. Esse lugar \u00e9 atravessado por uma rica rede de rela\u00e7\u00f5es, trabalho, alegria e relax, vida familiar, desenvolvimento das pr\u00f3prias capacidades, entrega, servi\u00e7o\u2026, todos vividos \u00e0 luz de Deus. E isso se concretiza, de modo simples, na convic\u00e7\u00e3o muito salesiana que vem do mesmo Dom Bosco: para ser santo, o que deves fazer deves faz\u00ea-lo bem.<br \/>\n\u00c9 a proposta da santidade da vida cotidiana. Se Teresa d\u2019\u00c1vila encontra a santidade entre os utens\u00edlios de uma cozinha e Francisco de Sales demonstra que o crist\u00e3o pode viver no mundo, em meio aos compromissos da vida e \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es, e ser santo, Dom Bosco, com a simplicidade da alegria do cumprimento exato do pr\u00f3prio dever e de uma vida vivida toda por amor do Senhor, cria com seus jovens uma verdadeira escola de santidade em Valdocco.<br \/>\n<strong>\u2013 Ser pessoas e comunidades de ora\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA santidade \u00e9 o maior dom que podemos oferecer aos jovens e \u2013 acrescento \u2013 todos os jovens, adolescentes e suas fam\u00edlias, precisam do testemunho da nossa vida. E, como disse, essa santidade simples ser\u00e1 o dom mais precioso que lhes podemos oferecer.<br \/>\nEntretanto, esse caminho n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem cultivar a profundeza de vida, sem a f\u00e9 aut\u00eantica e sem a ora\u00e7\u00e3o como express\u00e3o dessa mesma f\u00e9. O Papa Francisco afirma: \u00abN\u00e3o acredito na santidade sem ora\u00e7\u00e3o\u00bb (GE, 147). E efetivamente tudo isso \u00e9 imposs\u00edvel sem intimidade com o Senhor Jesus: ora\u00e7\u00e3o de agradecimento, express\u00e3o de reconhecimento ao Deus transcendente; ora\u00e7\u00e3o de s\u00faplica, express\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o que confia em Deus; ora\u00e7\u00e3o de intercess\u00e3o, express\u00e3o de amor fraterno; ora\u00e7\u00e3o de adora\u00e7\u00e3o, express\u00e3o de reconhecimento da transcend\u00eancia de Deus;\u00a0ora\u00e7\u00e3o de medita\u00e7\u00e3o da Palavra, express\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o d\u00f3cil e obediente; ora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, apogeu e fonte do itiner\u00e1rio de santidade.<br \/>\n\u2013\u00a0<strong>Desenvolver na vida os frutos do Esp\u00edrito Santo:<\/strong>\u00a0amor, caridade, alegria, paz, paci\u00eancia, benevol\u00eancia, bondade, fidelidade, do\u00e7ura, dom\u00ednio de si\u2026 A santidade n\u00e3o \u00e9 conflito, discuss\u00e3o, inveja, impaci\u00eancia. \u00abA santidade n\u00e3o te torna menos humano, porque \u00e9 o encontro da tua fragilidade com a for\u00e7a da gra\u00e7a\u00bb (GE, 34).<br \/>\n\u2013\u00a0<strong>Praticar as virtudes:<\/strong>\u00a0n\u00e3o s\u00f3 recusar o mal e apegar-se ao bem, mas apaixonar-se pelo bem, cumprindo bem o bem, todo o bem\u2026 Ora\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o no mundo, servi\u00e7o e doa\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m tempos de sil\u00eancio. Vida de fam\u00edlia e responsabilidade no trabalho. \u00abTudo pode ser recebido e integrado como parte da pr\u00f3pria vida neste mundo, entrando a fazer parte do caminho de santifica\u00e7\u00e3o. Somos chamados a viver a contempla\u00e7\u00e3o mesmo no meio da a\u00e7\u00e3o, e santificamo-nos no exerc\u00edcio respons\u00e1vel e generoso da nossa miss\u00e3o\u00bb (GE, 26).<br \/>\nEnt\u00e3o, buscar a vida boa do Evangelho na pr\u00e1tica alegre e constante das virtudes ser\u00e1 realmente um caminho simples de santidade.<br \/>\n<strong>\u2013 Testemunhar a comunh\u00e3o<\/strong><br \/>\nO caminho da santidade \u00e9 experimentado em comum e o caminho da santidade \u00e9 um caminho vivido em comunidade e alcan\u00e7ado em conjunto. Os santos est\u00e3o sempre juntos, na companhia de Deus. Onde houver algum, sempre encontraremos muitos outros. A santidade do cotidiano faz florescer a comunidade e \u00e9 um gerador \u201crelacional\u201d.\u00a0<strong>Fazemo-nos santos juntos<\/strong>. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ser santo sozinho, e Deus n\u00e3o nos salva sozinhos: \u00abpor isso, ningu\u00e9m se salva sozinho, como indiv\u00edduo isolado\u00bb (GE, 6). A santidade nutre-se de rela\u00e7\u00f5es, de confian\u00e7a, de comunh\u00e3o porque a espiritualidade crist\u00e3 \u00e9 essencialmente comunit\u00e1ria, eclesial, profundamente diferente e muito distante de uma vis\u00e3o elitista e heroica da santidade.<br \/>\nAo contr\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 santidade crist\u00e3 onde se esquece a comunh\u00e3o com os outros, onde se esquece de buscar e olhar o rosto do outro, onde se esquece a fraternidade e a revolu\u00e7\u00e3o da ternura.<br \/>\n<strong>\u2013 Entender que a vida de cada um \u00e9 uma miss\u00e3o<\/strong><br \/>\nO Papa pede decididamente para conceber a totalidade da pr\u00f3pria vida como uma miss\u00e3o. \u00c0s vezes, em momentos dif\u00edceis, algu\u00e9m se pergunta que sentido tem a sua exist\u00eancia, qual \u00e9 a raz\u00e3o pela qual viver, a motiva\u00e7\u00e3o do seu estar no mundo, que contribui\u00e7\u00e3o pessoal deveria oferecer\u2026 Pois bem, em todos esses casos se est\u00e1 a perguntar: qual \u00e9 a minha miss\u00e3o? E \u00e0 luz desse aspecto, descobre-se que \u00abpara um crist\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel imaginar a pr\u00f3pria miss\u00e3o na terra, sem a conceber como um caminho de santidade\u00bb (GE, 19), dando sempre o melhor de si nessa miss\u00e3o.<br \/>\nAlgumas casas salesianas, como Valdocco, Mornese, Valsalice, Nizza, Ivrea, \u2018San Giovannino\u2019(32) \u2026 atestam desde o in\u00edcio a santidade como experi\u00eancia compartilhada, que floresce na amizade, na entrega e no servi\u00e7o (hoje, dizemos vida como \u201cvoca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o\u201d).