{"id":83244,"date":"2020-11-19T15:29:55","date_gmt":"2020-11-19T18:29:55","guid":{"rendered":"https:\/\/auxcamp.salesianossp.org.br\/?p=83244"},"modified":"2020-11-19T15:29:55","modified_gmt":"2020-11-19T18:29:55","slug":"voce-sabe-quais-sao-os-primeiros-graus-da-oracao-mistica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/voce-sabe-quais-sao-os-primeiros-graus-da-oracao-mistica\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea sabe quais s\u00e3o os primeiros graus da ora\u00e7\u00e3o m\u00edstica?"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/i.ibb.co\/tJFgpyt\/hands-5441201-640.jpg\" alt=\"hands-5441201-640\" \/><br \/>\nEm vinte s\u00e9culos de cristianismo, s\u00e3o muitas as descri\u00e7\u00f5es de ora\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias onde Deus, por Sua iniciativa e vontade, eleva a alma a um contato e intimidade superiores. Este estado geral, por ocorrer de forma passiva para a alma, ou seja, pela a\u00e7\u00e3o de Deus e n\u00e3o sua, recebeu o nome de contempla\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSanta Teresa D\u2019\u00c1vila descreveu v\u00e1rias de suas experi\u00eancias contemplativas, mas, indo mais al\u00e9m, tamb\u00e9m categorizou e explicou-as uma a uma. Desse modo, na met\u00e1fora do jardim ou horto que temos estudado, as duas primeiras formas de regar s\u00e3o as ora\u00e7\u00f5es, as duas \u00faltimas, as contempla\u00e7\u00f5es.<br \/>\nPassemos, agora, a entender esses graus de ora\u00e7\u00f5es m\u00edsticas ou contempla\u00e7\u00f5es que se desenvolvem na alma quando n\u00e3o \u00e9 mais seu esfor\u00e7o que busca prover o jardim sedento de \u00e1gua, mas a pr\u00f3pria iniciativa de Deus em reg\u00e1-lo. O princ\u00edpio geral da contempla\u00e7\u00e3o, como vimos no artigo anterior, permanece. O que muda \u00e9 sua intensidade. A princ\u00edpio, suave e quase impercept\u00edvel, depois tornando-se um v\u00ednculo t\u00e3o forte quanto ineg\u00e1vel.<br \/>\n<strong>Na ora\u00e7\u00e3o m\u00edstica, o crist\u00e3o percebe a a\u00e7\u00e3o de Deus<\/strong><br \/>\n\u00c9 devido a essa suavidade inicial que Santa Teresa (assim como S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz) alerta para que aquele que chegou a tal estado n\u00e3o se engane achando que nada acontece. De fato, ela diz que \u201cLogo lhes parece ser perda de tempo, e tenho eu por muito ganho esta perda\u201d (Vida 13,11). Ou seja, a alma que n\u00e3o consegue mais meditar e realizar suas ora\u00e7\u00f5es costumeiras, inebriada por essa presen\u00e7a amorosa de Deus que, h\u00e1 um s\u00f3 tempo a requisita enquanto a impede de se dedicar a outras coisas, teme estar perdendo tempo.<br \/>\nIsso acontece, pois, nos primeiros graus de ora\u00e7\u00e3o m\u00edstica, embora o crist\u00e3o perceba a a\u00e7\u00e3o de Deus na contempla\u00e7\u00e3o, quando a deixa tem a forte impress\u00e3o de que pode estar se enganando ou que possa estar sendo enganada. Um c\u00e1lculo r\u00e1pido sobre todas as pr\u00e1ticas espirituais que realizava e as que agora n\u00e3o realiza, fortalece essa d\u00favida.<br \/>\n<strong>Recolhimento Infuso<\/strong><br \/>\nUm engano que s\u00f3 ser\u00e1 desfeito mais para frente, \u00e0 medida que a vida espiritual se aprofundar. Chegaremos l\u00e1! Comecemos pela primeira das ora\u00e7\u00f5es m\u00edsticas: a ora\u00e7\u00e3o de Recolhimento Infuso.<br \/>\nSegundo Santa Teresa, este \u00e9 \u201cUm recolhimento que tamb\u00e9m me parece sobrenatural, porque n\u00e3o \u00e9 estar nublado nem fechar os olhos, nem consiste em coisa exterior, posto que, sem quer\u00ea-lo, faz-se isto de fechar os olhos e desejar a solid\u00e3o: e sem artif\u00edcio parece que se vai esculpindo o edif\u00edcio para a ora\u00e7\u00e3o que dissemos\u201d (Castelo Interior 4M 3,1).<br \/>\nDe fato, \u00e9 sobrenatural, pois a alma consegue se recolher em ora\u00e7\u00e3o de um modo que nunca conseguiu antes e que, claramente, entende que n\u00e3o seria poss\u00edvel mesmo com muito treino. Por isso \u201cinfuso\u201d, colocado dentro por Deus mesmo. \u00c9 percept\u00edvel que \u201cse sente notavelmente um recolhimento suave no interior\u201d (Castelo 4M 3,2) onde, embora aparentemente nada tenha mudado, aquele que reza consegue perceber uma total concentra\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia no interior de si mesmo.