{"id":81574,"date":"2020-06-11T08:59:50","date_gmt":"2020-06-11T11:59:50","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=81574"},"modified":"2020-06-11T08:59:50","modified_gmt":"2020-06-11T11:59:50","slug":"o-desafio-do-dialogo-conjugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/o-desafio-do-dialogo-conjugal\/","title":{"rendered":"O desafio do di\u00e1logo conjugal"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/i.ibb.co\/pdh208y\/couple-1845334-640.jpg\" alt=\"couple-1845334-640\" \/><br \/>\nH\u00e1 quase vinte anos, no dia em que minha esposa e eu come\u00e7amos a namorar, nossa primeira atitude foi nos sentarmos na escadaria lateral da igreja matriz da nossa cidade natal, l\u00e1 no interior da Bahia, e contarmos as nossas hist\u00f3rias afetivas um para o outro. Traz\u00edamos no cora\u00e7\u00e3o o desejo de sermos transparentes em nosso namoro e aquele parecia ser o melhor come\u00e7o poss\u00edvel. Conversamos por algumas horas e firmamos o compromisso da sinceridade e do di\u00e1logo franco antes de trocarmos o primeiro beijo.<br \/>\nOs anos se passaram e j\u00e1 casados fomos nos conhecendo mais profundamente e percebendo as enormes diferen\u00e7as que nos marcavam. O desejo do di\u00e1logo permanecia e era o mesmo nos dois, mas a capacidade de dialogar era muito diferente. Minha esposa n\u00e3o tinha dificuldade em falar dos seus sentimentos. Pelo contr\u00e1rio, ela precisava falar, sentia-se sufocada se n\u00e3o desabafasse, se n\u00e3o deixasse claro como ela se sentia em rela\u00e7\u00e3o a mim diante desta ou daquela conduta que a magoasse. Quando eu contemplo a mim mesmo nos primeiros anos de casamento, recordo sempre de A d\u00f3cil, um conto brilhante de Dostoievski que trata de uma trag\u00e9dia que se abateu sobre um casal que n\u00e3o conseguia dialogar. \u201cSou mestre na arte de falar em sil\u00eancio, passei minha vida toda conversando em sil\u00eancio e em sil\u00eancio acabei vivendo trag\u00e9dias inteiras comigo mesmo.\u201d<br \/>\n<strong>Tem algo impedindo que o di\u00e1logo aconte\u00e7a?<\/strong><br \/>\nQuando li essa frase pela primeira vez, como me identifiquei com o marido, narrador da hist\u00f3ria! Ele havia se casado com as melhores inten\u00e7\u00f5es. Queria viver bem com sua esposa, a quem amava, mas ele n\u00e3o conseguia conversar com ela sobre os assuntos que importavam: seus sentimentos, os sentimentos dela, as dificuldades do casamento. Ele preenchia o tempo e os espa\u00e7os com seus sil\u00eancios, que foram afligindo sua esposa cada vez mais, at\u00e9 se tornarem insuport\u00e1veis para a pobre mo\u00e7a. Assim eu me comportava muitas vezes, quando algum ato meu incomodava minha esposa ou vice-versa. Ela tentava iniciar um di\u00e1logo, expressando o que sentia, e eu no mais das vezes tentava responder, mas n\u00e3o conseguia. Algo travava na minha garganta e a palavra ficava retida. Em algumas ocasi\u00f5es, uma palavra \u2013 perd\u00e3o! \u2013 seria o suficiente, mas ela n\u00e3o vinha, s\u00f3 o sil\u00eancio. Eu n\u00e3o percebia que essa era uma defici\u00eancia s\u00e9ria minha. Pensava ser s\u00f3 mais uma das diferen\u00e7as naturais que h\u00e1 entre os esposos.