{"id":76657,"date":"2019-06-18T08:13:25","date_gmt":"2019-06-18T11:13:25","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=76657"},"modified":"2019-06-18T08:13:25","modified_gmt":"2019-06-18T11:13:25","slug":"documento-de-trabalho-do-sinodo-amazonia-pede-a-igreja-que-seja-sua-aliada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/documento-de-trabalho-do-sinodo-amazonia-pede-a-igreja-que-seja-sua-aliada\/","title":{"rendered":"Documento de Trabalho do S\u00ednodo: &#8220;Amaz\u00f4nia pede \u00e0 Igreja que seja sua aliada&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter \" src=\"http:\/\/i65.tinypic.com\/2nvquc1.png\" \/><br \/>\nO mundo amaz\u00f4nico pede \u00e0 Igreja que seja sua aliada: esta \u00e9 a alma do Documento de Trabalho (<em>Instrumentum Laboris<\/em>) publicado na manh\u00e3 desta segunda-feira (17 de junho) pela Secretaria Geral do S\u00ednodo dos Bispos e apresentado \u00e0 imprensa.<br \/>\nO Documento \u00e9 fruto de um processo de escuta que teve in\u00edcio com a visita do Papa Francisco a Puerto Maldonado (Peru) em janeiro de 2018, prosseguiu com a consulta ao Povo de Deus em toda a Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica por todo o ano e se concluiu com a II Reuni\u00e3o do Conselho Pr\u00e9-Sinodal, em maio passado.<br \/>\n<strong>Ouvir com Deus o grito do povo; at\u00e9 respirar nele a vontade a que Deus nos chama<\/strong><br \/>\nO territ\u00f3rio da Amaz\u00f4nia abrange uma parte do Brasil, da Bol\u00edvia, do Peru, do Equador, da Col\u00f4mbia, da Venezuela, da Guiana, do Suriname e da Guiana Francesa, em uma extens\u00e3o de 7,8 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, no cora\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul. Suas florestas cobrem aproximadamente 5,3 milh\u00f5es de km2, o que representa 40% da \u00e1rea de florestas tropicais do globo.<br \/>\nA primeira parte do Documento, \u201cA voz da Amaz\u00f4nia\u201d, apresenta a realidade do territ\u00f3rio e de seus povos. E come\u00e7a pela vida e sua rela\u00e7\u00e3o com a \u00e1gua e os grandes rios, que fluem como veias da flora e fauna do territ\u00f3rio, como manancial de seus povos, de suas culturas e de suas express\u00f5es espirituais, alimentando a natureza, a vida e as culturas das comunidades ind\u00edgenas, camponesas, afrodescendentes, ribeirinhas e urbanas.<br \/>\n<strong>Vida amea\u00e7ada, amea\u00e7a integral<\/strong><br \/>\nA vida na Amaz\u00f4nia est\u00e1 amea\u00e7ada pela destrui\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o ambiental, pela viola\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos direitos humanos elementares de sua popula\u00e7\u00e3o. De modo especial a viola\u00e7\u00e3o dos direitos dos povos origin\u00e1rios, como o direito ao territ\u00f3rio, \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, \u00e0 demarca\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e \u00e0 consulta e ao consentimento pr\u00e9vios.<br \/>\n<strong>Rios, manancial de povos, culturas e express\u00f5es espirituais na Amaz\u00f4nia<\/strong><br \/>\nSegundo as comunidades participantes nesta escuta sinodal, a amea\u00e7a \u00e0 vida deriva de interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos dos setores dominantes da sociedade atual, de maneira especial de empresas extrativistas. Atualmente, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e o aumento da interven\u00e7\u00e3o humana (desmatamento, inc\u00eandios e altera\u00e7\u00e3o no uso do solo) est\u00e3o levando a Amaz\u00f4nia rumo a um ponto de n\u00e3o-retorno, com altas taxas de desfloresta\u00e7\u00e3o, deslocamento for\u00e7ado da popula\u00e7\u00e3o e contamina\u00e7\u00e3o, pondo em perigo seus ecossistemas e exercendo press\u00e3o sobre as culturas locais.<br \/>\n<strong>O clamor da terra e dos pobres<\/strong><br \/>\nNa segunda parte, o Documento examina e oferece sugest\u00f5es \u00e0s quest\u00f5es relativas \u00e0 ecologia integral. Hoje, a Amaz\u00f4nia constitui uma formosura ferida e deformada, um lugar de dor e viol\u00eancia, como o indicam de maneira eloquente os relat\u00f3rios das Igrejas locais recebidos pela Secretaria Geral do S\u00ednodo. Reinam a viol\u00eancia, o caos e a corrup\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cO territ\u00f3rio se transformou em um espa\u00e7o de desencontros e de exterm\u00ednio de povos, culturas e gera\u00e7\u00f5es.