<br \/>\nAqueles incont\u00e1veis momentos (talvez anos) de inquietude ao se colocar em ora\u00e7\u00e3o simplesmente desaparecem e a pr\u00f3pria experi\u00eancia anterior das tentativas frustradas em se acalmar e concentrar colaboram para essa percep\u00e7\u00e3o de que \u00e9 uma gra\u00e7a sobrenatural. O recolhimento infuso proporciona uma conex\u00e3o direta com Deus que, embora possa ser rompido a qualquer momento pela vontade livre, mostra-se s\u00f3lido e eficaz.<br \/>\nA contempla\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 obscura, \u00e1rida e ins\u00edpida. Isto \u00e9, ainda \u00e9 uma comunica\u00e7\u00e3o geral e amorosa como ensina S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, n\u00e3o proporciona um esclarecimento sobre si mesma, n\u00e3o fornece novos sabores. S\u00f3 inegavelmente est\u00e1 l\u00e1 e, do mesmo modo, claramente n\u00e3o poderia ser produzida pelo ser humano.<br \/>\nEssa ora\u00e7\u00e3o, verdadeira \u00e1gua enviada por Deus num momento e sem trabalho algum, \u00e9 o in\u00edcio da uni\u00e3o plena se que formar\u00e1 mais adiante. Nestes primeiros graus ou fase conformativa, ir\u00e1 anexando uma a uma cada vez mais as faculdades e pot\u00eancias da alma.<br \/>\n<strong>A vontade \u00e9 atra\u00edda por Deus<\/strong><br \/>\nNo recolhimento infuso, \u00e9 a vontade que \u00e9 atra\u00edda por Deus. Por isso, esse assombro da intelig\u00eancia ao perceber que, sem a sua participa\u00e7\u00e3o, a comunica\u00e7\u00e3o aconteceu. E exatamente por n\u00e3o envolver a intelig\u00eancia e nem seus atributos da mem\u00f3ria e da imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel uma an\u00e1lise da mente durante essa primeira contempla\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTamb\u00e9m, ainda \u00e9 poss\u00edvel as terr\u00edveis divaga\u00e7\u00f5es da imagina\u00e7\u00e3o. Essas \u201cdistra\u00e7\u00f5es\u201d, se por um lado s\u00e3o ruins, pois faz a alma se dividir sob si mesma, por outro lado atestam que a origem deste movimenta\u00e7\u00e3o-comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 do homem, mas de Deus: mesmo distraindo-se ou divagando com a mente, ela n\u00e3o acaba e nem \u00e9 interrompida.<br \/>\nTrata-se, portanto, de um convite de Deus para o recolhimento e o concentrar-se em si mesmo. Convite que Ele mesmo realiza e que prepara a alma para as ora\u00e7\u00f5es superiores que vir\u00e3o. Como os doutores da Igreja, tamb\u00e9m o padre e te\u00f3logo Royo Mar\u00edn alerta que nada disso pode ser produzido pelo esfor\u00e7o humano e recomenda para quem ainda n\u00e3o recebeu semelhante gra\u00e7a: \u201cGuarde-se, todavia, de for\u00e7ar as coisas. Deus chegar\u00e1 em sua hora\u201d (Teologia da Perfei\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, 558).<br \/>\n<strong>Ora\u00e7\u00e3o de Quietude<\/strong><br \/>\nOs que se tornam d\u00f3ceis ao recolhimento infuso, Deus acrescenta um novo grau de contempla\u00e7\u00e3o m\u00edstica: a Ora\u00e7\u00e3o de Quietude.<br \/>\nSanta Teresa, trata dessa ora\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias de suas obras. \u00c9 a \u00e1gua que finalmente transborda vindo de uma fonte subterr\u00e2nea e escondida (Castelo 4M 2,4); \u00e9 por a alma em paz e na presen\u00e7a do Senhor (Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o 31). Ou, como t\u00e3o bem explica S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz (Noite Escura II 2,12) \u00e9 quando finalmente une-se em contempla\u00e7\u00e3o o entendimento junto com a vontade que j\u00e1 estava cativa desde a ora\u00e7\u00e3o anterior.<br \/>\nEssa \u00e9 a grande novidade nessa nova contempla\u00e7\u00e3o: o entendimento tamb\u00e9m come\u00e7a a se submeter \u00e0 passividade proposta por Deus. A noite ativa dos sentidos, como a nomeia S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, se adensa. Santa Teresa a descreve assim: \u201cDeste recolhimento vem algumas vezes uma quietude e paz interior muito generosa, que a alma fica de modo que n\u00e3o lhe parece faltar nada, mesmo assim o falar lhe cansa, assim como rezar e meditar; n\u00e3o queria sen\u00e3o amar\u201d (Livro das Rela\u00e7\u00f5es 1).