<br \/>\nOcorre que quando algo impede o di\u00e1logo, o casamento come\u00e7a a murchar, porque a conversa entre os c\u00f4njuges \u00e9 como uma poda que deve ser realizada com frequ\u00eancia para que uma \u00e1rvore cres\u00e7a saud\u00e1vel. Se o tempo vai passando e espera-se que um galho esteja muito grande para podar, a \u00e1rvore ter\u00e1 a sua sa\u00fade comprometida, porque a cicatriza\u00e7\u00e3o vai demorar demais. No casamento, essa poda deve ser mais do que di\u00e1ria, deve ocorrer sempre que necess\u00e1rio, instantaneamente.<br \/>\n<strong>Ocorreu um desentendimento?<\/strong><br \/>\nO casal deve esclarecer tudo ali, no ato, porque a vida conjugal \u00e9 muito din\u00e2mica e se n\u00e3o houver reconcilia\u00e7\u00e3o imediata, cada ato subsequente ser\u00e1 afetado por aquela pequena mancha que n\u00e3o foi resolvida. Se no in\u00edcio do dia, por exemplo, eu desagrado a minha esposa com um coment\u00e1rio qualquer e ela guarda aquilo, n\u00e3o compartilha comigo a sua insatisfa\u00e7\u00e3o, \u00e9 bem prov\u00e1vel que isso pese nas rea\u00e7\u00f5es que ela ter\u00e1 a tudo o que eu fizer ou falar ao longo do dia, iniciando uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia.<br \/>\nAssim, na hora do almo\u00e7o, por exemplo, ela ser\u00e1 menos tolerante ao elogio que n\u00e3o veio para a comida preparada com esfor\u00e7o e carinho. Ficar\u00e1 de cara fechada e n\u00e3o responder\u00e1 com bom humor a alguma brincadeira que eu fa\u00e7a \u00e0 tarde. E \u00e0 noite resistir\u00e1 \u00e0s minhas investidas rom\u00e2nticas e a chance de dormirmos chateados um com o outro ser\u00e1 grande. E tudo come\u00e7ou com um coment\u00e1rio l\u00e1 no in\u00edcio da manh\u00e3, para o qual n\u00e3o demos a devida import\u00e2ncia.<br \/>\nForam anos ouvindo a minha esposa, aprendendo com ela e treinando a mim mesmo na arte do di\u00e1logo para que eu fosse vencendo essa barreira invis\u00edvel do sil\u00eancio. Como minha esposa teve paci\u00eancia comigo! De tempos em tempos precis\u00e1vamos retomar nossos compromissos da \u00e9poca do namoro, de nunca desistirmos um do outro, de sempre sermos transparentes quanto aos nossos sentimentos, de acolhermos a fala do outro com amor. Fui percebendo, por exemplo, como o di\u00e1logo exige humildade, j\u00e1 que muitas vezes eu me via coberto de raz\u00e3o em um determinado assunto, mas ao mesmo tempo percebia como o Esp\u00edrito Santo me impulsionava a tomar a iniciativa e falar com minha esposa. No final da hist\u00f3ria, tudo ficava claro, e eu me dava conta de que o erro tinha sido realmente meu. Em outras situa\u00e7\u00f5es, naturalmente, era o inverso que acontecia, e minha esposa n\u00e3o tinha problemas em assumir que havia errado.<br \/>\n<strong>Dicas<\/strong><br \/>\nNisso tudo fomos percebendo que h\u00e1, no nosso casamento, alguns princ\u00edpios dos quais jamais poderemos abrir m\u00e3o. Devemos t\u00ea-los como a nossa constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o escrita. Em primeiro lugar, manter vivo na mem\u00f3ria que foi Deus que nos uniu. Ter isso sempre \u00e0 nossa frente coloca todas as demais situa\u00e7\u00f5es em perspectiva. Qualquer briga se torna menor se temos o nosso casamento como uma casa constru\u00edda sobre a rocha. \u00c9 como se sempre lembr\u00e1ssemos a n\u00f3s mesmos e ao outro: \u201cTudo bem, voc\u00ea me magoou ou eu magoei voc\u00ea, mas n\u00e3o \u00e9 o fim do mundo. Foi Deus quem nos uniu. Vamos respirar, rezar e conversar, porque tudo isso vai passar.