{"id":82975,"date":"2020-10-29T09:58:46","date_gmt":"2020-10-29T12:58:46","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=82975"},"modified":"2020-10-29T09:58:46","modified_gmt":"2020-10-29T12:58:46","slug":"a-agua-viva-do-espirito-santo-rega-o-jardim-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/a-agua-viva-do-espirito-santo-rega-o-jardim-interior\/","title":{"rendered":"A \u00e1gua viva do Esp\u00edrito Santo rega o jardim interior"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/i.ibb.co\/MkpGb4r\/sky-2667455-640.jpg\" alt=\"sky-2667455-640\" \/><br \/>\nA vida interior ou de ora\u00e7\u00e3o tem como objetivo promover um cont\u00ednuo contato com Deus. Esse relacionamento entre o ser criado e o seu criador aprofunda-se por meio de um crescimento da gra\u00e7a santificante. \u00c9 ela que permite a intimidade de Deus com a alma e a inabita\u00e7\u00e3o da Sant\u00edssima Trindade. Por isso, temos analisado, com Santa Teresa D\u2019\u00c1vila, os diversos modos deste contato de Deus com o ser humano em ora\u00e7\u00e3o e como, segundo a doutora da Igreja, pode ser comparado ao regar de um jardim ou horto sedento por dar os frutos das boas obras.<br \/>\nNeste artigo, veremos o terceiro modo de regar o Jardim. Se os dois primeiros modos equivalem a retirar a \u00e1gua de um po\u00e7o com maior ou menor dificuldade, nas palavras de Santa Teresa, o terceiro modo de irriga\u00e7\u00e3o vem \u201cde um rio ou arroio: deste modo, se rega muito melhor, que fica mais farta a terra de \u00e1gua e n\u00e3o se tem necessidade de regar t\u00e3o ami\u00fade, e \u00e9 menos trabalho do hortel\u00e3o\u201d (Livro da Vida, 11,7). Ou seja, a \u00e1gua \u00e9 muito mais abundante se utilizarmos de um rio ou riacho para levar \u00e1gua at\u00e9 o horto ou jardim. O sistema \u00e9 muito conhecido: cava-se um conjunto de canais em todo o local e, utilizando-se do pr\u00f3prio desn\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o a um riacho, controla-se a entrada de \u00e1gua nos canais com uma pequena comporta.<br \/>\nAs vantagens s\u00e3o evidentes! Se existe um trabalho inicial de cavar todo o percurso, n\u00e3o h\u00e1 o esfor\u00e7o di\u00e1rio de puxar baldes e baldes de \u00e1gua manualmente. A vaz\u00e3o da \u00e1gua se torna muito mais abundante e r\u00e1pida, percorrendo todo o sistema com fartura e rapidez e fazendo com que todo o jardim seja contemplado. Realiza-se aqui a palavra do salmista: \u201ccomo a \u00e1rvore plantada nas margens das \u00e1guas correntes: d\u00e1 fruto na \u00e9poca pr\u00f3pria. Sua folhagem n\u00e3o murchar\u00e1 jamais\u201d (Sl 1,3).<br \/>\n<strong>O que acontece no jardim interior<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 percebemos como a ora\u00e7\u00e3o de medita\u00e7\u00e3o foi se sublimando e simplificando cada vez mais. N\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios mais grandes discursos, extensos estudos ou muita prepara\u00e7\u00e3o. A alma se habitou a buscar rapidamente a presen\u00e7a de Deus e deleitar-se em sua proximidade. Segundo Santa Teresa, a \u00e1gua j\u00e1 est\u00e1 alta no po\u00e7o! \u00c9 f\u00e1cil retir\u00e1-la!<br \/>\nEsse \u00e9 o m\u00e1ximo que o ser humano pode chegar com seu pr\u00f3prio esfor\u00e7o, enquanto usufrui da correspond\u00eancia ativa de Deus. No entanto, para Deus, isso est\u00e1 muito longe de ser o m\u00e1ximo poss\u00edvel em possibilidade de uni\u00e3o e derramamento de amor. Ele, e somente Ele, pode proporcionar ainda mais \u00e1gua \u00e0 terra da alma que Ele mesmo criou como sedenta.