<br \/>\nOcupando mais pot\u00eancias, os frutos tamb\u00e9m se tornam mais vis\u00edveis. Por isso a santa refere que aquilo que anteriormente era somente uma concentra\u00e7\u00e3o (recolhimento infuso), agora provoca tamb\u00e9m paz, quietude, repouso, refrig\u00e9rio, fortaleza e felicidade: \u201cSente-se grand\u00edssimo deleite no corpo e grande satisfa\u00e7\u00e3o na alma\u201d (Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o 31,2-3).<br \/>\nS\u00e3o Bernardo, ao comentar esse tipo de contempla\u00e7\u00e3o, diz: Rara hora, brevis mora!<br \/>\n<strong>Deus introduz a alma ao seu Reino<\/strong><br \/>\nQuer com isso dizer que, embora breve, grande proveito traz essa uni\u00e3o. Embora curta, \u00e9 ansiosamente esperada. Compara-se ao repouso do meio-dia, exercitado principalmente na It\u00e1lia e na Espanha, um momento de refazer as for\u00e7as antes de voltar \u00e0 luta cotidiana. Ou, usando a imagem do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos, ap\u00f3s receber esse influxo de amor divino que produz extremos deleites (Ct 1 1-4), a alma sente-se ansiosa por encontrar esse amor e goz\u00e1-lo plena e permanentemente, por isso quer saber onde ele est\u00e1 ao sol do meio-dia (Ct 1,7).<br \/>\nNa ora\u00e7\u00e3o de quietude, Deus finalmente come\u00e7a a introduzir a alma em seu Reino. A alegria e deleite da posse do verdadeiro amor come\u00e7a, portanto, a ser sentida. Embora seja por pouco tempo ainda, \u00e9 o suficiente para despertar grandes desejos de uni\u00e3o e para n\u00e3o permitir que as divaga\u00e7\u00f5es da imagina\u00e7\u00e3o ou da mem\u00f3ria prejudiquem por demais esta contempla\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>A ora\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o<\/strong><br \/>\nPor \u00faltimo, a contempla\u00e7\u00e3o plena onde todas as pot\u00eancias est\u00e3o alinhadas, recebe o nome de ora\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o. A partir da\u00ed, como veremos nos pr\u00f3ximos artigos, come\u00e7ar\u00e1 a fase transformativa onde n\u00e3o \u00e9 mais a quantidade de pot\u00eancias unidas em contempla\u00e7\u00e3o que faz a diferen\u00e7a, j\u00e1 que a ora\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o atinge a plenitude delas, mas o tempo de perman\u00eancia nessa uni\u00e3o.<br \/>\nEssa uni\u00e3o total \u00e9 assim descrita por Santa Teresa no \u201cCastelo Interior\u201d (5M, 2): \u201cFixa Deus a Si mesmo no interior daquela alma de tal maneira que quando torna a si de nenhum modo pode duvidar que esteve em Deus e Deus nela\u201d. Acabaram-se aqui as d\u00favidas, intelig\u00eancia e vontade, junto com todas as demais faculdades interiores, est\u00e3o unidas.<br \/>\n\u00c9 o momento em que vida ativa e contemplativa est\u00e3o em conson\u00e2ncia. J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel dedicar-se a todas as obras exteriores mantendo uma \u00edntima conex\u00e3o com Deus. Claro, ao contr\u00e1rio do que ainda vir\u00e1, essa uni\u00e3o \u00e9 atual, mas n\u00e3o \u00e9 sens\u00edvel. Ou seja, a presen\u00e7a de Deus n\u00e3o \u00e9 sentida enquanto se exerce outras atividades exteriores, mas basta um minuto de recolhimento interior para perceber que ela n\u00e3o se desfez, est\u00e1 presente.<br \/>\nNos momentos de pura ora\u00e7\u00e3o de uni\u00e3o, \u00e9 imposs\u00edvel imagina\u00e7\u00e3o ou mem\u00f3ria importunarem. Finalmente, aqui, acabam-se as distra\u00e7\u00f5es na ora\u00e7\u00e3o. Pouco a pouco, a uni\u00e3o da intelig\u00eancia e da vontade ir\u00e3o se fortalecer no contato com Deus. E \u00e9 por isso que este tipo de contempla\u00e7\u00e3o, segundo Santa Teresa \u201cn\u00e3o cansa, refaz\u201d (Livro da Vida 18,11) e que vemos, na pr\u00e1tica, tanto Jesus nos Evangelhos como in\u00fameros santos na hist\u00f3ria, permanecerem noites inteiras (ou dias) em ora\u00e7\u00e3o contemplativa e voltarem completamente revigorados.<br \/>\nPor <i>Fl\u00e1vio Crepaldi<\/i>, via <i>Can\u00e7\u00e3o Nova<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orar<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":83247,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-83244","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83244"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83244\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/salesianossp.org.br\/parnsacampinas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}