<br \/>\n<strong>\u2013 Buscar a simplicidade (que n\u00e3o \u00e9 facilidade) das Bem-aventuran\u00e7as\u00a0<\/strong>(cf. GE, 70-91)<br \/>\nJesus nos ofereceu, no an\u00fancio das Bem-aventuran\u00e7as, um verdadeiro itiner\u00e1rio de santidade. As Bem-aventuran\u00e7as \u00abs\u00e3o como a carta de identidade do crist\u00e3o\u00bb (GE, 63).<br \/>\nNelas nos \u00e9 proposto um modo de vida em que se realizam processos que v\u00e3o da pobreza de cora\u00e7\u00e3o, que significa tamb\u00e9m austeridade de vida, \u00e0 rea\u00e7\u00e3o com mansid\u00e3o humilde num mundo onde facilmente se desentende e por qualquer coisa; da coragem de deixar-se \u201ctranspassar\u201d pela dor alheia e ter compaix\u00e3o dela ao buscar a justi\u00e7a com verdadeira fome e sede, enquanto outros se dividem o bolo da vida obtido por meio da injusti\u00e7a, da corrup\u00e7\u00e3o e do abuso de poder.<br \/>\nAs Bem-aventuran\u00e7as levam o crist\u00e3o a olhar e agir com miseric\u00f3rdia, o que significa ajudar os outros, e tamb\u00e9m perdoar; levam-no a manter um cora\u00e7\u00e3o puro e livre de tudo o que corrompe o amor a Deus e ao pr\u00f3ximo. A proposta de Jesus pede-nos para semear paz e justi\u00e7a e construir pontes entre as pessoas. Pede tamb\u00e9m para aceitar as incompreens\u00f5es, as falsidades em rela\u00e7\u00e3o a si mesmo, e, enfim, as persegui\u00e7\u00f5es, mesmo as mais sutis existentes hoje.<br \/>\n<strong>\u2013 Crescer nos pequenos gestos\u00a0<\/strong>(GE, 16)<br \/>\n\u00c9 outro simples indicador pr\u00e1tico \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos. Deus nos chama \u00e0 santidade mediante os pequenos gestos, atrav\u00e9s das coisas simples, aquelas que sem d\u00favida podemos descobrir nos outros e realizar em n\u00f3s mesmos na vida de todos os dias; encorajados pelo fato de o itiner\u00e1rio de santidade n\u00e3o ser nem \u00fanico nem o mesmo para todos.<br \/>\nO caminho de santidade \u00e9 percorrido na condi\u00e7\u00e3o pessoal de homem e de mulher. Nesse sentido, a ternura feminina, a fineza dos pequenos detalhes e dos gestos constituem um exemplo magn\u00edfico para todos. Por essa raz\u00e3o, o Papa Francisco diz: \u00abquero assinalar que tamb\u00e9m \u201co g\u00eanio feminino\u201d se manifesta em estilos femininos de santidade, indispens\u00e1veis para refletir a santidade de Deus neste mundo e [\u2026] interessa-me sobretudo lembrar tantas mulheres desconhecidas ou esquecidas que sustentaram e transformaram, cada uma a seu modo, fam\u00edlias e comunidades com a for\u00e7a do seu testemunho\u00bb (GE, 12).<br \/>\n<strong>\u2013 Tudo, menos renunciar a voar quando nascemos para as alturas!<\/strong><br \/>\nS\u00e3o muitos pequenos passos que nos podem ajudar a trilhar o caminho da santidade, numa santidade simples, an\u00f4nima, mas que modela a nossa exist\u00eancia de maneira muito bonita. Como disse, tudo pode ajudar; tudo, exceto a ren\u00fancia a voar quando nascemos para as alturas! Pois somos \u00abescolhidos por Deus, santos, amados\u00bb (Cl 3,12).<br \/>\nO que quero dizer \u00e9 expresso magnificamente por Mamerto Menapace(33) numa bela hist\u00f3ria, uma bonita met\u00e1fora que fala do dilema entre ficar no n\u00edvel do ch\u00e3o ou al\u00e7ar voo para Deus, para a santidade, para as alturas.<br \/>\nA hist\u00f3ria diz assim:<br \/>\n\u201cCerta vez, um agricultor, que caminhava por uma trilha na alta montanha, encontrou entre as pedras nas proximidades do cume um ovo estranho: muito grande para ser de galinha e muito pequeno para ser de avestruz.<br \/>\nN\u00e3o sabendo o que fosse, decidiu lev\u00e1-lo consigo.<br \/>\nAo chegar em casa mostrou-o \u00e0 mulher. Ela tinha uma perua que estava chocando. Vendo que o ovo era mais ou menos da dimens\u00e3o dos outros, colocou-o com os da perua.<br \/>\nAs pequenas aves come\u00e7aram a romper a casca e o mesmo fez a que fora encontrada na montanha. E, mesmo parecendo ser um animal diferente dos demais, as diferen\u00e7as n\u00e3o eram tantas que o desfigurassem diante do resto da ninhada, apesar de se tratar de um pequeno condor. Embora chocado por uma perua, tinha outra origem.<br \/>\nComo n\u00e3o tinha nenhum outro modelo de quem aprender, o pequeno condor imitava o que via fazerem os perus. Seguia o grande peru procurando vermes, sementes e outros restos. Cavava a terra e, saltitando, procurava arrancar as frutas dos arbustos. Vivia no galinheiro e tinha medo dos c\u00e3es que vinham roubar-lhe frequentemente a comida. \u00c0 noite, subia aos galhos da alfarroba com medo das doninhas e de outros predadores. Vivia nessa situa\u00e7\u00e3o, imitando o que via fazer os outros.<br \/>\n\u00c0s vezes, sentia-se um pouco estranho. Sobretudo quando tinha a oportunidade de ficar sozinho. Mas isso n\u00e3o acontecia muito. Pois os perus n\u00e3o toleram a solid\u00e3o, nem que os outros fiquem sozinhos. \u00c9 uma esp\u00e9cie que gosta de movimentar-se sempre em bando, encher o peito para impressionar, abrir a cauda e arrastar as asas. Diante do que lhe causa estranheza, a resposta imediata era uma grande zombaria.<br \/>\nOutra caracter\u00edstica dos perus \u00e9 esta: embora tenham grandes dimens\u00f5es, n\u00e3o voam.<br \/>\nCerta vez, pelo meio-dia, enquanto o c\u00e9u claro era atravessado por nuvens brancas, o pequeno animal ficou surpreso ao ver alguns p\u00e1ssaros estranhos que voavam majestosamente, quase sem mover as asas. Sentiu um choque no profundo do seu ser. Algo como um antigo chamado que queria despert\u00e1-lo nas profundezas de suas fibras. Seus olhos, habituados a olhar sempre o terreno em busca de alimento, n\u00e3o conseguiam distinguir o que acontecia nas alturas. O seu cora\u00e7\u00e3o despertou com uma forte nostalgia: por que tamb\u00e9m eu n\u00e3o posso voar assim? O seu cora\u00e7\u00e3o batia veloz e ansioso.<br \/>\nNaquele momento, aproximou-se dele um peru que lhe perguntava o que estava fazendo. Riu dele quando ouviu o que pensava. Disse-lhe que era um rom\u00e2ntico e que deveria deixar de fazer gra\u00e7a. Eles eram diferentes. Devia voltar \u00e0 realidade, e prop\u00f4s acompanh\u00e1-lo a um lugar onde encontrara muita fruta madura e muitos tipos de vermes.