{"id":76433,"date":"2019-05-29T08:32:41","date_gmt":"2019-05-29T11:32:41","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=76433"},"modified":"2019-05-29T08:32:41","modified_gmt":"2019-05-29T11:32:41","slug":"papa-a-ternura-e-patrimonio-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/papa-a-ternura-e-patrimonio-da-mulher\/","title":{"rendered":"Papa: a ternura \u00e9 patrim\u00f4nio da mulher"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter \" src=\"http:\/\/i66.tinypic.com\/2rwb9m8.jpg\" \/><br \/>\nPublicamos alguns trechos da entrevista do Papa Francisco \u00e0 jornalista Valentina Alazraki da emissora mexicana Televisa.<br \/>\n<strong>Papa Francisco, falando de viol\u00eancia, h\u00e1 um tema sobre o qual fala-se muito, que \u00e9 a viol\u00eancia contra as mulheres, os feminic\u00eddios. Tenho esta correntinha que me foi dada por uma mulher que teve seu marido assassinado na sua frente, ela estava gr\u00e1vida. E esta \u00e9 uma blusa que me pediram para lhe entregar. \u00c9 de uma mulher que foi morta diante de seu filho\u2026 Um caso contr\u00e1rio. E pediram para lhe entregar para que o senhor pense em todas as mulheres v\u00edtimas da viol\u00eancia, no M\u00e9xico e no mundo\u2026 Ela chamava-se Roc\u00edo\u2026<\/strong><br \/>\nPapa Francisco: Roc\u00edo\u2026 aqui h\u00e1 uma vida de sofrimento, uma hist\u00f3ria que termina com viol\u00eancia, injusti\u00e7a e dor\u2026<br \/>\n<strong>Fala-se de estat\u00edsticas, por\u00e9m esta chama-se Roc\u00edo, ou se chama Grecia, ou Miroslava, enfim s\u00e3o nomes\u2026 S\u00e3o nomes, pessoas em carne e osso. N\u00e3o se entende porque est\u00e1 nascendo esta viol\u00eancia de g\u00eanero contra a mulher todos os dias na It\u00e1lia, na Espanha, no mundo inteiro. No M\u00e9xico\u2026 n\u00e3o s\u00e3o estat\u00edsticas, s\u00e3o mulheres. Na sua opini\u00e3o, por que h\u00e1 este \u00f3dio contra as mulheres que leva a tantos feminic\u00eddios\u2026<\/strong><br \/>\nPapa Francisco: Hoje eu n\u00e3o saberia dar uma resposta sociol\u00f3gica. Todavia, ousaria dizer que a mulher ainda est\u00e1 em segundo lugar\u2026 em segundo lugar. Em uma viagem a\u00e9rea contei-lhes como come\u00e7aram as j\u00f3ias das mulheres. Recordam? Bom\u2026 desde a \u00e9poca pr\u00e9-hist\u00f3rica se \u00e9 verdade ou n\u00e3o, veremos\u2026 a mulher est\u00e1 ali. Isso est\u00e1 no imagin\u00e1rio coletivo. Caso a mulher obtenha um cargo importante, com grande influ\u00eancia, ent\u00e3o ficamos sabendo de casos de mulheres fant\u00e1sticas. Por\u00e9m no imagin\u00e1rio coletivo diz-se: olha, \u00e9 mulher e conseguiu! Conseguiu ganhar o pr\u00eamio Nobel! Inacredit\u00e1vel. V\u00ea-se o g\u00eanio liter\u00e1rio que se expressa nestas coisas. E a mulher em segundo lugar. E do segundo lugar passar a objeto de escravid\u00e3o n\u00e3o precisa muito. \u00c9 suficiente caminhar pela Esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria Termini, pelas ruas de Roma para ver. E s\u00e3o mulheres na Europa, na culta Roma. S\u00e3o mulheres escravas. Porque \u00e9 isso o que s\u00e3o. Por\u00e9m passar dessa situa\u00e7\u00e3o para mat\u00e1-las\u2026 Quando visitei um centro de recupera\u00e7\u00e3o para jovens no Ano da Miseric\u00f3rdia, tinha uma jovem com a orelha arrancada, porque n\u00e3o tinha levado dinheiro suficiente ao seu patr\u00e3o. Essas pessoas controlam os clientes de modo