<br \/>\nAt\u00e9 ent\u00e3o a fonte da ora\u00e7\u00e3o era natural: o ser humano em busca de Deus. Inicia-se aqui as fontes sobrenaturais da ora\u00e7\u00e3o, onde Deus age diretamente. Essa ora\u00e7\u00e3o sobrenatural, que examinaremos com mais cuidado no pr\u00f3ximo artigo, tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como ora\u00e7\u00e3o infusa (pois \u00e9 \u201ccolocada dentro\u201d pelo pr\u00f3prio Deus) ou contempla\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNa met\u00e1fora do jardim, n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1rio buscar a \u00e1gua por seu pr\u00f3prio esfor\u00e7o, agora existem canais, aquedutos, onde a \u00e1gua \u00e9 enviada pelo pr\u00f3prio Deus, verdadeira fonte de toda gra\u00e7a (Tg 1,17). Ao homem, basta abrir a comporta: colocar-se em ora\u00e7\u00e3o. Mais tarde veremos que, sendo Ele mesmo toda a fonte, Deus assume o comando desta comporta in\u00fameras vezes, enchendo a alma mesmo quando esta n\u00e3o est\u00e1 em seus momentos pr\u00e9-determinados de ora\u00e7\u00e3o pessoal.<br \/>\n<strong>Conex\u00e3o firme da alma com Deus<\/strong><br \/>\nSanta Teresa trata desta ora\u00e7\u00e3o de recolhimento infuso em v\u00e1rias de suas obras, explicando um pouco em cada uma. Escreve no \u201cLivro das Moradas ou Castelo Interior\u201d (4M 3,9) que \u201cAssim como se entende claro um dilatamento ou alargamento na alma, \u00e0 maneira de como se a \u00e1gua que mana de uma fonte n\u00e3o tivesse corrente, sen\u00e3o que a mesma fonte estivesse lavrada de uma coisa que quanto mais \u00e1gua manasse maior se fizesse o edif\u00edcio, assim parece nessa ora\u00e7\u00e3o\u201d. Ou seja, essa nova maneira de regar a alma, promovida pelo pr\u00f3prio Senhor de todas as coisas, n\u00e3o s\u00f3 a enriquece e alimenta, mas conduz ao seu alargamento e melhoramento. \u00c0 medida que a \u00e1gua passa, ela mesma aumenta a quantidade e abrang\u00eancia dos canais, promove nossas virtudes, fortalece as existentes. Ao homem, \u201cj\u00e1 lhe parece que tudo poder\u00e1 em Deus\u201d.<br \/>\nNos escritos das \u201cRela\u00e7\u00f5es\u201d, ela explica que \u201cA primeira ora\u00e7\u00e3o que senti, a meu parecer, sobrenatural (que eu chamo o que com minha ind\u00fastria nem dilig\u00eancia n\u00e3o se pode adquirir ainda que muito se procure, ainda que se disponha para isso e deva-se faz\u00ea-lo), \u00e9 um recolhimento interior que se sente na alma, que parece que ela tem l\u00e1 outros sentidos, como c\u00e1 os exteriores, que ela em si parece querer-se apartar-se dos bul\u00edcios exteriores; [\u2026] Aqui n\u00e3o se perde nenhum sentido nem pot\u00eancia, que tudo est\u00e1 inteiro, mas o est\u00e1 para empregar-se em Deus\u201d (Rela\u00e7\u00f5es 5,3).<br \/>\nEssa ora\u00e7\u00e3o de recolhimento infuso (ou sobrenatural) \u00e9, portanto, um momento onde nota-se que Deus estabelece uma conex\u00e3o t\u00e3o firme com a vontade da alma que ela se sente atra\u00edda e ligada. Recolhida em si mesma, toda atenta a Deus. Como t\u00e3o bem esclarece Santa Teresa, n\u00e3o existe aqui nenhuma forma de inconsci\u00eancia ou transe, \u201ctudo est\u00e1 inteiro\u201d, todos os sentidos permanecem ativos e atentos.