<br \/>\nDesorientado, o pobre animal retomou-se do fasc\u00ednio e seguiu o companheiro que o levou de volta ao galinheiro.<br \/>\nRetomou sua vida normal, sempre atormentado por uma profunda insatisfa\u00e7\u00e3o interior que o fazia sentir-se estranho.<br \/>\nJamais descobrira a sua verdadeira identidade de condor.<br \/>\nChegando \u00e0 velhice, certo dia morreu. Sim, infelizmente morreu exatamente como vivera.<br \/>\nE pensar que nascera para as alturas!\u201d.<br \/>\n\u00c9 o caminho do crescimento crist\u00e3o para a santidade: \u00abN\u00e3o tenhamos medo de tender para o alto, para as alturas de Deus; n\u00e3o tenhamos medo que Deus nos pe\u00e7a demasiado\u00bb(34).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>6. ITINER\u00c1RIOS ATUAIS DE SANTIDADE \u00c0 LUZ DA NOSSA HIST\u00d3RIA DE FAM\u00cdLIA SALESIANA<\/strong><br \/>\n<strong>\u2013 H\u00e1 muitos caminhos no itiner\u00e1rio de santidade<\/strong><br \/>\nSabemos que alguns s\u00e3o santos, mas jamais saberemos quem \u00e9 mais santo que outro. S\u00f3 Deus conhece os cora\u00e7\u00f5es. H\u00e1 uma beleza particular em cada um. N\u00e3o se deve pedir a uma pessoa o que ela n\u00e3o pode e n\u00e3o deve dar. Diz\u00ea-lo \u00e9 encorajador, recuperador. Caso contr\u00e1rio nos convencer\u00edamos de que n\u00e3o podemos ser santos, porque jamais ser\u00edamos como os santos que nos foram propostos como modelos. \u00abN\u00e3o se deve p\u00f4r na santidade mais perfei\u00e7\u00e3o daquela que realmente tem\u00bb(35). Ou seja, a heroicidade crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 hero\u00edsmo, a perfei\u00e7\u00e3o crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 perfeccionismo de super-her\u00f3i. \u00abNa casa do meu Pai h\u00e1 muitas moradas\u00bb (Jo 14,2). O Para\u00edso \u00e9 como um jardim: nele h\u00e1 a humilde violeta e o sublime l\u00edrio al\u00e9m da rosa. Nenhuma condi\u00e7\u00e3o representa um obst\u00e1culo insuper\u00e1vel para a plenitude da alegria e da vida.<br \/>\nAo lado de Dom Bosco n\u00e3o encontramos apenas Domingos S\u00e1vio, Jo\u00e3o Massaglia e Francisco Besucco; mas tamb\u00e9m Miguel Magone e muitos outros garotos dif\u00edceis, cuja hist\u00f3ria \u00e9 caracterizada por feridas profundas.<br \/>\nNas primeiras obras dos Salesianos e das Filhas de Maria Auxiliadora, encontram sua verdadeira primeira casa \u00f3rf\u00e3os e pessoas marcadas de v\u00e1rias maneiras por injusti\u00e7as e traumas (Carlos Braga, Laura Vicu\u00f1a\u2026).<br \/>\nH\u00e1 ainda feridas estritamente pessoais: tanto Beltrami como Czartoryski sabiam que, por causa da doen\u00e7a, jamais poderiam levar uma vida oratoriana regular. Art\u00eamides Zatti viu-se recusado ao sacerd\u00f3cio, tamb\u00e9m por causa de uma doen\u00e7a. Francisco Convertini demonstrava modest\u00edssimos dotes intelectuais e foi somente a sua santidade irradiante a convencer os superiores a deixarem-no chegar ao sacerd\u00f3cio. Alexandrina Maria da Costa viu-se obrigada ao leito por uma paralisia\u00a0progressiva. A mesma situa\u00e7\u00e3o foi vivida por Nino Baglieri. A m\u00edstica salesiana Vera Grita viveu calv\u00e1rio semelhante, ap\u00f3s um trauma causado por um acidente.<br \/>\nAssim,\u00a0<strong>na casa de Dom Bosco<\/strong>\u00a0encontra espa\u00e7o e acolhida uma multiplicidade de interlocutores feridos de v\u00e1rias maneiras por dolorosas situa\u00e7\u00f5es familiares ou pessoais; pessoas que, por um mero crit\u00e9rio de prud\u00eancia humana ou efici\u00eancia, jamais poderiam ser aceitas. Figuras que, ao olhar superficial, parecem contrastar em tudo e por tudo com o brilho alegre e at\u00e9 \u201cvigoroso\u201d do esp\u00edrito salesiano. Contudo, \u00e0 luz da f\u00e9, demonstra-se com os fatos que nenhuma condi\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9 impedimento para a santidade.<br \/>\n<strong>\u2013 Todo santo \u00e9 uma palavra encarnada de Deus<\/strong><br \/>\nN\u00e3o existem dois santos iguais. Imitar os santos n\u00e3o \u00e9 copi\u00e1-los. Cada qual precisa dos seus tempos e tem o pr\u00f3prio caminho pois \u00abos percursos da santidade s\u00e3o pessoais\u00bb(36).<br \/>\nA gal\u00e1xia da santidade \u00e9 vasta e diferenciada; por isso, n\u00e3o deve ser achatada numa orienta\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica para o bem, mas deve ser considerada como fonte inesgot\u00e1vel de inspira\u00e7\u00e3o e de programa de vida. Imagens vivas do evangelho, os Santos interpretam o seu esp\u00edrito mais genu\u00edno e s\u00e3o o espelho que reflete o rosto de Jesus Cristo, o Santo de Deus. Eles difundem o dom da bondade e da beleza, n\u00e3o cedem \u00e0 moda passageira e ef\u00eamera do tempo e, com o \u00edmpeto de um cora\u00e7\u00e3o perenemente jovem, tornam poss\u00edvel o milagre do amor. Com a for\u00e7a da Gra\u00e7a, os Santos mudam o mundo, mas tamb\u00e9m a Igreja, que se torna mais evang\u00e9lica e mais cr\u00edvel pelo seu testemunho.<br \/>\nO Esp\u00edrito Santo que inspirou os autores sagrados \u00e9 o mesmo que anima os Santos a darem a vida pelo Evangelho. O modo diferente de \u201cencarnar\u201d a santidade \u00e9 um caminho seguro para iniciar uma hermen\u00eautica viva e eficaz da Palavra de Deus.<br \/>\n<strong>\u2013 Cada santo da nossa Fam\u00edlia Salesiana nos diz que a santidade \u00e9 poss\u00edvel<\/strong><br \/>\nCada um dos nossos Santos, Beatos, Vener\u00e1veis, Servos de Deus \u00e9 portador de uma riqueza de aspectos que merecem maior considera\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o. Trata-se de contemplar um diamante de muitas facetas, algumas mais vis\u00edveis e atraentes, outras menos imediatas e \u201csimp\u00e1ticas\u201d, mas nem por isso menos verdadeiras e decisivas. Conhecer e fazer conhecer essas figuras extraordin\u00e1rias de crentes gera um envolvimento progressivo no seu caminho, um apaixonado interesse pela sua vida, uma alegre participa\u00e7\u00e3o nos projetos e esperan\u00e7as que animaram seus passos.<br \/>\nOfere\u00e7o-vos alguns exemplos.