117 anos de presença salesiana em Campinas: uma história de educação, acolhimento e transformação social

25/06/2026
Mariana Ignácio
Arquivos históricos da Obra Social São João Bosco

Com raízes na educação formal e olhar atento às necessidades da comunidade, a Obra Social São João Bosco construiu uma trajetória marcada pelo cuidado, pela inclusão e pela esperança.

Neste ano, a Obra Social São João Bosco celebra 117 anos de presença salesiana no Centro de Campinas. No dia 24 de junho de 1909, dia de São João Batista, nascia o Externato São João, escola formal de ensino fundamental para meninos.

Durante esses anos, muitas pessoas passaram por lá e houveram diversos acontecimentos, inclusive a transformação de sua missão educativa para acolher outras necessidades sociais e a troca de nome para Obra Social.

“É um prazer muito grande, uma alegria, poder completar tantos anos de existência e olhar para trás e ver quantas vidas foram transformadas, mudadas. Isso é a maior alegria de completar 117 anos. Ver que histórias foram reconstruídas”, declara o padre Marcos Sabino, diretor presidente da organização desde 2020.

São 117 anos de presença educativa. Uma data a ser celebrada com muita alegria e carinho. Muitas vidas que por lá passaram, receberam educação, praticaram o protagonismo juvenil e hoje somam mais de 2.100 atendidos diariamente entre crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Uma trajetória marcada pelo compromisso com a comunidade e as famílias.

O início: Externato São João como referência educacional

A presença salesiana foi fundada como Externato São João, em um contexto em que Campinas enfrentava uma grande epidemia que afastou diversas famílias da cidade. Assim, os salesianos conseguiram adquirir o antigo casarão da família Estanislau de Campos Salles e ali, juntamente com a construção da Capela São João Batista e o Teatro Dom Nery, estabeleceu a escola formal de ensino para meninos em situação de vulnerabilidade social.

A escola reconhecida e querida em Campinas encerrou suas atividades apenas em 1993, depois de anos de ensino para meninos e meninas e grande consideração da comunidade campineira e das famílias que conheciam o trabalho do Externato.

A transformação na região faz nascer a Obra Social

À medida que a realidade da região foi mudando, os salesianos também ampliaram o olhar. A readaptação e alteração da missão salesiana no local vai além da questão educativa e aborda a necessidade social. A cidade precisava de um ambiente que pudesse acolher as crianças e adolescentes vulnerabilizados da região, que eram muitos. No início das atividades socioassistenciais, a unidade São João Batista, no Centro de Campinas, funcionou como um abrigo para menores em situação de rua.

Após algumas mudanças, ainda acreditando que a educação é capaz de transformar vidas, a organização trocou seu nome para Obra Social São João Bosco e começou a receber outros serviços municipais de assistência social. Hoje, acolhemos crianças da Educação Infantil, crianças e adolescentes no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos no contraturno escolar, além de jovens, adultos e idosos no Centro de Convivência Inclusivo e Intergeracional, com oficinas de qualificação profissional e atividades de qualidade de vida.

Maria da Penha é cozinheira na organização há 26 anos. Mas já atua na comunidade salesiana há 31 anos como voluntária e sabe a diferença que o trabalho faz na vida dos atendidos. “A acolhida, a assistência principalmente. Onde tem adolescente, o educador está ali participando e a gente também. Na hora do refeitório estamos sempre ali, participando da vida deles”, afirma.

Realidade atual: o que realizado e para quem é realizado

A forma de atuação mudou, mas o propósito permaneceu o mesmo: acolher, educar, desenvolver integralmente e fazer de nossos atendidos os protagonistas da transformação social. Assim como Dom Bosco ensinou.

Atualmente, a Obra Social São João Bosco executa seus serviços em seis unidades de atuação, sendo três unidades de educação infantil e três unidades de serviços socioassistenciais. São 2.100 atendidos diariamente, mais de 1.700 famílias beneficiadas, tudo isso em três territórios de Campinas em diferentes regiões da cidade.