\u201d<br \/>\nH\u00e1 quem se sente for\u00e7ado a sair de sua terra; muitas vezes cai nas redes das m\u00e1fias, do narcotr\u00e1fico e do tr\u00e1fico de pessoas (em sua maioria mulheres), do trabalho e da prostitui\u00e7\u00e3o infantil. Trata-se de uma realidade tr\u00e1gica e complexa, que se encontra \u00e0 margem da lei e do direito.<br \/>\n<strong>Territ\u00f3rio de esperan\u00e7a e do \u201cbem viver\u201d<\/strong><br \/>\nOs povos amaz\u00f4nicos origin\u00e1rios t\u00eam muito a ensinar-nos. Reconhecemos que desde h\u00e1 milhares de anos eles cuidam de sua terra, da \u00e1gua e da floresta, e conseguiram preserv\u00e1-las at\u00e9 hoje a fim de que a humanidade possa beneficiar-se do usufruto dos dons gratuitos da cria\u00e7\u00e3o de Deus. Os novos caminhos de evangeliza\u00e7\u00e3o devem ser constru\u00eddos em di\u00e1logo com estas sabedorias ancestrais em que se manifestam as sementes do Verbo.<br \/>\n<strong>Povos nas periferias<\/strong><br \/>\nO Documento de Trabalho analisa tamb\u00e9m a situa\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas em Isolamento Volunt\u00e1rio (PIAV). Segundo dados de institui\u00e7\u00f5es especializadas da Igreja (por ex., CIMI) e outras, no territ\u00f3rio da Amaz\u00f4nia existem de 110 a 130 diferentes \u201cpovos livres\u201d, que vivem \u00e0 margem da sociedade, ou em contato espor\u00e1dico com ela. S\u00e3o vulner\u00e1veis perante as amea\u00e7as&#8230; do narcotr\u00e1fico, de megaprojetos de infraestrutura, e de atividades ilegais vinculadas ao modelo de desenvolvimento extrativista.<br \/>\n<strong>Povos amaz\u00f4nicos em sa\u00edda<\/strong><br \/>\nA Amaz\u00f4nia se encontra entre as regi\u00f5es com maior mobilidade interna e internacional na Am\u00e9rica Latina. De acordo com as estat\u00edsticas, a popula\u00e7\u00e3o urbana da Amaz\u00f4nia aumentou de modo exponencial; atualmente, de 70 a 80% da popula\u00e7\u00e3o reside nas cidades, que recebem permanentemente um elevado n\u00famero de pessoas e n\u00e3o conseguem proporcionar os servi\u00e7os b\u00e1sicos dos quais os migrantes necessitam. N\u00e3o obstante tenha acompanhado este fluxo migrat\u00f3rio, a Igreja deixou no interior da Amaz\u00f4nia vazios pastorais que devem ser preenchidos.<br \/>\n<strong>Igreja prof\u00e9tica na Amaz\u00f4nia: desafios e esperan\u00e7as<\/strong><br \/>\nEnfim, a \u00faltima parte do Documento de Trabalho chama os Padres Sinodais da Pan-amaz\u00f4nia a discutirem o segundo bin\u00e1rio do tema proposto pelo Papa: os novos caminhos para a Igreja na regi\u00e3o.<br \/>\nPor falta de sacerdotes, as comunidades t\u00eam dificuldade de celebrar com frequ\u00eancia a Eucaristia. \u201cA Igreja vive da Eucaristia\u201d e a Eucaristia edifica a Igreja. Por isso, pede-se que, em vez de deixar as comunidades sem a Eucaristia, se alterem os crit\u00e9rios para selecionar e preparar os ministros autorizados para celebr\u00e1-la. As comunidades pedem ainda maiores aprecia\u00e7\u00e3o, acompanhamento e promo\u00e7\u00e3o da piedade com a qual o povo pobre e simples expressa sua f\u00e9, mediante imagens, s\u00edmbolos, tradi\u00e7\u00f5es, ritos e outros sacramentais. Trata-se da manifesta\u00e7\u00e3o de uma sabedoria e espiritualidade que constitui um aut\u00eantico lugar teol\u00f3gico, dotado de um enorme potencial evangelizador. Seria oportuno voltar a considerar a ideia de que o exerc\u00edcio da jurisdi\u00e7\u00e3o (poder de governo) deve estar vinculado em todos os \u00e2mbitos (sacramental, judicial e administrativo) e de maneira permanente ao sacramento da ordem.<br \/>\n<strong>Novos minist\u00e9rios<\/strong><br \/>\nPara al\u00e9m da pluralidade de culturas no interior da Amaz\u00f4nia, as dist\u00e2ncias causam um problema pastoral grave, que n\u00e3o se pode resolver unicamente com instrumentos mec\u00e2nicos e tecnol\u00f3gicos. \u00c9 necess\u00e1rio promover voca\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones de homens e mulheres, como resposta \u00e0s necessidades de aten\u00e7\u00e3o pastoral-sacramental. Trata-se de ind\u00edgenas que apregoem a ind\u00edgenas a partir de um profundo conhecimento de sua cultura e de sua l\u00edngua, capazes de comunicar a mensagem do Evangelho com a for\u00e7a e a efic\u00e1cia de quem disp\u00f5e de uma bagagem cultural.<br \/>\n\u201c\u00c9 necess\u00e1rio passar de uma \u201cIgreja que visita\u201d para uma \u201cIgreja que permanece\u201d, acompanha e est\u00e1 presente atrav\u00e9s de ministros provenientes de seus pr\u00f3prios habitantes.