{"id":81538,"date":"2020-06-09T07:33:20","date_gmt":"2020-06-09T10:33:20","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=81538"},"modified":"2020-06-09T07:33:20","modified_gmt":"2020-06-09T10:33:20","slug":"controlar-as-expectativas-e-o-jeito-mais-simples-de-perdoar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/controlar-as-expectativas-e-o-jeito-mais-simples-de-perdoar\/","title":{"rendered":"Controlar as expectativas \u00e9 o jeito mais simples de perdoar"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/i.ibb.co\/pZF1jx8\/hands-1838658-640.jpg\" alt=\"hands-1838658-640\" \/><br \/>\nQuando lembro, j\u00e1 com algum distanciamento, de m\u00e1goas que ficaram no passado, elas j\u00e1 n\u00e3o doem mais tanto. Certa vez li uma frase em um desses memes motivacionais, cujo autor desconhe\u00e7o, que no entanto me fez muito sentido: \u201cO tempo cura tudo; s\u00f3 n\u00e3o cura o tempo que voc\u00ea perdeu esperando o tempo passar para curar tudo o que voc\u00ea teria vivido se n\u00e3o tivesse esperado tanto tempo\u201d. A fala, que at\u00e9 anotei, me pareceu de um saber muito arguto no sentido de distinguir dois sentidos b\u00e1sicos da exist\u00eancia: o passado ou o futuro.<br \/>\nQuando conseguimos enxergar adiante, nossas vidas andam, novas oportunidades aparecem, o trabalho prospera e os relacionamentos florescem. Ao nos encontrarmos presos no rancor, ressentidos, por exemplo, com algu\u00e9m de quem gostamos \u2013 seja namorada (o), c\u00f4njuge, pais, filho, amigos \u2013, fica mais dif\u00edcil que novos la\u00e7os se estabele\u00e7am e que a sua vida prospere rumo \u00e0 felicidade. Ficamos presos naquela dor ainda n\u00e3o curada, \u201ccomo uma ferida exposta\u201d, uma vez um s\u00e1bio amigo me falou. Uma ferida exposta ainda propensa a latejar.<br \/>\nClaro, \u00e9 necess\u00e1ria muita reflex\u00e3o \u2013 e muitas vezes at\u00e9 an\u00e1lise \u2013 para curar as feridas e assimilar as m\u00e1goas do passado; no entanto, quanto menos tempo perdermos nesse processo de elabora\u00e7\u00e3o, mais tempo teremos desfrutar daquilo de mais sagrado que temos ao nosso dispor: viver. E, pela minha experi\u00eancia pessoal, o atalho mais r\u00e1pido para se curar das feridas do passado \u00e9 perdoar.<br \/>\nPara conseguir perdoar, precisamos conseguir apontar o quanto daquela m\u00e1goa \u00e9 responsabilidade do outro, e o quanto ela foi infligida por mim, uma dor resultante da frustra\u00e7\u00e3o das minhas pr\u00f3prias expectativas. Tirar a culpa do outro e entender, aceitar e assumir nossa pr\u00f3pria responsabilidade pelos desencantos que vivemos. Pois, embora doloroso seja, n\u00e3o somos t\u00e3o c\u00e2ndidos quanto tendemos a preferir imaginar.<br \/>\nUm exemplo pueril que, na minha opini\u00e3o, ilustra bem esse tipo de impasse: na \u00e9poca da faculdade, me frustrava com frequ\u00eancia com um amigo quando ele n\u00e3o aceitava me acompanhar nas festas do diret\u00f3rio acad\u00eamico. De quem era a responsabilidade pelo meu desgosto, minha, que projetei a expectativa de ter meu fiel escudeiro na festa, ou dele, um indiv\u00edduo com disposi\u00e7\u00f5es, impress\u00f5es e opini\u00f5es pr\u00f3prias que, em pleno exerc\u00edcio do seu livre-arb\u00edtrio, optou por n\u00e3o sair em uma determinada noite?<br \/>\nOu quando me frustrava com frequ\u00eancia com uma ex-namorada que n\u00e3o se sentia t\u00e3o disposta a me acompanhar em eventos sociais, o que, sem perceber, eu julgava ser sua obriga\u00e7\u00e3o, embora logicamente n\u00e3o fosse. Temos de entender que, em relacionamentos, lidamos com emo\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o podemos julgar, cobrar ou condenar outra pessoa pela maneira como ela se sente.<br \/>\nAssim como n\u00f3s, o outro n\u00e3o \u00e9 perfeito, tem suas pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es e quest\u00f5es emocionais, e dificilmente enxerga determinado impasse da mesma maneira. N\u00e3o tem como imaginar \u2013 nem deve se propor a satisfazer \u2013 tudo que dele esperamos, tampouco tem responsabilidade pela maneira como nos sentimos. Isso cabe apenas a n\u00f3s mesmos, no pleno exerc\u00edcio do nosso livre-arb\u00edtrio.<br \/>\nPassei a ter um relacionamento muito mais saud\u00e1vel com os meus pais desde que resolvi perdo\u00e1-los, seja quais tenham sido as m\u00e1goas que me afligiram no passado. Procurei entender que na maioria das vezes (sen\u00e3o todas), eles n\u00e3o agiram com esse intuito. Eles s\u00e3o fruto de outros tempos, outros valores, outras vis\u00f5es de mundo, e entendi que aproveito meu relacionamento com eles muito mais desde o momento em que passei a entender e a respeitar quem eles s\u00e3o, e n\u00e3o quem eu poderia desejar que eles fossem. Faz mais sentido lidar com eles e aproveit\u00e1-los como s\u00e3o, do que perder tempo, disposi\u00e7\u00e3o e energia esperando algo que n\u00e3o condiz com quem s\u00e3o.<br \/>\nO que me parece um exerc\u00edcio saud\u00e1vel, observar o outro, pelo que deseja e por quem de fato \u00e9, ao inv\u00e9s de por aquilo que espero dele. Assim tendo a n\u00e3o mais me frustrar, e tamb\u00e9m a aprender com o que de mais singular essa pessoa tem a me oferecer, ainda que seja inesperado, requeira di\u00e1logo e assimila\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPerceber que, ao perdoar, ao abrir m\u00e3o do papel de capataz e de julgar, quem ganha vida nova e deixa o passado para tr\u00e1s \u00e9 voc\u00ea. Isa\u00edas, 43:25: \u201cSou eu, eu mesmo, aquele que apaga suas transgress\u00f5es, por amor de mim, e que n\u00e3o se lembra mais de seus pecados\u201d.<br \/>\nVia <i>Aleteia<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Perdoar<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":81541,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[4324,7484,8346],"class_list":["post-81538","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-expectativas","tag-perdao","tag-relacionamentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81538","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81538"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81538\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}