{"id":77989,"date":"2019-09-06T08:07:00","date_gmt":"2019-09-06T11:07:00","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=77989"},"modified":"2019-09-06T08:07:00","modified_gmt":"2019-09-06T11:07:00","slug":"discurso-do-papa-aos-bispos-clero-religiosos-e-catequistas-de-mocambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/discurso-do-papa-aos-bispos-clero-religiosos-e-catequistas-de-mocambique\/","title":{"rendered":"Discurso do Papa aos bispos, clero, religiosos e catequistas de Mo\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/i.ibb.co\/Bw3brGb\/Papa-Francisco-Encuentro-Obispos-Sacerdotes-Edward-pentin-ACI-05092019.jpg\" alt=\"Papa-Francisco-Encuentro-Obispos-Sacerdotes-Edward-pentin-ACI-05092019\" \/><br \/>\nA Catedral da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o foi o cen\u00e1rio do encontro que o Papa Francisco teve com os Bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, consagrados, seminaristas, catequistas e animadores de pastoral de Mo\u00e7ambique, nesta quinta-feira, 5 de setembro, segundo dia de sua viagem pastoral \u00e0 \u00c1frica, que tamb\u00e9m o levar\u00e1 a Madagascar e Maur\u00edcio.<br \/>\nAp\u00f3s escutar os testemunhos de um sacerdote, uma religiosa e um catequista, o Pont\u00edfice refletiu sobre a voca\u00e7\u00e3o ao sacerd\u00f3cio e \u00e0 vida consagrada. Uma de suas reflex\u00f5es tratou sobre a crise de identidade sacerdotal.<br \/>\n\u201cPerante a crise de identidade sacerdotal, talvez tenhamos que sair dos lugares importantes e solenes; temos de voltar aos lugares onde fomos chamados, onde era evidente que a iniciativa e o poder eram de Deus\u201d.<br \/>\nA seguir, o texto completo do discurso do Papa Francisco:<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Amados irm\u00e3os bispos,<br \/>\nQueridos sacerdotes, religiosas, religiosos e seminaristas,<br \/>\nPrezados catequistas e animadores de comunidades crist\u00e3s,<br \/>\nCaros irm\u00e3os e irm\u00e3s, boa tarde!<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o a sauda\u00e7\u00e3o de boas-vindas de Dom Hil\u00e1rio em nome de todos v\u00f3s. Com afeto e grande reconhecimento, vos sa\u00fado a todos. Sei que fizestes um grande esfor\u00e7o para estar aqui. Juntos, queremos renovar a resposta \u00e0 chamada que uma vez fez arder os nossos cora\u00e7\u00f5es e que a Santa M\u00e3e Igreja nos ajudou a discernir e confirmar com a miss\u00e3o.<br \/>\nObrigado pelos vossos testemunhos, que falam das horas dif\u00edceis e s\u00e9rios desafios que viveis, reconhecendo limita\u00e7\u00f5es e debilidades; mas tamb\u00e9m admirando a miseric\u00f3rdia de Deus. Fiquei contente ao ouvir dizer, da boca de uma catequista: \u00abSomos uma Igreja inserida num povo heroico\u00bb, que se entende de sofrimentos, mas mant\u00e9m viva a esperan\u00e7a. Com este s\u00e3o orgulho pelo vosso povo, que convida a renovar a f\u00e9 e a esperan\u00e7a, queremos renovar o nosso sim. Como fica feliz a Santa M\u00e3e Igreja ao ouvir-vos manifestar o amor ao Senhor e \u00e0 miss\u00e3o que vos deu! Como ela fica contente ao ver o vosso desejo de voltar sempre ao \u00abprimitivo amor\u00bb (Ap 2, 4)!<br \/>\nPe\u00e7o ao Esp\u00edrito Santo que vos d\u00ea sempre a lucidez de chamar a realidade pelo seu nome, a coragem de pedir perd\u00e3o e a capacidade de aprender a ouvir o que Ele nos quer dizer.