\u201d<br \/>\nEm segundo lugar, o di\u00e1logo tem que ser aqui, agora. O sol n\u00e3o pode se por sobre o nosso ressentimento. N\u00e3o vamos deixar para depois do almo\u00e7o ou para depois que as crian\u00e7as dormirem. Se necess\u00e1rio, vamos nos trancar no quarto, deixar o filho maior cuidando dos menores e vamos conversar at\u00e9 nos entendermos ou pelo menos at\u00e9 um perdoar o outro.<br \/>\nEm terceiro lugar, trazer para o casamento o \u201cpensar bem de todos, falar bem de todos, querer o bem de todos\u201d. Se vivo essa realidade l\u00e1 fora, muito mais a viverei aqui dentro de casa. Se minha esposa me magoou, n\u00e3o tenho o direito de pensar que ela fez por mal. Vou pensar sempre o melhor dela. Ela vai pensar sempre o melhor de mim. Isso \u00e9 ant\u00eddoto para muitas brigas. Antes mesmo de reagir com raiva diante de alguma ofensa, eu penso: \u201cEla n\u00e3o fez por mal. Preciso pensar o melhor da minha esposa. Ela me ama, n\u00e3o quer me ferir.\u201d<br \/>\nEm quarto lugar, abandonar as supostas certezas. Talvez seja o maior desafio, porque com o passar dos anos, n\u00f3s come\u00e7amos a achar que j\u00e1 sabemos exatamente o que esperar do outro e isso se reflete nos desentendimentos: \u201cEu sabia que voc\u00ea iria dizer isso\u201d ou \u201ceu sabia que voc\u00ea ia fazer isso de novo\u201d. Aqui em casa n\u00f3s n\u00e3o sabemos de nada, al\u00e9m do fato de que o outro est\u00e1 tentando ser o melhor poss\u00edvel.<br \/>\nEm quinto lugar, por fim, paci\u00eancia e amor. N\u00e3o desistir do outro, por mais que repita os mesmos erros. \u00c9 o perdoar setenta vezes sete, s\u00f3 que dentro do casamento. \u00c9 ter a tranquilidade de que diversas vezes eu e minha esposa vamos trope\u00e7ar nos passos que acabei de descrever e vamos ter que nos perdoar e recome\u00e7ar com um sorriso no rosto, um abra\u00e7o, um beijo, um carinho.<br \/>\n<strong>Aprenda a lidar com os desafios<\/strong><br \/>\nNa hist\u00f3ria de Dostoievski, aquele casamento termina de maneira tr\u00e1gica porque o homem n\u00e3o conseguiu fazer a experi\u00eancia da convers\u00e3o. Ele sabia que precisava mudar, tinha consci\u00eancia da sua mis\u00e9ria, mas n\u00e3o conseguia dar os passos necess\u00e1rios porque faltava-lhe uma experi\u00eancia transformadora com Deus.<br \/>\nCada um de n\u00f3s vai se deparar com diferentes desafios dentro do casamento. Pode ser o temperamento do outro, que me surpreende negativamente, alguma mania que me desagrada, a falta de paci\u00eancia do outro ou a incapacidade de falar de si. O que n\u00e3o pode mudar \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o de recome\u00e7ar, que parte da certeza de que por ser uma voca\u00e7\u00e3o, um chamado de Deus, Ele mesmo nos capacitar\u00e1 a viver bem o casamento, como meio de alcan\u00e7ar a santidade e chegar ao c\u00e9u. Em face dessa certeza, tudo, mas tudo mesmo se resolve com uma boa conversa.<br \/>\nPor <i>Jos\u00e9 Leonardo Nascimento<\/i>, via <i>Can\u00e7\u00e3o Nova<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Di\u00e1logo <\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":81577,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[1739,2589,3017],"class_list":["post-81574","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-casamento","tag-conversa","tag-desafios"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81574"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81574\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}