Somam 803.599 atendimentos individualizados em 2025, além de servir mais de 1 milhão de refeições durante todo o ano. Para isso, contam com mais de 250 colaboradores.

E tudo feito com um grande carinho educativo. Maria da Penha afirma o que a inspira a trabalhar todos os dias em prol de nossos educandos. “O amor e a pedagogia de Dom Bosco, que não tem igual. Todo lugar que a gente passa, sempre tem alguém que já passou por aqui e lembra da pedagogia”, diz ela.

E o trabalho não para. “Que a gente não pare de sonhar. Nós somos frutos de um homem sonhador, que sonhou lá atrás, na Itália e que hoje continua se fazendo presente através de nós, outros sonhadores que sonham com um mundo mais justo e fraterno”, finaliza o diretor, padre Marcos Sabino.

Com a palavra, os protagonistas da obra

As atendidas do Centro de Convivência Inclusivo e Intergeracional chegaram por aqui há alguns anos e não pretendem sair das atividades. “Eu estava muito acomodada logo depois que me aposentei e isso estava mexendo com meu emocional. E isso foi muito bom para mim. Fazer novas amizades, fez um novo sentido na minha vida”, afirma Euripas Luisa Costa, de 64 anos, que participa das atividades de dança e ginástica para a terceira idade.

Uma outra educanda ainda diz que precisava ter mais lugares com o serviço oferecido pela Obra aos idosos. “Tinha que ter mais lugares que incentivassem o idoso a sair de casa. Eu aposentei e falei: ‘eu vou fazer o quê da minha vida?’. Isso aqui para mim foi uma salvação. Hoje eu venho e trago a minha mãe de 84 anos”, declara Magda Venturini, de 60 anos.

Os adolescentes também são parte importante do trabalho educativo. São opção preferencial dos salesianos e, portanto, protagonistas na obra. “Eu sou muito acolhido aqui na Obra, com muito carinho, muito amor. E o cuidado não só dos educadores, dos funcionários aqui da Obra”, diz Erick, educando de 13 anos.

Já Lorena, educanda de 14 anos, entende o espaço da Obra como essencial para as relações interpessoais e compreensão de si. “É um lugar para reunir as pessoas. Unir, fazer amizades, conhecer você mesmo”, menciona.

E o acolhimento, carinho e dedicação não fica somente com os educandos. Para a cozinheira Maria da Penha, o lugar é mais do que um trabalho. “A Obra modificou a minha vida, dos meus filhos que estudaram e se formaram aqui. Meu filho foi educando e depois educador. Minha filha mais velha foi voluntária aqui e meu esposo também foi voluntário”, diz ela.

Conheça a Obra Social São João Bosco

Nessa perspectiva, a obra busca realizar um trabalho cada dia maior e melhor.

Todos são convidados a conhecer melhor a Obra Social São João Bosco, através das redes sociais.

Os atendidos, colaboradores e direção te dizem o porquê você deveria saber mais e estar conosco:

“É uma Obra que faz toda diferença na vida das pessoas, no dia das pessoas… quem tiver a oportunidade de conhecer, que venha” – Euripas Luisa Costa, 64 anos

“É um espaço maravilhoso, eu indico. Quando eu vim, trouxe mais quatro amigas minhas aposentadas. A gente tem que externar o que é bom” – Magda Venturini, 60 anos

“Muda muito a sua vida, o seu pensamento. Vem que você vai fazer bastante amizade” – Lorena – 14 anos

“Não tem igual. Para os colaboradores, o tratamento, a acolhida, a ajuda que a gente sempre tem nos momentos difíceis. É uma família. Os salesianos são uma família” – Maria da Penha, colaboradora há 31 anos

O que move a obra diariamente?

“O sonho de continuar transformando. O nosso trabalho é como a chuva, que cai mansinha, que penetra na terra e frutifica tantos grãos. Nosso trabalho de carinho, de paciência, vai jogando a semente de um novo amanhã e se transformando numa sociedade mais justa e fraterna” – Padre Marcos Sabino, Diretor Presidente da Obra Social desde 2020

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