<br \/>\nQueridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, gostemos ou n\u00e3o, somos chamados a encarar a realidade como ela \u00e9. Os tempos mudam e devemos reconhecer que muitas vezes n\u00e3o sabemos como inserir-nos nos novos cen\u00e1rios; podemos sonhar com as \u00abcebolas do Egito\u00bb (Nm 11, 5), esquecendo que a Terra Prometida est\u00e1 \u00e0 frente, n\u00e3o atr\u00e1s, e neste lamento pelos tempos passados, vamo-nos petrificando. Vamos nos mumificando. N\u00e3o \u00e9 uma boa coisa um Bispo, um sacerdote, inclusive um catequista mumificado. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 bom. Em vez de professar uma Boa Nova, o que anunciamos \u00e9 algo cinzento que n\u00e3o atrai nem inflama o cora\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m. Essa \u00e9 a tenta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEncontramo-nos nesta catedral, dedicada \u00e0 Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Virgem Maria, para compartilhar como fam\u00edlia aquilo que nos acontece; como fam\u00edlia, que nasceu naquele sim que Maria deu ao anjo. Ela, nem por um momento olhou para tr\u00e1s. Quem narra estes acontecimentos do in\u00edcio do mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o \u00e9 o evangelista Lucas. No seu modo de o fazer, talvez possamos descobrir resposta para as perguntas que fizestes hoje. Um Bispo, um sacerdote, a irm\u00e3 catequista&#8230; Os seminaristas n\u00e3o fizeste! Talvez possamos encontrar tamb\u00e9m o est\u00edmulo necess\u00e1rio para responder com a mesma generosidade e solicitude de Maria.<br \/>\nS\u00e3o Lucas apresenta em paralelo os acontecimentos relacionados com S\u00e3o Jo\u00e3o Batista e com Jesus Cristo; pretende que, no contraste, descubramos aquilo que se vai apagando do modo de ser de Deus e de relacionar-se com Ele no Antigo Testamento, e o novo modo que nos traz o Filho de Deus feito homem. De certa forma, no Antigo Testamento, ele desce, e de uma nova maneira que Jesus traz. De um modo, no Antigo Testamento, ele desce, e de um novo modo que traz Jesus.<br \/>\n\u00c9 evidente que, nas duas Anuncia\u00e7\u00f5es, h\u00e1 um anjo. Entretanto, numa, a apari\u00e7\u00e3o d\u00e1-se na Judeia, na mais importante das cidades \u2013 Jerusal\u00e9m \u2013 e n\u00e3o acontece num lugar qualquer, mas no templo e, dentro dele, no Santo dos Santos; dirige-se a um var\u00e3o e\u2026 sacerdote. Ao passo que o an\u00fancio da Encarna\u00e7\u00e3o \u00e9 feito na Galileia, a mais remota e conflituosa das regi\u00f5es, numa pequena aldeia \u2013 Nazar\u00e9 \u2013, numa casa e n\u00e3o na sinagoga ou lugar religioso, feito a uma leiga e&#8230; mulher. Que mudou? Tudo. E, nesta mudan\u00e7a, est\u00e1 a nossa identidade mais profunda.<br \/>\nPergunt\u00e1veis que fazer com a crise de identidade sacerdotal, como lutar contra ela? A prop\u00f3sito, o que vou dizer relativamente aos sacerdotes \u00e9 algo que todos (bispos, catequistas, consagrados, seminaristas) somos chamados a cultivar e fomentar.<br \/>\nPerante a crise de identidade sacerdotal, talvez tenhamos que sair dos lugares importantes e solenes; temos de voltar aos lugares onde fomos chamados, onde era evidente que a iniciativa e o poder eram de Deus. Ningu\u00e9m de n\u00f3s foi chamado a um lugar importante, ningu\u00e9m.