<br \/>\n<strong>\u2192 A santidade dos jovens \u201cde nossa casa\u201d<\/strong><br \/>\nCom o testemunho de Domingos S\u00e1vio, Laura Vicu\u00f1a, Zeferino Namuncur\u00e1, dos cinco jovens oratorianos de Pozna\u0144, de Alberto Marvelli e outros, s\u00e3o 46 os Santos e Beatos jovens da Fam\u00edlia Salesiana com menos de 29 anos.<br \/>\nAlguns aspectos do testemunho de S\u00e3o Domingos S\u00e1vio merecem ser evidenciados<br \/>\n\u2022 O apelo \u00e0 realidade preventiva n\u00e3o s\u00f3 como aspecto pedag\u00f3gico-educativo, mas como fato teol\u00f3gico. Na sua vida, como testemunha o pr\u00f3prio Dom Bosco, h\u00e1 uma gra\u00e7a preventiva que atua e se manifesta(37).<br \/>\n\u2022 O valor decisivo representado pela Primeira-Comunh\u00e3o(38).<br \/>\n\u2022 O fato de ser uma esp\u00e9cie de l\u00edder e mestre nos caminhos de Deus (como Dom Bosco o v\u00ea no sonho de Lanzo de 1876), como \u00e9 confirmado pela vida de muitos dos nossos beatos, vener\u00e1veis e servos de Deus que se apropriaram dos prop\u00f3sitos de Domingos: Laura Vicu\u00f1a, Zeferino Namuncur\u00e1, Jos\u00e9 Kowalski, Alberto Marvelli, Jos\u00e9 Quadrio, Ot\u00e1vio Ortiz Arrieta.<br \/>\n\u2022 O papel de Domingos na funda\u00e7\u00e3o da Companhia da Imaculada, viveiro da futura Congrega\u00e7\u00e3o Salesiana, em relacionamento com Jo\u00e3o Massaglia, verdadeiro amigo das coisas da alma, de quem Dom Bosco afirmou: \u00abSe quisesse descrever os belos atos de virtude do jovem Massaglia, teria de repetir o que disse de Domingos de quem foi fiel imitador enquanto viveu\u00bb(39).<br \/>\n\u2192\u00a0<strong>A santidade mission\u00e1ria do carisma salesiano<\/strong>, expressa com um n\u00famero not\u00e1vel de homens e mulheres, consagrados e leigos, que evidenciam o an\u00fancio do evangelho, a incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9, a promo\u00e7\u00e3o da mulher, a defesa dos direitos dos pobres e dos ind\u00edgenas, a funda\u00e7\u00e3o de Igreja locais. Impressiona profundamente o fato de uma grand\u00edssima parte de irm\u00e3os e irm\u00e3s da nossa Fam\u00edlia Salesiana em caminho para o reconhecimento das virtudes heroicas e da sua santidade, serem mission\u00e1rios e mission\u00e1rias (Beata Maria Romero Meneses, FMA; Beata Maria Troncatti, FMA; Vener\u00e1vel Vicente Cimatti).<br \/>\n\u2192\u00a0<strong>A santidade vitimal-oblativa<\/strong>, que exprime a raiz profunda do \u201c<em>Da mihi animas, coetera tolle<\/em>\u201d. L\u00edder dessa dimens\u00e3o \u00e9 o Vener\u00e1vel Padre Andr\u00e9 Beltrami (1870-1897), cujo testemunho \u00e9 paradigm\u00e1tico de todo um fil\u00e3o de santidade salesiana que, a partir da tr\u00edade Andr\u00e9 Beltrami, Augusto Czartoryski, Lu\u00eds Variara, continua no tempo com outras grandes figuras como a Beata\u00a0Eus\u00e9bia Palomino, a Beata Alexandrina Maria da Costa, a Beata Laura Vicu\u00f1a, sem esquecer a numerosa fileira de m\u00e1rtires (entre os quais se deve mencionar os 95 m\u00e1rtires da guerra civil espanhola e, entre eles, muitos jovens irm\u00e3os em forma\u00e7\u00e3o e jovens sacerdotes).<br \/>\n\u2192\u00a0<strong>A dimens\u00e3o da \u201cfam\u00edlia ferida\u201d<\/strong>: fam\u00edlias em que est\u00e1 ausente ao menos um dos genitores, ou a presen\u00e7a da m\u00e3e e\/ou do pai torna-se, por diversas raz\u00f5es (f\u00edsicas, ps\u00edquicas, morais e espirituais), penalizante para os filhos. Dom Bosco que experimentara pessoalmente a morte prematura do pai e o afastamento da fam\u00edlia pela prudente vontade de Mam\u00e3e Margarida, quer a obra salesiana particularmente dedicada \u00e0 \u00abjuventude pobre e abandonada\u00bb.<br \/>\n\u2022\u00a0<strong>A Beata Laura Vicu\u00f1a<\/strong>, nascida no Chile em 1891, que n\u00e3o conheceu o pai e cuja m\u00e3e inicia na Argentina uma conviv\u00eancia com o rico propriet\u00e1rio Manuel Mora. Laura, ferida pela situa\u00e7\u00e3o de irregularidade moral da m\u00e3e, oferece a vida por ela.<br \/>\n\u2022\u00a0<strong>O Servo de Deus Carlos Braga<\/strong>, nascido na Valtellina (norte da It\u00e1lia) em 1889. \u00c9 abandonado muito pequeno pelo pai enquanto sua m\u00e3e, por uma mistura de ignor\u00e2ncia e maledic\u00eancia, \u00e9 afastada por ser tida como psiquicamente inst\u00e1vel. Carlos passa por grandes humilha\u00e7\u00f5es e ver\u00e1 posta \u00e0 prova muitas vezes a autenticidade da sua voca\u00e7\u00e3o salesiana, mas saber\u00e1 amadurecer nas dificuldades uma grande for\u00e7a de reconcilia\u00e7\u00e3o e dar\u00e1 o testemunho de uma profunda paternidade e bondade, sobretudo pelos pais dos Irm\u00e3os.<br \/>\n<strong>\u2192 A dimens\u00e3o vocacional:<\/strong>\u00a0no contexto do bicenten\u00e1rio do nascimento de Dom Bosco deram-se as beatifica\u00e7\u00f5es de dois Irm\u00e3os m\u00e1rtires, que nos mostram alguns aspectos constitutivos do nosso carisma.<br \/>\n\u2022\u00a0<strong>Est\u00eav\u00e3o S\u00e1ndor<\/strong>\u00a0(1914-1953), beatificado em 2013 (a causa teve in\u00edcio em 2006), recorda a complementaridade das duas formas da \u00fanica voca\u00e7\u00e3o consagrada salesiana: a laical (coadjutor) e a presbiteral. O testemunho luminoso de Est\u00eav\u00e3o S\u00e1ndor, como salesiano coadjutor, exprime uma op\u00e7\u00e3o vocacional clara e decidida, exemplaridade de vida, compet\u00eancia educativa e fecundidade apost\u00f3lica, \u00e0 qual olhar para uma apresenta\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o do salesiano coadjutor, com predile\u00e7\u00e3o pelos jovens aprendizes e do mundo do trabalho.