especial, ent\u00e3o se a mo\u00e7a n\u00e3o faz o seu dever \u00e9 espancada ou \u00e9 punida como aconteceu com aquela jovem. Mulheres escravas. Li h\u00e1 pouco o livro de Nadia Murad, \u201cEu serei a \u00faltima\u201d, deu-me de presente quando veio aqui em Roma. Aconselho a quem n\u00e3o leu. Ali est\u00e1 concentrado, mesmo sendo em uma cultura especial, tudo o que o mundo pensa das mulheres. Um mundo sem mulheres n\u00e3o funciona. N\u00e3o porque \u00e9 a mulher que tem os filhos, deixemos de lado a procria\u00e7\u00e3o. Uma casa sem uma mulher n\u00e3o funciona. H\u00e1 uma palavra que est\u00e1 para sair do dicion\u00e1rio, porque causa medo em todos: a ternura. \u00c9 patrim\u00f4nio da mulher. Por\u00e9m, daqui ao feminic\u00eddio, \u00e0 escravid\u00e3o, o passo \u00e9 breve. Qual \u00e9 o motivo do \u00f3dio, n\u00e3o saberia explicar. Talvez algum antrop\u00f3logo poder\u00e1 explicar melhor. E como se cria este \u00f3dio, matar mulheres \u00e9 uma aventura? N\u00e3o sei explicar. Mas \u00e9 evidente que a mulher continua em segundo plano e a express\u00e3o de surpresa quando uma mulher tem sucesso indica isso muito bem.<br \/>\n<strong>Na Am\u00e9rica Latina o senhor conheceu bem essas realidades. Agora estou escrevendo um livro que ter\u00e1 como t\u00edtulo \u201cGr\u00e9cia e as outras\u201d, que fala justamente das mulheres v\u00edtimas, de um modo ou de outro, de viol\u00eancias. Impressionou-me a coragem das mulheres mexicanas e latino-americanas. Fazem tudo sozinhas. S\u00e3o m\u00e3es, muitas vezes m\u00e3es-av\u00f3s, cuidando dos netos, respons\u00e1veis em todos os sentidos da fam\u00edlia, porque os maridos, ou foram mortos ou s\u00e3o alco\u00f3latras ou t\u00eam problemas. S\u00e3o mulheres hero\u00ednas\u2026<\/strong><br \/>\nPapa Francisco: Veja bem, a mulher sempre tende a esconder a fraqueza, a salvar a vida. H\u00e1 uma imagem que ficou particularmente marcada em mim: a fila de m\u00e3es ou de mulheres que vejo sempre, quando chego em um c\u00e1rcere, esperando para entrar e visitar os filhos, ou o marido encarcerado. E todas as humilha\u00e7\u00f5es que devem suportar para conseguir fazer isso. Ficam nas ruas. Passam os \u00f4nibus, as pessoas ficam olhando para elas. Mas elas n\u00e3o se importam com isso. Pensam, o meu amor est\u00e1 ali dentro.<br \/>\n<strong>T\u00eam uma grande coragem<\/strong><br \/>\nPapa Francisco: Fant\u00e1sticas. Fant\u00e1sticas e guerreiras. Recorda-me sempre o caso do Paraguai na Grande guerra civil. Foram as mulheres mais gloriosas da Am\u00e9rica, porque depois daquela guerra t\u00e3o injusta, defenderam a p\u00e1tria, a cultura, a f\u00e9 e a l\u00edngua. Sem se prostituir e continuando a procriar. Fant\u00e1stico!<br \/>\nVia <i>Vatican News<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":76436,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[4451,6533,10116],"class_list":["post-76433","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-feminicidio","tag-mulher","tag-violencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76433","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76433"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76433\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76433"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76433"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76433"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}