<br \/>\n\u00c0s vezes sem querer, sem culpa moral, habituamo-nos a identificar a nossa atividade cotidiana de sacerdotes com certos ritos, com reuni\u00f5es e col\u00f3quios, onde o lugar que ocupamos na reuni\u00e3o, na mesa ou na aula \u00e9 de hierarquia; parecemo-nos mais com Zacarias do que com Maria. \u00abCreio n\u00e3o exagerar se dissermos que o sacerdote \u00e9 uma pessoa muito pequena: a grandeza incomensur\u00e1vel do dom que nos \u00e9 dado para o minist\u00e9rio relega-nos entre os menores dos homens.<br \/>\nO sacerdote \u00e9 o mais pobre dos homens \u2013 sim, o sacerdote \u00e9 o mais pobre dos homens \u2013, se Jesus n\u00e3o o enriquece com a sua pobreza; \u00e9 o servo mais in\u00fatil, se Jesus n\u00e3o o trata como amigo; \u00e9 o mais louco dos homens, se Jesus n\u00e3o o instrui pacientemente como fez com Pedro; o mais indefeso dos crist\u00e3os, se o Bom Pastor n\u00e3o o fortifica no meio do rebanho.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m menor que um sacerdote deixado meramente \u00e0s suas for\u00e7as; por isso, a nossa ora\u00e7\u00e3o de defesa contra toda a cilada do Maligno \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o da nossa M\u00e3e: sou sacerdote, porque Ele olhou com bondade para a minha pequenez (cf. Lc 1, 48)\u00bb (Homilia na Missa Crismal, 17 de abril de 2014).<br \/>\nVoltar a Nazar\u00e9 pode ser o caminho para enfrentar a crise de identidade. Jesus chama, depois da ressurrei\u00e7\u00e3o, a voltar a Galileia para encontra-los. Voltar a Nazar\u00e9, ao primeiro chamado. Voltar a Galileia para resolver a crise de identidade. Voltar a Nazar\u00e9 para nos renovarmos como pastores-disc\u00edpulos mission\u00e1rios.<br \/>\nV\u00f3s pr\u00f3prios fal\u00e1veis de certo exagero na preocupa\u00e7\u00e3o de gerar recursos para o bem-estar pessoal, por \u00abcaminhos tortuosos\u00bb que muitas vezes acabam por privilegiar atividades com uma retribui\u00e7\u00e3o garantida e criam resist\u00eancias a dedicar a vida ao pastoreio di\u00e1rio.<br \/>\nA imagem desta donzela simples na sua casa, em contraste com toda a estrutura do templo e de Jerusal\u00e9m, pode ser o espelho onde vejamos as nossas complica\u00e7\u00f5es e preocupa\u00e7\u00f5es que obscurecem e rarefazem a generosidade do nosso sim.<br \/>\nAs d\u00favidas e a necessidade de explica\u00e7\u00f5es de Zacarias destoam com o sim de Maria que solicita apenas saber como se h\u00e1 de verificar tudo o que lhe vai acontecer. Zacarias n\u00e3o pode superar a preocupa\u00e7\u00e3o de controlar tudo, n\u00e3o pode deixar a l\u00f3gica de ser e sentir-se respons\u00e1vel e autor do que ir\u00e1 acontecer. Maria n\u00e3o duvida, n\u00e3o olha para Si mesma: entrega-Se, confia. \u00c9 esgotante viver o v\u00ednculo com Deus como Zacarias, como um doutor da Lei: sempre cumprindo, sempre julgando que o sal\u00e1rio \u00e9 proporcional ao esfor\u00e7o feito, que \u00e9 m\u00e9rito meu se Deus me aben\u00e7oa, que a Igreja tem o dever de reconhecer as minhas virtudes e esfor\u00e7os.<br \/>\nN\u00e3o podemos correr atr\u00e1s daquilo que redunda em benef\u00edcios pessoais; os nossos cansa\u00e7os devem estar mais relacionados com \u00aba nossa capacidade de compaix\u00e3o (tenho capacidade de compaix\u00e3o?): s\u00e3o compromissos nos quais o nosso cora\u00e7\u00e3o estremece e se comove. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, a Igreja pede a capacidade de compaix\u00e3o.<br \/>\nAlegramo-nos com os noivos que v\u00e3o casar; rimos com a crian\u00e7a que trazem para batizar; acompanhamos os jovens que se preparam para o matrim\u00f4nio e para ser fam\u00edlia; entristecemo-nos com quem recebe a extrema-un\u00e7\u00e3o no leito do hospital; choramos com os que enterram uma pessoa querida\u00bb (Homilia na Missa Crismal, 2 de abril de 2015).<br \/>\nConsagramos horas e dias a acompanhar aquela m\u00e3e com AIDS, aquele menino que ficou \u00f3rf\u00e3o, aquela av\u00f3 encarregada de tantos netos ou aquele jovem que veio para a cidade e est\u00e1 desesperado porque n\u00e3o encontra trabalho&#8230; \u00abTantas emo\u00e7\u00f5es! Se tivermos o cora\u00e7\u00e3o aberto, estas emo\u00e7\u00f5es e tanto carinho cansam o cora\u00e7\u00e3o do pastor.<br \/>\nPara n\u00f3s, sacerdotes, as hist\u00f3rias do nosso povo n\u00e3o s\u00e3o um notici\u00e1rio: conhecemos a nossa gente, podemos adivinhar o que se passa no seu cora\u00e7\u00e3o; e o nosso, sofrendo com eles, vai-se desgastando, divide-se em mil peda\u00e7os, compadece-se e parece at\u00e9 ser comido pelas pessoas: \u201ctomai, comei\u201d. Esta \u00e9 a palavra que o sacerdote de Jesus sussurra sem cessar, quando est\u00e1 a cuidar do seu povo fiel: \u201ctomai e comei, tomai e bebei&#8230;\u201d<br \/>\nE, assim, a nossa vida sacerdotal se vai doando no servi\u00e7o, na proximidade ao povo fiel de Deus\u2026, etc., o que sempre, sempre cansa\u00bb (Ibid., 2 de abril de 2015). Irm\u00e3os e irm\u00e3s, a proximidade cansa, sempre cansa. A proximidade ao santo povo de Deus. A proximidade cansa. \u00c9 belo encontrar sacerdotes, uma irm\u00e3, um catequista que se cansa com a proximidade.<br \/>\nRenovar a chamada passa, muitas vezes, por verificar se os nossos cansa\u00e7os e preocupa\u00e7\u00f5es t\u00eam a ver com um certo \u00abmundanismo espiritual\u00bb ditado \u00abpelo fasc\u00ednio de mil e uma propostas de consumo a que n\u00e3o conseguimos renunciar para caminhar, livres, pelas sendas que nos conduzem ao amor dos nossos irm\u00e3os, ao rebanho do Senhor, \u00e0s ovelhas que aguardam pela voz dos seus pastores\u00bb (Homilia na Missa Crismal, 24 de mar\u00e7o de 2016); renovar a chamada passa por optar, dizer sim e cansar-nos com aquilo que \u00e9 fecundo aos olhos de Deus, que torna presente, encarna o seu Filho Jesus. Oxal\u00e1 encontremos, neste saud\u00e1vel cansa\u00e7o, a fonte da nossa identidade e felicidade! A proximidade cansa. Este cansa\u00e7o \u00e9 a santidade.<br \/>\nOxal\u00e1 os nossos jovens descubram em n\u00f3s que nos deixamos \u00abtomar e comer\u00bb, e seja isso mesmo o que os leva a interrogar-se sobre o seguimento de Jesus e que eles, deslumbrados com a alegria de uma entrega di\u00e1ria n\u00e3o imposta mas maturada e escolhida no sil\u00eancio e na ora\u00e7\u00e3o, queiram dar o seu sim.<br \/>\nTu que ainda te interrogas ou tu que j\u00e1 est\u00e1s a caminho de uma consagra\u00e7\u00e3o definitiva dar-te-\u00e1s conta de que \u00aba ansiedade e a velocidade de tantos est\u00edmulos que nos bombardeiam fazem com que n\u00e3o haja lugar para aquele sil\u00eancio interior onde se percebe o olhar de Jesus e se ouve a sua chamada. Entretanto receber\u00e1s muitas propostas bem confeccionadas, que parecem belas e intensas, mas com o passar do tempo, deixar-te-\u00e3o simplesmente vazio, cansado e sozinho.