<br \/>\n\u2022\u00a0<strong>Tito Zeman<\/strong>\u00a0(1915-1969), beatificado em Bratislava no dia 30 de setembro de 2017 (a causa teve in\u00edcio em 2010). Quando o regime comunista checoslovaco, em abril de 1950, vetou as ordens religiosas e come\u00e7ou a deportar consagrados e consagradas aos campos de concentra\u00e7\u00e3o, ele acreditou se necess\u00e1ria a organiza\u00e7\u00e3o de viagens clandestinas para Turim a fim de permitir que os jovens salesianos completassem os estudos. Tito encarregou-se de realizar essa arriscada atividade e organizou duas expedi\u00e7\u00f5es para cerca de 20 jovens salesianos. Na terceira expedi\u00e7\u00e3o, Padre Zeman foi aprisionado com outros fugitivos. Sofreu um duro processo, no qual foi descrito como traidor da p\u00e1tria e espi\u00e3o do Vaticano, e condenado \u00e0 morte. Viveu o seu calv\u00e1rio com grande esp\u00edrito de sacrif\u00edcio e de oferta:\u00a0\u00abMesmo se perdesse a vida, n\u00e3o a consideraria desperdi\u00e7ada, sabendo que ao menos um dos que ajudei se tornou sacerdote no meu lugar\u00bb.<br \/>\n\u2192\u00a0<strong>A dimens\u00e3o da \u201cpaternidade e maternidade salesiana\u201d<\/strong>: depois da grande paternidade de Dom Bosco, recordemos, entre outros, Santa Maria Domingas Mazzarello, o Beato Miguel Rua, o Beato Filipe Rinaldi, o Beato Jos\u00e9 Calasanz, a Vener\u00e1vel Mam\u00e3e Margarida, o Vener\u00e1vel Vicente Cimatti, a Vener\u00e1vel Teresa Vals\u00e9, o Vener\u00e1vel Augusto Arribat, o Servo de Deus Carlos Braga, o Servo de Deus Andr\u00e9 Majcen\u2026<br \/>\n\u2192\u00a0<strong>A dimens\u00e3o episcopal:<\/strong>\u00a0na variada esteira de santidade florescida na escola de Dom Bosco, distingue-se tamb\u00e9m um significativo grupo de bispos, que encarnaram de modo especial a caridade pastoral, t\u00edpica do carisma salesiano, no minist\u00e9rio episcopal: Lu\u00eds Versiglia (1873-1930), M\u00e1rtir e Santo; Lu\u00eds Olivares (1873-1943), Vener\u00e1vel; Est\u00eav\u00e3o Ferrando (1895-1978), Vener\u00e1vel e Fundador; Ot\u00e1vio Ortiz Arrieta (1878-1958), Vener\u00e1vel; Augusto Hlond (1881-1948), Vener\u00e1vel, Cardeal; Antonio de Almeida Lustosa (1886-1974), Servo de Deus; Orestes Marengo (1906-1998), Servo de Deus.<br \/>\n\u2192\u00a0<strong>A dimens\u00e3o da \u201cfilia\u00e7\u00e3o carism\u00e1tica\u201d<\/strong>. \u00c9 muito interessante tamb\u00e9m notar que veneramos alguns santos que compartilharam com Dom Bosco algumas esta\u00e7\u00f5es da vida, admiraram a sua santidade, a sua fecundidade apost\u00f3lica e educativa, mas, depois, percorreram o pr\u00f3prio caminho com liberdade evang\u00e9lica, sendo, por sua vez, fundadores, com as argutas intui\u00e7\u00f5es pessoais, o genu\u00edno amor pelos pobres e a ilimitada confian\u00e7a na Provid\u00eancia: S\u00e3o Leonardo Murialdo, S\u00e3o Lu\u00eds Guanella, S\u00e3o Lu\u00eds Orione.<br \/>\nA realidade descrita \u00e9 muito bela, enche-nos de responsabilidades e nos encoraja. V\u00ea-se claramente que somos deposit\u00e1rios de uma heran\u00e7a preciosa, que merece ser mais conhecida e valorizada. O perigo est\u00e1 em reduzir este patrim\u00f4nio de santidade a um fato lit\u00fargico-celebrativo, n\u00e3o valorizando plenamente as suas possibilidades de tipo espiritual, pastoral, eclesial, educativo, cultural, hist\u00f3rico, social, mission\u00e1rio\u2026 Os Santos, Beatos, Vener\u00e1veis e Servos de Deus s\u00e3o pepitas preciosas que devem ser retiradas da escurid\u00e3o da mina para poder brilhar e refletir na Igreja e na Fam\u00edlia Salesiana o esplendor da verdade e da caridade de Cristo.<br \/>\n\u2192\u00a0<strong>O aspecto pastoral<\/strong>\u00a0deles toca a efic\u00e1cia que possuem como exemplos exitosos de um cristianismo vivido em particulares situa\u00e7\u00f5es socioculturais e pol\u00edticas do mundo, da Igreja e da mesma Fam\u00edlia Salesiana.<br \/>\n\u2192\u00a0<strong>O aspecto espiritual<\/strong>\u00a0implica no convite \u00e0 imita\u00e7\u00e3o das suas virtudes como fonte de inspira\u00e7\u00e3o e planejamento para o nosso estilo de vida e a nossa miss\u00e3o. O cuidado pastoral e\u00a0espiritual de uma causa \u00e9 uma aut\u00eantica forma de pedagogia da santidade, \u00e0 qual dever\u00edamos, em for\u00e7a do nosso carisma, ser particularmente sens\u00edveis e atentos.<br \/>\nConcluo o coment\u00e1rio \u00e0 Estreia com essa rica e pontual informa\u00e7\u00e3o, que me vem da nossa Postula\u00e7\u00e3o. Sem d\u00favida ser\u00e1 de grande interesse para a nossa Fam\u00edlia Salesiana e, de modo especial, para os muitos grupos da bel\u00edssima \u00e1rvore da salesianidade que veem alguns dos seus membros envolvidos num desses processos. Como escreveu o Padre Rua, a santidade de todos n\u00f3s, seus filhos e suas filhas, ser\u00e1 uma prova da santidade vivida e deixada para n\u00f3s em heran\u00e7a pelo mesmo Dom Bosco, amado Pai de toda a Fam\u00edlia Salesiana difusa no mundo.<br \/>\nMeus caros Irm\u00e3os e Irm\u00e3s, posso afirmar com tranquilidade que a maior necessidade e a maior urg\u00eancia que temos hoje no nosso mundo salesiano n\u00e3o \u00e9 fazer coisas, projetar e redesenhar novas realidades, iniciar novas presen\u00e7as\u2026, mas mostrar o que as nossas vidas comunicam pessoal e coletivamente, o nosso modo de viver o Evangelho, que se realiza e estende no tempo como prolongamento do modo de viver de Jesus. Enfim, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a nossa santidade!<br \/>\nSejamos santos, como o foi o nosso Pai e Fundador da nossa bela Fam\u00edlia Salesiana espalhada atualmente pelo mundo!<br \/>\nO Papa Jo\u00e3o Paulo II, hoje santo, fez-nos um apelo entusiasmado que, embora fosse dirigido a seu tempo aos Salesianos, vale para toda a Fam\u00edlia Salesiana em geral e para cada um dos seus grupos. Ou\u00e7amo-lo novamente como uma palavra dirigida a cada um de n\u00f3s e \u00e0 nossa Institui\u00e7\u00e3o. Ele dizia assim:<br \/>\nDesejai \u00abrepropor com coragem \u201ca busca da santidade\u201d como principal resposta aos desafios do mundo contempor\u00e2neo. Trata-se, em conclus\u00e3o, n\u00e3o tanto de come\u00e7ar novas atividades e iniciativas, mas de viver e testemunhar sem compromisso o Evangelho, a fim de estimular \u00e0 santidade os jovens que encontrais. Salesianos do terceiro mil\u00eanio! Sede apaixonados mestres e guias, santos e formadores de santos, como o foi S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco.<br \/>\nPe\u00e7amos a Maria, M\u00e3e e Auxiliadora, que nos conceda a luz necess\u00e1ria para ver claramente e percorrer pessoalmente, com verdadeiro esp\u00edrito, este caminho de vida. Ela sustente o esfor\u00e7o de cada um e de toda a nossa Fam\u00edlia Salesiana no caminho da santidade salesiana, para o bem daqueles aos quais somos enviados e para n\u00f3s mesmos.<br \/>\nPossa Ela, a M\u00e3e, especialista no Esp\u00edrito, realizar em n\u00f3s as maravilhas da Gra\u00e7a como fez com todos os nossos santos.<br \/>\nA Auxiliadora nos acompanhe e nos guie.<br \/>\nDesejo-vos um ano fecundo e cheio de frutos de santidade.<br \/>\nCom afeto,<br \/>\n<em>P. \u00c1ngel Fern\u00e1ndez Artime<\/em><br \/>\n<em>Reitor-Mor<\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong><em>NOTAS<\/em><\/strong><br \/>\n1. Citado em seguida como GE.<br \/>\n2. Exprimo a minha gratid\u00e3o ao P. Pier Luigi Cameroni, Postulador Geral para as causas dos Santos, e \u00e0 Sra. Lodovica Maria Zanet, colaboradora especialista da nossa Postula\u00e7\u00e3o Geral e conferencista renomada. Gra\u00e7as \u00e0 vis\u00e3o deles pude enriquecer estas p\u00e1ginas com elementos e conte\u00fados pr\u00f3prios da Postula\u00e7\u00e3o, mas que podem iluminar muito.<br \/>\n3. P. Ch\u00e1vez, Apropriemo-nos da experi\u00eancia espiritual de Dom Bosco para caminhar na santidade segundo a nossa voca\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, ACG 417 (2014); P. Ch\u00e1vez, \u201cQueridos Salesianos, sede santos\u201d, ACG 379 (2002); J. E. Vecchi, A beatifica\u00e7\u00e3o do Coadjutor Art\u00eamides Zatti: uma novidade explosiva, ACG 376 (2001); Santidade e mart\u00edrio ao alvorecer do terceiro mil\u00eanio, ACG 368 (1999); E. Vigan\u00f2, Dom Bosco Santo, ACS 310 (1983); Reprojtemos juntos a santidade, ACG 303 (1982); L. Ricceri, Padre Rua, apelo \u00e0 santidade, ACS 263 (1971).<br \/>\n4. Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc\u00edclica Redemptoris Missio, Cidade do Vaticano, 7 de dezembro de 1990, 28.<br \/>\n5.\u00a0Agostinho,\u00a0<em>Confiss\u00f5es<\/em>, 10,28.<br \/>\n6.\u00a0Francisco de Sales,\u00a0<em>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 vida devota<\/em>\u00a0I, 3.<br \/>\n7.\u00a0Bento XVI, Catequese na Audi\u00eancia geral de 13 de abril de 2011,\u00a0<em>Insegnamenti<\/em>\u00a0VII (2011), 451<br \/>\n8.\u00a0<em>Ibid<\/em>., 450.<br \/>\n9.\u00a0Bento XVI,<em>\u00a0Homilia na festa da Assun\u00e7\u00e3o de Maria<\/em>, 15 de agosto de 2005.<br \/>\n10.\u00a0Justamente para continuar este \u201ccaminho mariano\u201d celebraremos em Buenos Aires de 7 a 10 de novembro de 2019 o VIII Congresso Internacional de Maria Auxiliadora intitulado:\u00a0<em>Maria mulher crente<\/em>.<br \/>\n11.\u00a0<em>ISS, Fontes Salesianas. 1. Dom Bosco e a sua obra. Colet\u00e2nea Antol\u00f3gica<\/em>, EDB, Bras\u00edlia 2015, 1132. O fragmento completo ao qual fa\u00e7o refer\u00eancia diz assim: \u00abUm dia explicava-se a etimologia de certas palavras. \u201cE Domingos, perguntou ele, que quer dizer?\u201d. \u201cDomingos, respondi, quer dizer do Senhor\u201d. \u201cVeja, acrescentou logo, se n\u00e3o tenho raz\u00e3o de lhe pedir que me fa\u00e7a santo; at\u00e9 o nome diz que devo ser do Senhor. Portanto, eu quero fazer-me santo, sinto que devo fazer-me santo e estarei infeliz enquanto n\u00e3o for santo\u201d\u00bb.<br \/>\n12.\u00a0<em>Ibid., 1131.<\/em><br \/>\n13.\u00a0Cf.\u00a0<em>Const.<\/em>\u00a0SDB, 2, 25, 65, 105; Const. FMA, 5, 46, 82.<br \/>\n14.\u00a0M. Rua,\u00a0<em>Santifica\u00e7\u00e3o nossa e das almas a n\u00f3s confiadas. Carta do Reitor-Mor aos Inspetores e aos Diretores da Am\u00e9rica<\/em>, Valsalice, 24 de setembro de 1894.<br \/>\n15.\u00a0 Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Discurso por ocasi\u00e3o da visita \u00e0 Pontif\u00edcia Universalidade Salesiana,<\/em>\u00a031 de janeiro de 1981, in L\u2019Osservatore Romano, 8 de fevereiro de 1981, 1.<br \/>\n16.\u00a0E. Vigan\u00f2,\u00a0<em>Redescobrir o esp\u00edrito de Mornese<\/em>, in ACS 301 (1981), 24-25.<br \/>\n17.\u00a0Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Vig\u00edlia de Ora\u00e7\u00e3o da XV JMJ<\/em>, Roma \u2013 Tor Vergata, 19 de agosto de 2000.<br \/>\n18.\u00a0Bento XVI,\u00a0<em>Discurso na Festa de acolhida dos jovens em Col\u00f4nia<\/em>, 18 de agosto de 2005.<br \/>\n19.\u00a0Francisco,\u00a0<em>Homilia na Eucaristia do jubileu dos jovens e das jovens<\/em>, Roma 24 de abril de 2016.<br \/>\n20.\u00a0ISS,\u00a0<em>Fontes Salesianas. 1. Dom Bosco e a sua obra. Colet\u00e2nea antol\u00f3gica,<\/em>\u00a0EDB, Bras\u00edlia, 2015, 518.<br \/>\n21.\u00a0J. E. Vecchi,\u00a0<em>Andate oltre. Temi di spiritualit\u00e0 giovanile<\/em>, Elle Di Ci, Leumann (TO) 2002.<br \/>\n22.\u00a0P. Ch\u00e1vez,\u00a0<em>Queridos Salesianos, sede santos<\/em>, ACG 379 (2002), 10.<br \/>\n23.\u00a0Ambr\u00f3sio,\u00a0<em>De Virginitate<\/em>, 40.<br \/>\n24.\u00a0XV Assembleia ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos,\u00a0<em>Os jovens, a f\u00e9 e a o discernimento vocacional. Instrumentum Laboris<\/em>, LEV, Roma 2014, 214 (ed. italiana).<br \/>\n25.\u00a0XV Assembleia ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos,\u00a0<em>Os jovens, a f\u00e9 e a o discernimento vocacional. Reuni\u00e3o pr\u00e9-sinodal<\/em>. Documento final (19-24 de mar\u00e7o de 2018), Parte II, Introdu\u00e7\u00e3o. O documento est\u00e1 na p\u00e1gina http:\/\/press.vatican.va\/content\/salastampa\/it\/bollettino\/pubblico\/2018\/03\/24\/0220\/00482.html#porto<br \/>\n26.\u00a0XV Assembleia ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos,\u00a0<em>Os jovens, a f\u00e9 e a o discernimento vocacional<\/em>. Documento final [Reuni\u00e3o pr\u00e9-sinodal], LEV, Roma 2018, 167 (ed. italiana).<br \/>\n27.\u00a0Bento XVI, Catequese na Audi\u00eancia geral de 13 de abril de 2011:<em>\u00a0Insegnamenti VII<\/em>\u00a0(2011).<br \/>\n28.\u00a0<em>MB<\/em>\u00a0V, 356.<br \/>\n29.\u00a0Paulo VI,\u00a0<em>Discurso durante a \u00abvia sacra\u00bb<\/em>, 24 de mar\u00e7o de 1967.<br \/>\n30.\u00a0Bento XVI, Carta Enc\u00edclica\u00a0<em>Deus caritas est<\/em>, LEV, Roma 2005, 42.<br \/>\n31.