\u201d<br \/>\nAfirmando que o celibato \u00e9 uma d\u00e1diva para a Igreja, pede-se que, para as \u00e1reas mais remotas da regi\u00e3o, se estude a possibilidade da ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal de pessoas idosas, de prefer\u00eancia ind\u00edgenas, respeitadas e reconhecidas por sua comunidade, mesmo que j\u00e1 tenham uma fam\u00edlia constitu\u00edda e est\u00e1vel, com a finalidade de assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida crist\u00e3.<br \/>\n<strong>Papel da mulher<\/strong><br \/>\n\u00c9 pedido que se identifique o tipo de minist\u00e9rio oficial que pode ser conferido \u00e0 mulher, tendo em considera\u00e7\u00e3o o papel central que hoje ela desempenha na Igreja amaz\u00f4nica. Reclama-se o reconhecimento das mulheres a partir de seus carismas e talentos. Elas pedem para recuperar o espa\u00e7o que Jesus reservou \u00e0s mulheres, \u201conde todos\/todas cabemos\u201d. Prop\u00f5e-se inclusive que \u00e0s mulheres seja garantido sua lideran\u00e7a, assim como espa\u00e7os cada vez mais abrangentes e relevantes na \u00e1rea da forma\u00e7\u00e3o: teologia, catequese, liturgia e escolas de f\u00e9 e de pol\u00edtica.<br \/>\n<strong>A vida consagrada<\/strong><br \/>\nProp\u00f5e-se promover uma vida consagrada alternativa e prof\u00e9tica, intercongregacional, interinstitucional, com um sentido de disposi\u00e7\u00e3o para estar onde ningu\u00e9m quer estar e com quantos ningu\u00e9m quer estar. Aconselha-se que a forma\u00e7\u00e3o para a vida religiosa inclua processos formativos focados a partir da interculturalidade, incultura\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo entre espiritualidades e cosmovis\u00f5es amaz\u00f4nicas.<br \/>\n<strong>Ecumenismo<\/strong><br \/>\nO Documento n\u00e3o deixa de relevar o importante fen\u00f4meno importante a ter em considera\u00e7\u00e3o \u00e9 o vertiginoso crescimento das recentes Igrejas evang\u00e9licas de origem pentecostal, especialmente nas periferias: \u201cElas nos mostram outro modo de ser Igreja, onde o povo se sente protagonista, onde os fi\u00e9is podem expressar-se livremente, sem censuras, dogmatismos, nem disciplinas rituais\u201d.<br \/>\n<strong>Igreja e poder: caminho de cruz e mart\u00edrio de muitos<\/strong><br \/>\nSer Igreja na Amaz\u00f4nia de maneira realista significa levantar profeticamente o problema do poder, porque nesta regi\u00e3o o povo n\u00e3o tem possibilidade de fazer valer seus direitos face \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Atualmente, questionar o poder na defesa do territ\u00f3rio e dos direitos humanos significa arriscar a vida, abrindo um caminho de cruz e mart\u00edrio. O n\u00famero de m\u00e1rtires na Amaz\u00f4nia \u00e9 alarmante (por ex., somente no Brasil, de 2003 a 2017, foram assassinados 1.119 ind\u00edgenas por terem defendido seus territ\u00f3rios).<br \/>\n\u201cA Igreja n\u00e3o pode permanecer indiferente mas, pelo contr\u00e1rio, deve contribuir para a prote\u00e7\u00e3o das\/dos defensores de direitos humanos, e fazer mem\u00f3ria de seus m\u00e1rtires, entre elas mulheres l\u00edderes como a Irm\u00e3 Dorothy Stang.\u201d<br \/>\nDurante o percurso de constru\u00e7\u00e3o do <strong>Instrumentum Laboris<\/strong>, ouviu-se a voz da Amaz\u00f4nia \u00e0 luz da f\u00e9 com a inten\u00e7\u00e3o de responder ao clamor do povo e do territ\u00f3rio amaz\u00f4nico por uma ecologia integral e por novos caminhos para uma Igreja prof\u00e9tica na Amaz\u00f4nia. Estas vozes amaz\u00f4nicas exortam o S\u00ednodo dos Bispos a dar uma resposta renovada \u00e0s diferentes situa\u00e7\u00f5es e a procurar novos caminhos que possibilitam um kair\u00f3s para a Igreja e o mundo.<br \/>\nVia <i>Vatican News<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REPAM<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":76660,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[3835,8405,9256],"class_list":["post-76657","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-ecumenismo","tag-repam","tag-sinodo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76657","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76657"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76657\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76657"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76657"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76657"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}