<br \/>\nN\u00e3o deixes que isto te aconte\u00e7a, porque o turbilh\u00e3o deste mundo arrasta-te numa corrida sem sentido, sem orienta\u00e7\u00e3o, nem objetivos claros, e deste modo se malograr\u00e3o muitos dos teus esfor\u00e7os. Procura, antes, aqueles espa\u00e7os de calma e sil\u00eancio que te permitam refletir, rezar, ver melhor o mundo ao teu redor e ent\u00e3o sim, juntamente com Jesus, poder\u00e1s reconhecer qual \u00e9 a tua voca\u00e7\u00e3o nesta terra\u00bb (Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Christus vivit, 277).<br \/>\nAquele jogo de contrastes, que nos apresenta o evangelista, culmina no encontro das duas mulheres: Isabel e Maria. A Virgem visita a sua prima idosa e tudo \u00e9 festa, dan\u00e7a e louvor. H\u00e1 uma parte de Israel que entendeu a mudan\u00e7a profunda e vertiginosa do projeto de Deus: por isso aceita ser visitada, por isso o menino salta no ventre. Por um momento, numa sociedade patriarcal, o mundo dos homens retrai-se, emudece como Zacarias.<br \/>\nHoje tamb\u00e9m nos falou uma catequista, uma mulher mo\u00e7ambicana que nos recordou que nada vos far\u00e1 perder o entusiasmo de evangelizar, de cumprir o vosso compromisso batismal. Vossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 evangelizar. A voca\u00e7\u00e3o da Igreja \u00e9 evangelizar. A identidade da Igreja \u00e9 evangelizar. N\u00e3o fazer proselitismo. O proselitismo n\u00e3o \u00e9 evangeliza\u00e7\u00e3o. O proselitismo n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o. Nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e9 evangelizar. A identidade da Igreja \u00e9 evangelizar.<br \/>\nE, nela, est\u00e3o todos os que saem ao encontro dos seus irm\u00e3os: tanto os que visitam como Maria, como os que, deixando-se visitar, aceitam de bom grado que o outro os transforme compartilhando a sua cultura, os seus modos de viver a f\u00e9 e de a exprimir.<br \/>\nA inquieta\u00e7\u00e3o por ti expressa mostra-nos que a incultura\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sempre um desafio, como a \u00abviagem\u00bb entre estas duas mulheres que ficar\u00e3o mutuamente transformadas pelo encontro, o di\u00e1logo e o servi\u00e7o. \u00abAs Igrejas particulares h\u00e3o de promover ativamente formas, pelo menos incipientes, de incultura\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEnfim, o que se deve procurar \u00e9 que a prega\u00e7\u00e3o do Evangelho, expressa com categorias pr\u00f3prias da cultura onde \u00e9 anunciado, provoque uma nova s\u00edntese com essa cultura. Embora estes processos sejam sempre lentos, \u00e0s vezes o medo paralisa-nos demasiado. Se deixamos que as d\u00favidas e os medos sufoquem toda a ousadia, \u00e9 poss\u00edvel que, em vez de sermos criativos, nos deixemos simplesmente ficar c\u00f4modos sem provocar qualquer avan\u00e7o e, neste caso, n\u00e3o seremos participantes dos processos hist\u00f3ricos com a nossa coopera\u00e7\u00e3o, mas simplesmente espectadores duma estagna\u00e7\u00e3o est\u00e9ril da Igreja\u00bb (Exort. ap. <strong>Evangelii gaudium<\/strong>, 129).