\u00a0Paulo VI,\u00a0<em>Discurso de 27 de junho de 1965<\/em>, in E. Vigan\u00f2, Reprojetemos juntos a santidade, in ACS 303 (1981), 23.<br \/>\n32.\u00a0Orat\u00f3rio e igreja constru\u00edda por Dom Bosco em Turim, dedicados a S\u00e3o Jo\u00e3o Evangelista [n.d.t.].<br \/>\n33.\u00a0M. Menapace,\u00a0<em>Cuentos rodados<\/em>, Patria Grande, Buenos Aires 1986 (tradu\u00e7\u00e3o nossa).<br \/>\n34.\u00a0Bento XVI,\u00a0<em>Catequese na Audi\u00eancia geral<\/em>\u00a0de 13 de abril de 2011:\u00a0<em>Insegnamenti<\/em>\u00a0VII (2011).<br \/>\n35.\u00a0P. Catry,\u00a0<em>Le tracce di Dio<\/em>, in Aa. Vv., \u201cLa missione ecclesiale di Adrienne von Speyr. Atti del 2\u00b0 Colloquio Internazionale del pensiero cristiano\u201d, Jaca Book (= Gi\u00e0 e non ancora), Milano 1986, 32 citado in L. M. Zanet,\u00a0<em>La santit\u00e0 dimostrabile.<\/em>\u00a0Antropologia e prassi della canonizzazione, Dehoniane, Bologna 2016, 204.<br \/>\n36.\u00a0Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost\u00f3lica\u00a0<em>Novo Millennio Ineunte<\/em>, Roma 2001, 31.<br \/>\n37.\u00a0Dom Bosco recorda: \u00abPercebi que aquele menino estava todo impregnado de esp\u00edrito do Senhor e fiquei admirado com o trabalho que a gra\u00e7a divina j\u00e1 tinha operado em t\u00e3o tenra idade\u00bb, J. Bosco,\u00a0<em>Vida do jovem Domingos Savio, aluno do Orat\u00f3rio de S\u00e3o Francisco de Sales, com ap\u00eandice sobre as gra\u00e7as obtidas por sua intercess\u00e3o<\/em>, Ed. 5, Torino, Tipografia e Libreria Salesiana 1878 in ISS, Fontes Salesianas. 1. Dom Bosco e a sua obra. Colet\u00e2nea antol\u00f3gica, EDB, Bras\u00edlia 2017, 1124.<br \/>\n38.\u00a0O estupor, na hist\u00f3ria de Domingos S\u00e1vio, \u00e9 tipicamente eucar\u00edstico e encontra o seu momento de gra\u00e7a no dia da Primeira-Comunh\u00e3o, visto como uma semente que, quando cultivada, \u00e9 fonte de vida alegre e de compromissos decisivos: \u00abO dia da primeira comunh\u00e3o ficou-lhe para sempre gravado na mem\u00f3ria, e podemos dizer que foi o in\u00edcio, ou melhor, a continua\u00e7\u00e3o de uma vida que poderia ser apontada como modelo de vida crist\u00e3. Alguns anos mais tarde, ao falar da primeira comunh\u00e3o, seu rosto se transfigurava de emo\u00e7\u00e3o: \u201cOh! aquele dia foi para mim o mais belo da minha vida!\u201d. Escreveu algumas lembran\u00e7as que conservava cuidadosamente num livro de devo\u00e7\u00e3o e relia com frequ\u00eancia [\u2026]. 1\u00ba Irei confessar-me frequentemente e farei a comunh\u00e3o todas as vezes que o confessor me der licen\u00e7a. 2\u00ba Quero santificar os dias festivos. 3\u00ba Os meus amigos ser\u00e3o Jesus e Maria. 4\u00ba Antes morrer que pecar\u201d. Estas lembran\u00e7as, por ele muitas vezes repetidas, foram como que o Norte das suas a\u00e7\u00f5es at\u00e9 o fim da vida (<em>Vida do jovem Domingos Savio, aluno do Orat\u00f3rio de S\u00e3o Francisco de Sales, com ap\u00eandice sobre as gra\u00e7as obtidas por sua intercess\u00e3o<\/em>, Ed. 5, Torino, Tipografia e Libreria Salesiana 1878 in ISS, Fontes Salesianas. 1. Dom Bosco e a sua obra. Colet\u00e2nea antol\u00f3gica, EDB, Bras\u00edlia 2015, 1118.<br \/>\n39.\u00a0<em>Ibid.<\/em>, 1151.<br \/>\n40.\u00a0Cf.\u00a0<em>VC<\/em>, 62.<br \/>\n41.\u00a0Jo\u00e3o Paulo II,\u00a0<em>Mensagem de S.S. Jo\u00e3o Paulo II no in\u00edcio do CG25<\/em>, in CG25, 143.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>A SANTIDADE VIVIDA NO CARISMA SALESIANO<\/strong><br \/>\nA partir de agora o nosso lema \u00e9 este:<br \/>\na santidade dos filhos seja prova da santidade do pai (Padre Rua)<br \/>\n<strong>ELENCO EM 31 DE DEZEMBRO DE 2018<\/strong><br \/>\nA nossa Postula\u00e7\u00e3o faz refer\u00eancia a 168 entre Santos, Beatos, Vener\u00e1veis, Servos de Deus.<br \/>\nAs causas acompanhadas diretamente pela Postula\u00e7\u00e3o s\u00e3o 50.<br \/>\nH\u00e1 tamb\u00e9m outras 5 causas confiadas \u00e0 nossa Postula\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>SANTOS (nove)<\/strong><br \/>\n<strong>S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco<\/strong>, sacerdote (data da canoniza\u00e7\u00e3o: 1\u00ba de abril de 1934) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>S\u00e3o Jos\u00e9 Cafasso<\/strong>, sacerdote (22 de junho de 1947) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>Santa Maria Domingas Mazzarello<\/strong>, virgem (24 de junho de 1951) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>S\u00e3o Domingos S\u00e1vio<\/strong>, adolescente (12 de junho de 1954) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>S\u00e3o Leonardo Murialdo<\/strong>, sacerdote (3 de maio de 1970) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>S\u00e3o Lu\u00eds Versiglia<\/strong>, bispo, m\u00e1rtir (1\u00ba de outubro de 2000) \u2013 (It\u00e1lia \u2013 China)<br \/>\n<strong>S\u00e3o Calisto Caravario<\/strong>, sacerdote, m\u00e1rtir (1\u00ba de outubro de 2000) \u2013 (It\u00e1lia \u2013 China)<br \/>\n<strong>S\u00e3o Lu\u00eds Orione<\/strong>, sacerdote (16 de maio de 2004) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>S\u00e3o Lu\u00eds Guanella<\/strong>, sacerdote (23 de outubro de 2011) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>BEATOS (cento e dezoito)<\/strong><br \/>\n<strong>Beato Miguel Rua<\/strong>, sacerdote (data da beatifica\u00e7\u00e3o: 29 de outubro de 1972) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>Beata Laura Vicu\u00f1a<\/strong>, adolescente (3 de setembro de 1988) \u2013 (Chile \u2013 Argentina)<br \/>\n<strong>Beato Filipe Rinaldi<\/strong>, sacerdote (29 de abril de 1990) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>Beata Madalena Morano<\/strong>, virgem (5 de novembro de 1994) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>Beato Jos\u00e9 Kowalski<\/strong>, sacerdote, m\u00e1rtir (13 de junho de 1999) \u2013 (Pol\u00f4nia)<br \/>\n<strong>Beato Francisco K\u0119sy<\/strong>, leigo, e 4 companheiros, m\u00e1rtires (13 de junho de 1999) \u2013 (Pol\u00f4nia)<br \/>\n<strong>Beato Pio IX<\/strong>, papa (3 de setembro de 