<br \/>\nNa pr\u00e1tica, a alma percebe que est\u00e1 toda recolhida, pronta para estar na presen\u00e7a de Deus e rezar enquanto tamb\u00e9m entende que isso n\u00e3o \u00e9 obra dela. Por mais que sempre tenha se esfor\u00e7ado para estar concentrada na ora\u00e7\u00e3o, percebe que, agora, o conseguiu n\u00e3o por esfor\u00e7o pr\u00f3prio, mas por gra\u00e7a. Isso \u00e9 claramente sentido quando \u00e0 sua volta os barulhos se multiplicam, mas nada \u00e9 capaz de retirar sua aten\u00e7\u00e3o amorosa, se ela n\u00e3o o permite.<br \/>\nSanta Teresa compara nossos sentidos como ovelhas dispersas que, inesperadamente, escutam o assovio do Bom Pastor e, ordenadamente, voltam-se com aten\u00e7\u00e3o total. A recomenda\u00e7\u00e3o feita \u00e0s suas filhas espirituais (Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o 29,7) de procurar assenhorar-se do pr\u00f3prio ser, ganhando-se para si mesmo, aproveitando-se dos sentidos para o interior, para se aproximar cada vez mais de Deus, falando com Ele, ouvindo-O, \u00e9 agora plenamente realizado, sem esfor\u00e7o, pelo pr\u00f3prio Deus na ora\u00e7\u00e3o de recolhimento infuso.<br \/>\n<strong>\u00c9 Deus quem d\u00e1 os graus de ora\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nQue fique registrado, por\u00e9m, o que ela mesma procura ensinar: Deus d\u00e1 esses graus de ora\u00e7\u00e3o \u00e0queles que por muito tempo se esfor\u00e7aram e buscaram. O que, traduzindo para a linguagem que estamos utilizando aqui, significa que: a ora\u00e7\u00e3o infusa, embora seja um dom gratuito de Deus, s\u00f3 \u00e9 recebida, e recebida frutuosamente, depois de uma boa prepara\u00e7\u00e3o nos fundamentos anteriores que exigem o esfor\u00e7o persistente do homem.<br \/>\nCom a aten\u00e7\u00e3o atada ou ligada a Deus, o crist\u00e3o est\u00e1 pronto para receber grandes coisas. Acabaram-se as distra\u00e7\u00f5es pelo caminho, a \u00e1gua desperdi\u00e7ada no trajeto entre o po\u00e7o e o jardim. Acabaram-se os intervalos de rega, a intermit\u00eancia entre a pouca \u00e1gua jogada e o tempo de enchimento de um novo balde de \u00e1gua. A \u00e1gua \u00e9 fluente e ininterrupta, ela mesma abre novas passagens, promovendo o crescimento de \u00e1reas no jardim que o jardineiro nem sequer sabia que existiam!<br \/>\nDiante de tanta novidade trazida por este novo modo de regar, diante de tanta efic\u00e1cia percebida, ser\u00e1 que ainda pode-se falar em ora\u00e7\u00e3o? Afinal, se a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o da mente a Deus, v\u00ea-se que agora \u00e9 o pr\u00f3prio Deus que desce para proteg\u00ea-la e incentiv\u00e1-la. E, diante de tanta novidade, inicia-se uma nova forma de estar em ora\u00e7\u00e3o, t\u00e3o superior que recebe um novo nome: contempla\u00e7\u00e3o. No pr\u00f3ximo artigo, procuraremos examinar com mais detalhes do que se trata.<br \/>\nPor <i>Fl\u00e1vio Crepaldi<i><\/i>, via <i>Can\u00e7\u00e3o Nova<\/i><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conex\u00e3o firme da alma com Deus<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":82978,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-82975","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82975","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82975"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82975\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82975"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82975"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82975"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}