<br \/>\nA \u00abdist\u00e2ncia\u00bb entre Nazar\u00e9 e Jerusal\u00e9m \u00e9 encurtada, torna-se inexistente por aquele sim de Maria. Porque as dist\u00e2ncias, os regionalismos e os partidarismos, a constru\u00e7\u00e3o constante de muros, minam a din\u00e2mica da encarna\u00e7\u00e3o, que derrubou o muro que nos separava (cf. Ef 2, 14). V\u00f3s \u2013 pelo menos os mais velhos \u2013, que fostes testemunhas de divis\u00f5es e rancores que acabaram em guerras, tendes de estar sempre dispostos a \u00abvisitar-vos\u00bb, a encurtar as dist\u00e2ncias. A Igreja de Mo\u00e7ambique \u00e9 convidada a ser a Igreja da Visita\u00e7\u00e3o; n\u00e3o pode ser parte do problema das compet\u00eancias, menosprezos e divis\u00f5es de uns contra os outros, mas porta de solu\u00e7\u00e3o, espa\u00e7o onde sejam poss\u00edveis o respeito, o interc\u00e2mbio e o di\u00e1logo. A pergunta formulada sobre o modo de comportar-se perante um matrim\u00f4nio inter-religioso desafia-nos quanto a esta tend\u00eancia persistente que temos para a fragmenta\u00e7\u00e3o, para separar em vez de unir. E o mesmo se passa com o v\u00ednculo entre nacionalidades, entre ra\u00e7as, entre os do norte e os do sul, entre comunidades, sacerdotes e bispos.<br \/>\n\u00c9 desafio porque, at\u00e9 se desenvolver \u00abuma cultura do encontro numa harmonia pluriforme\u00bb, requer-se \u00abum processo constante no qual cada nova gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 envolvida. \u00c9 um trabalho lento e \u00e1rduo que exige querer integrar-se e aprender a faz\u00ea-lo\u00bb. \u00c9 o requisito necess\u00e1rio para a \u00abconstru\u00e7\u00e3o de um povo em paz, justi\u00e7a e fraternidade\u00bb, para \u00abo desenvolvimento da conviv\u00eancia social e a constru\u00e7\u00e3o de um povo onde as diferen\u00e7as se harmonizam dentro de um projeto comum\u00bb (Exort. ap. Evangelii gaudium, 220.221).<br \/>\nTal como Maria caminhou para casa de Isabel, assim tamb\u00e9m n\u00f3s da Igreja temos que aprender o caminho frente a novas problem\u00e1ticas, procurando n\u00e3o ficar paralisados por uma l\u00f3gica que contrap\u00f5e, divide, condena. Ponde-vos a caminho e buscai uma resposta para estes desafios pedindo a assist\u00eancia segura do Esp\u00edrito Santo. \u00c9 Ele o Mestre capaz de mostrar os novos caminhos a percorrer.<br \/>\nReavivemos, pois, a nossa chamada vocacional, fa\u00e7amo-lo sob este magn\u00edfico templo dedicado a Maria e que o nosso sim comprometido proclame as grandezas do Senhor e alegre o esp\u00edrito do nosso povo em Deus nosso Salvador (cf. Lc 1, 46-47). E encha de esperan\u00e7a, paz e reconcilia\u00e7\u00e3o o vosso pa\u00eds, o nosso querido Mo\u00e7ambique.<br \/>\nPe\u00e7o-vos, por favor, que rezeis e fa\u00e7ais rezar por mim.<br \/>\nQue o Senhor vos aben\u00e7oe e a Virgem Sant\u00edssima vele por v\u00f3s.<br \/>\nObrigado!<br \/>\nVia <i>ACI Digital<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voca\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":77992,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[51,9665,10179],"class_list":["post-77989","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-familia","tag-testemunho","tag-vocacao-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77989"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77989\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}