2000) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>Beato Jos\u00e9 Calasanz Marqu\u00e9s<\/strong>, sacerdote, e 31 companheiros, m\u00e1rtires (11 de mar\u00e7o de 2001) \u2013 (Espanha)<br \/>\n<strong>Beato Lu\u00eds Variara<\/strong>, sacerdote (14 de abril de 2002) \u2013 (It\u00e1lia \u2013 Col\u00f4mbia)<br \/>\n<strong>Beato Art\u00eamides Zatti<\/strong>, religioso (14 de abril de 2002) \u2013 (It\u00e1lia \u2013 Argentina)<br \/>\n<strong>Beata Maria Romero Meneses<\/strong>, virgem (14 de abril de 2002) \u2013 (Nicar\u00e1gua \u2013 Costa Rica)<br \/>\n<strong>Beato Augusto Czartoryski<\/strong>, sacerdote (25 de abril de 2004) \u2013 (Fran\u00e7a \u2013 Pol\u00f4nia)<br \/>\n<strong>Beata Eus\u00e9bia Palomino Yenes<\/strong>, virgem (25 de abril de 2004) \u2013 (Espanha)<br \/>\n<strong>Beata Alexandrina Maria da Costa<\/strong>, leiga (25 de abril de 2004) \u2013 (Portugal)<br \/>\n<strong>Beato Alberto Marvelli<\/strong>, leigo (5 de setembro de 2004) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>Beato Bronislau Markiewicz<\/strong>, sacerdote (19 de junho de 2005) \u2013 (Pol\u00f4nia)<br \/>\n<strong>Beato Enrico S\u00e1iz Aparicio<\/strong>, sacerdote, e 62 companheiros m\u00e1rtires (28 de outubro de 2007) \u2013 (Espanha)<br \/>\n<strong>Beato Zeferino Namuncur\u00e1<\/strong>, leigo (11 de novembro de 2007) \u2013 (Argentina)<br \/>\n<strong>Beata Maria Troncatti<\/strong>, virgem (24 de novembro de 2012) \u2013 (It\u00e1lia \u2013 Equador)<br \/>\n<strong>Beato Est\u00eav\u00e3o S\u00e1ndor<\/strong>, religioso, m\u00e1rtir (19 de outubro de 2013) \u2013 (Hungria)<br \/>\n<strong>Beato Tito Zeman<\/strong>, sacerdote, m\u00e1rtir (30 de setembro de 2017) \u2013 (Eslov\u00e1quia)<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>VENER\u00c1VEIS (dezessete)<\/strong><br \/>\n<strong>Ven. Andr\u00e9 Beltrami<\/strong>, sacerdote (data do Decreto super virtutibus: 15 de dezembro de 1966) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>Ven. Teresa Vals\u00e9 Pantellini<\/strong>, virgem (12 de julho de 1982) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>Ven. Doroteia Chopitea<\/strong>, leiga (9 de junho de 1983) \u2013 (Espanha)<br \/>\n<strong>Ven. Vicente Cimatti<\/strong>, sacerdote (21 de dezembro de 1991) \u2013 (It\u00e1lia \u2013 Jap\u00e3o)<br \/>\n<strong>Ven. Sim\u00e3o Srugi<\/strong>, religioso (2 de abril de 1993) \u2013 (Palestina)<br \/>\n<strong>Ven. Rodolfo Komorek<\/strong>, sacerdote (6 de abril de 1995) \u2013 (Pol\u00f4nia \u2013 Brasil)<br \/>\n<strong>Ven. Lu\u00eds Olivares<\/strong>, bispo (20 de dezembro de 2004) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>Ven. Margarida Occhiena<\/strong>, leiga (23 de outubro de 2006) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>Ven. Jos\u00e9 Quadrio<\/strong>, sacerdote (19 de dezembro de 2009) \u2013 (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>Ven. Laura Meozzi<\/strong>, virgem (27 de junho de 2011) \u2013 (It\u00e1lia \u2013 Pol\u00f4nia)<br \/>\n<strong>Ven. At\u00edlio Giordani<\/strong>, leigo (9 de outubro de 2013) \u2013 (It\u00e1lia \u2013 Brasil)<br \/>\n<strong>Ven. Jos\u00e9 Augusto Arribat<\/strong>, sacerdote (8 de julho de 2014) \u2013 (Fran\u00e7a)<br \/>\n<strong>Ven. Est\u00eav\u00e3o Ferrando<\/strong>, bispo (3 de mar\u00e7o de 2016) \u2013 (It\u00e1lia \u2013 \u00cdndia)<br \/>\n<strong>Ven. Francisco Convertini<\/strong>, sacerdote (20 de janeiro de 2017) \u2013 (It\u00e1lia \u2013 \u00cdndia)<br \/>\n<strong>Ven. Jos\u00e9 Vandor<\/strong>, sacerdote (20 de janeiro de 2017) \u2013 (Hungria \u2013 Cuba)<br \/>\n<strong>Ven. Ot\u00e1vio Ortiz Arrieta<\/strong>, bispo (27 de fevereiro de 2017) \u2013 (Peru)<br \/>\n<strong>Ven. Augusto Hlond<\/strong>, cardeal (19 de maio de 2018) \u2013 (Pol\u00f4nia)<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<strong>SERVOS DE DEUS (vinte e quatro)<\/strong><br \/>\n<em>Exame da Positio ou da Reda\u00e7\u00e3o em andamento<\/em><br \/>\n<strong>Elia Comini<\/strong>, sacerdote (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>In\u00e1cio Stuchly<\/strong>, sacerdote (Rep\u00fablica Checa)<br \/>\n<strong>Antonio de Almeida Lustosa<\/strong>, bispo (Brasil)<br \/>\n<strong>Carlos Crespi Croci<\/strong>, sacerdote (It\u00e1lia \u2013 Equador)<br \/>\n<strong>Constantino Vendrame<\/strong>, sacerdote (It\u00e1lia \u2013 \u00cdndia)<br \/>\n<strong>Jo\u00e3o \u015awierc<\/strong>, sacerdote e 8 companheiros, m\u00e1rtires (Pol\u00f4nia)<br \/>\n<strong>Orestes Marengo<\/strong>, bispo (It\u00e1lia \u2013 \u00cdndia)<br \/>\n<strong>Carlos Della Torre<\/strong>, sacerdote (It\u00e1lia \u2013 Tail\u00e2ndia)<br \/>\n<em>\u00c0 espera do Decreto de Validade do Processo diocesano<\/em><br \/>\n<strong>Ana Maria Lozano<\/strong>, virgem (Col\u00f4mbia)<br \/>\n<em>Processo diocesano em andamento<\/em><br \/>\n<strong>Matilde Salem<\/strong>, leiga (S\u00edria)<br \/>\n<strong>Andr\u00e9 Majcen<\/strong>, sacerdote (Eslov\u00eania)<br \/>\n<strong>Carlos Braga<\/strong>, sacerdote (It\u00e1lia \u2013 China \u2013 Filipinas)<br \/>\n<strong>Antonino Baglieri<\/strong>, Leigo (It\u00e1lia)<br \/>\n<strong>Antonieta B\u00f6hm<\/strong>, virgem (Alemanha \u2013 M\u00e9xico)<br \/>\n<strong>Rodolfo Lunkenbein<\/strong>, sacerdote (Alemanha \u2013 Brasil) e\u00a0<strong>Sim\u00e3o Bororo<\/strong>, Leigo (Brasil), m\u00e1rtires<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPara que a minha alegria esteja em v\u00f3s\u201d (Jo 15,11) A SANTIDADE \u00c9 TAMB\u00c9M PARA VOC\u00ca Meus caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, minha querida Fam\u00edlia Salesiana, Continuando<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":74654,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[73,137],"tags":[],"class_list":["post-74653","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-da-paroquia","category-subdestaques"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74653"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74653\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}